quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

POR-ACASOS

 

EREMITÉRIO ARRABIDINO

clip_image002«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)


Vergílio Ferreira,
Conta-corrente – nova série – II, 19 – Julho (quinta)
«Que verdade é essa antes de a haver?
Porque não é nada,
excepto essa espécie de magma
donde há-de brotar o mundo,
essa anterioridade de tudo,
o começo do começo para a verdade começar.
Que significa aí toda a vasta e complexa rede
do que se pensa e comunica?
Descer até lá
para enfim saber que não há saber nenhum,
na pura dissolução
de todo o primórdio de haver ser.
Porque o ser não é um limite,
excepto se esse é o nome do que o não é.
(…) 
O ser começa ainda no não ser,
não como referência dele
mas apenas como inexistência pura
sem referência alguma que lhe dê
assim
um estatuto de ser.
O indeterminado de nós.
(…)
Descer aí. E evocar desde aí
o que desde aí é o vazio e incrível e absurdo e irrisório esboço
de qualquer ideia
com que se pense o Mundo e a vida
na sua realidade de se pensar a vida e o Mundo. E
purificar-me aí
para ser sociável e convivente e um filamento da rede
em que tudo existe e se organiza.»


P. S.
1
As mudanças de linha devem-se ao modo como para mim fui relendo o texto de Vergílio Ferreira. Texto corrido, sem um único parágrafo.
2
Procurei esta página?
Não.
Ando à procura é de uma outra acerca do sentido da vida que quando a li me tirou uma incontrolável gargalhada e me deu título para um poema.
Foi há quantos anos?
Em que ano foi?
Não sei. Mas sei que foi já à luz do candeeiro da mesa de cabeceira e num 18 de Julho.
3
Por isso vim parar aqui, a um 19 de Julho?
Poi foi!
De certeza?
Ou foi porque reencontrar-me com esta ideia, agora,
nesta altura da viagem, me seria tão grato como foi e está a ser?
4
Isto é que se chama!
Um sublinhado a lápis das últimas linhas ficou da primeira leitura… Há quanto tempo? O diário é o do ano de 1990. A edição, na Bertrand, de 1993.
Hoje, mesmo sem lápis, um sublinhado ainda mais profundo?
L. V.

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