quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

«O PODER INDETERMINADO DOS LIVROS É INCALCULÁVEL» (Steiner) - I



UMA SINTRA PRESERVADA
UMA ARRÁBIDA VIOLADA
E UMA REVOLTA EREMÍTICA

-Nem sempre! Não o será em todos os casos.
-Não sei, mas não me custa conceder.
O que não posso é apagar, assim sem mais, esta afirmação:
«o eremita é um revoltado».

Nem sempre?
Aqui não é preciso que seja sempre. Basta-me, até e apenas, que possa afirmá-lo do recente eremita de Sintra, Miguel Real.
Eremita confesso e professo!
É por causa deste livro que Fevereiro, este Fevereiro de 2012, me pôs nas mãos: Nova Teoria do Mal.

Ponto final da «Apresentação», com sublinhados que faço eu:
«Tão grande é a revolta pelo estado ético de Portugal que, após a escrita deste livro, decidi – para poder escrever e ser feliz – não me preocupar mais com tudo o que acontece no seu interior: a minha Pátria é Sintra, e nada mais, o verde da serra, o azul do mar, o castanho e branco das terras e a doçura das suas gentes. Se no céu há um paraíso, na terra há Sintra. Do resto, território da malícia, dominado por um Estado maquiavélico, nada me interessa».

Profissão de eremita mais clara e conforme?
Igual, muito igual, a de muitos dos nossos grandes eremitas.
Mutatis mutandis, naturalmente!
-Um exemplo?
-Frei Agostinho da Cruz, poeta da nossa Serra da Arrábida!

Quero muito deter-me numa abordagem de Nova Teoria do Mal e também no afrontamento da minha dificuldade em aprender as lições conversas, diversas e inversas dos eremitas. Tomando cuidado em não seguir exemplos sem pensar duas vezes.
Para a hipótese de uma minha decisão como esta de Miguel Real, reconheço-me em desvantagem.
-Porquê?
-Pois! Porquê!… Um arrepiante infelizmente!...
Apaziguar a minha revolta? Na nossa «Serra-Mãe», a Serra-Deusa de Setúbal?
Tão impossível!
Quanto ela, a minha pobre revolta, ecoaria em brado por encostas, vales e gargantas,
em brado de tão crescente quão inútil desespero!

Sintra preservada, mas Arrábida violada pela «nova teoria do mal»…
Tão escandalosamente à vista!…
L. V.

Sem comentários:

Enviar um comentário