domingo, 19 de fevereiro de 2012

POR-ACASOS: «ninguém daria pela minha falta»

RÓMULO DE CARVALHO/ANTÓNIO GEDEÃO

19.
FEVEREIRO
Assis Pacheco, Fernando Aires, Rómulo de Carvalho…
Redactor de um necrológio na Blogosfera?
Parece que sim. Mas talvez não.
Por acaso ou talvez não, ao que a memória me foi hoje mais fiel foi ao aniversário de nascimento de quem nasceu a um 19 de Fevereiro e me morreu a um 19 de Março de muitos anos depois e depois de numa  última carta me ter dito que, dos dois, eu morreria primeiro porque não tinha o devido cuidado com a minha saúde…

A memória fiel, portanto, à data de um nascimento e não de um falecimento…
Só que, no avançar das horas deste dia de folguedos, cai-me da blogosfera e prende-me o olhar uma palavra assim!!!
Esta:
«Se não tivesse nascido, ninguém daria pela minha falta».
http://www.casaldasletras.com/maria_Registos.html

De modo algum esperava para hoje uma lição tão radical sobre a insignificância.
E agora?
De modo algum
passar como quem não viu.
E…?
Avançar para essa deriva de reflexão?
Por me sentir ferido, sim.
Por ser de esperar por outro momento do sentir em que a lição de vida sintetize as contradições, não.
Também porque uma pessoa dá por si em interrogação:
«Mais palavras? Sob esta chamada de atenção tão forte para a Lição da Inutilidade?».

Não vou, todavia, resistir a uma citação:
«Rómulo de Carvalho/António Gedeão é uma das mais luminosas personalidades do século XX português e as comemorações do centenário do seu nascimento bem o manifestaram.
”Ao  promover esta sessão com Nuno Crato, um dos discípulos que muito honram o Mestre, a Culsete teve a intenção de dar o seu modesto contributo para a participação de Setúbal no testemunho da gratidão e respeito que o país deve ao eminente cientista, poeta e professor que foi Rómulo de Carvalho/António Gedeão e firmar o compromisso que sempre assumiu de divulgar a sua obra”»
(Papel a M ais, pág. 239).

Fica aqui, pois, apenas uma citação.  Comigo fica, entretanto, o desejo de voltar com um Rómulo de Carvalho/António Gedeão que muito me tem dado que pensar com o seu entendimento do que somos e muito a partir do primeiro poema do seu primeiro livro de poesia, o Movimento Perpétuo:

HOMEM
Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras, nem cinzéis, nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.

E…, se voltar, alguém havia de estar por perto a impor-me que partisse deste verso tão definitivo: «desde mais infinito a menos infinito».
L. V.

1 comentário:

  1. Se António Gedeão não tivesse nascido também não teriam nascido tantos poemas bonitos. É claro que não teríamos sabido a diferença, mas ainda bem que sabemos porque agora sabemo-nos mais ricos. Falo por mim que sei alguns de cor e mais nacos de outros, e delicio-me a relembrá-los.
    Se Gedeão não tivesse nascido seria caso para eu admitir não saber que o sonho é uma constante da vida e tantas outras coisas.
    o.

    ResponderEliminar