quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

«ZARPAR» AO SAIR DA LIVRARIA

Os 75 anos de Assis Pacheco
A 1 de fevereiro de 1937 nascia em Coimbra um dos maiores «craques» portugueses, desaparecido cedo demais. Dedicamos este número aos seus «trabalhos e paixões» com um bónus: dois contos inéditos.
http://ler.blogs.sapo.pt/


Que últimos livros
prenderam
a atenção
de Assis Pacheco
na última vez
que entrou
numa livraria?


Só por estes dias, quando a maioria dos habituais leitores da revista Ler já o terão fechado, é que um livreiro que se preze vai abrindo o número do corrente mês. A respeitar o ritmo da distribuição às livrarias. Não lhe faltou que «ler», no entretanto e neste reinício de ano editorial.

Especial atenção deste número para a memória de Fernando Assis Pacheco. Devia, sim, ter vivido mais, mas bastou-lhe chegar aos 58 anos para muito marcar o meio jornalístico e literário. Cultivava com uma naturalidade incomum a boa camaradagem e a simpatia. Desde muito novo vivia em grande intimidade com o que se escrevia e publicava e com muitos dos nomes mais conhecidos e reconhecidos da nossa literatura da sua contemporaneidade. Coimbra em anos cinquenta e um jovem na sua cidade: Torga e Afonso Duarte e Joaquim Namorado e…

No dia 1 deste mês de Fevereiro e deste ano de 2012 cumpriria 75 anos. E ao cumpri-los que nos diria, se naquele dia 30 de Novembro de 1995 não se tivesse despedido dos jornais e dos livros ao sair da Livraria Buchholz? Se continuasse em camaradagem com quem lhe veio agora prestar homenagem, na Ler e não só?

«Não exagero ao afirmar que podíamos ter ficado pelas crónicas desta edição da LER e Fernando Assis Pacheco (1937-1995) já teria ganhado o jogo - de goleada», escreve João Pombeiro no Editorial.
Tirei o «zarpar» da crónica de Onésimo Teotónio Almeida, que li com especial atenção, por ser para mim fácil ler nesta uma-página mais do que nela cabe.

«Zarpar» serviu muito bem aqui para sublinhar este meu sentimento, de 1995 e de até hoje, quando digo ou ouço dizer ou leio: «morreu à porta de uma livraria». O último sítio onde os seus muitos amigos o teriam encontrado se naquele dia e hora também tivessem lá estado. O último… Mas quem ia adivinhar «que já tinha as horas solares que lhe cabiam»?
L. V.

1 comentário:

  1. Obrigado por este eco, Manuel. O Fernando Assis Pacheco merece-o e, se fosse vivo, mandar-te ia um folheto inspirado pela "musa irregular" com um dos seus sorridentes abraços, largos como o coração dele.

    onésimo

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