sábado, 18 de fevereiro de 2012

«COM MUITA EMOÇÃO»

Cartaz Avô  
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/faires.htm

Amanhã, 18 de Fevereiro, 
era para ou telefonar à Linda ou enviar mensagem electrónica à Maria João. Amanhã, porque senti que seria o dia certo para enviar um adiado agradecimento  pela oferta do livro  e pelas dedicatórias inevitavelmente comovedoras.
A da mãe primeiro e depois a da filha. Da dedicatória de cada uma, uma palavra :

«Que saudades dos anos sessenta (…). Então éramos jovens e felizes».

«É com muita emoção que lhe envio este livro de homenagem a meu Pai (…). Queria tanto que ele visse este livro!»

Recebi entretanto por correio electrónico de Onésimo Teotónio Almeida o cartaz do ICPD que acima se vê ao lado da reprodução da capa do livro Fernando Aires – Era uma vez o seu tempo.
Isto foi ontem, dia 16, quando vinha em trazer aqui para este meu «chapeuebengala» a diacrónica da revista Ler que o conhecido cronista açoriano dedicou a Assis Pacheco. Hoje, em fim de dia e bom silêncio, como homenagem da minha saudade de tantos
«18-de-Fevereiro» em que sempre ia de cá uma palavra de amiga lembrança  em parabéns de aniversário,  abri, sensivelmente a meio, o referido livro de «Homenagem de amigos e admiradores» para ler a parte que traz por título «As saudades do clã» e que termina com este dizer: «nunca te vou esquecer.» 

Esta leitura!… Que momento de sentido respeito com amizade e admiração!… E o que me vai ficar por mensagem e abraço à Linda e seus filhos e seus netos neste segundo aniversário de ausência e saudade, é uma pequena recolha dos seus textos. Esta que a seguir poderá ler quem visita este meu blogue, em especial quem se lembrar de que Fernando Aires não vem aqui pela primeira vez.
Por exemplo: 
http://chapeuebengala.blogspot.com/2011/11/ilha-de-nunca-mais.html

De «AS SAUDADES DO CLû

Partiste num silêncio recolhido,
Sem um queixume, um ai ou um lamento,
E assim foi maior o meu tormento
Pois não pude sequer falar contigo.

Reconheço que Deus foi teu amigo,
Poupando-te a um longo sofrimento;
Não merecias sofrer por muito tempo.
Tomara eu nesse instante ter partido.
Idalinda Ruivo (esposa)

Isso é o maior legado que nos deixaste: A força do Amor.
(…)
O grande legado literário e humano que nos deixaste mostra bem os teus contrastes, a tua luta interior, as tuas inquietações e insatisfações.
Isabel Sousa (filha)

Recordo a sua biblioteca, não como uma exposição de encadernações douradas, mas como um conjunto de obras lidas e relidas.
Recordo as conversas prolongadas entre os meus pais acerca de leituras que faziam, envolvendo-nos, também a nós, nesses temas.
Fernando Sousa (filho)

Partiu do teu eterno amigo Onésimo a ideia de fazer este livro em tua homenagem (…). É pouco para te narrar, mas também não seria  fácil de fazê-lo. (…) Eu nem sei o que dizer. Sinto tanto e digo tão pouco!
Maria João Ruivo Sousa (filha)

Falava-me do que era ser um homem digno e de bons valores. Falava-me de sensatez e responsabilidades e insistia nestes assuntos uma e outra vez.
Vasco Cabral (neto)

Com ele aprendi muito sobre a História do mundo que ele tão bem conhecia, sobre os grandes filósofos, as grandes guerras, expedições e descobertas, enfim, mas o maior legado foram os valores que ele nos deixou e que não se cansava de repetir.
Eurico Cabral (neto)

Finalmente, entendo o entusiasmo com que falavas das tuas experiências em Coimbra e a tua ambição de beber o mundo.
Eunice Franco (neta)

O meu avô ensinou-me a agarrar as coisas com unhas e dentes, tal como ele fez, porque era apaixonado pela vida.
Afonso Franco (neto)

Pela primeira vez, sei que posso e devo usar a palavra Nunca.
Nunca te vou esquecer.
Inês Sousa (neta)


Posso agora acabar este comovido serão de memória do escritor e do amigo Fernando Aires. Prolonguei-o, afinal, de ontem até hoje.
Aqui já a meia noite passou há dez minutos. No teu dia 18, se te telefonasse, compadre, seria para o abraço dos teus oitenta e quatro anos.
MPM-RV

1 comentário:

  1. Pois tu bem sabes que deixaste marca ali no coração daquela família.
    onésimo

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