terça-feira, 27 de março de 2012

O III ENCONTRO LIVREIRO FOI ASSIM

No domingo, 25, houve alguém que passou boa parte da noite a viajar para chegar à Culsete e viver o III Encontro Livreiro sem perder pitada. Esse alguém foi o António Alberto Alves da Traga-Mundos, de Vila Real. Foi o primeiro a passar a porta, eram 11 horas da manhã. Aqui está ele a contemplar a pequena anarquia que é a livraria.

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Logo de seguida entraram a Rosa Azevedo, o Hugo Xavier, o Bartolomeu Dutra e o Luís Guerra. Um pouco depois apareciam a Sara Figueiredo Costa, o Nuno Seabra Lopes e o Ricardo Duarte. Conversaram, ajudaram nas arrumações finais, tiraram fotos, espreitaram  as estantes, sorriram para a máquina (completamente amadora).

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Ao almoço, de peixe assado, éramos dez à mesa. Mas a máquina ficou arrumada. 
O Encontro Livreiro estava aprazado para começar às 15 horas e a essa hora em ponto começou a chegar gente. De Portalegre chegaram  o José Tavares e o Amadeu Candeias, estreantes no Encontro Livreiro. A Ana Wiesenberger e o Pedro Vieira também deram o ar da sua graça, e que graça…

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Assinava-se o “livro oficial do encontro”, conversava-se com esta e com aquela/com este e com aquele, até que se deu início à função, com as necessárias palavras de boas-vindas. E, já que estávamos numa livraria,  recorreu-se a uma página do Diário II de Luísa Dacosta, Um Olhar Naufragado (pp.25-28), onde a escritora discorre sobre o que são livrarias, esses “espaços de liberdade, lugares de encontro. Liberdade intimista, com uma profundidade de abismo e onde o tempo e o lugar podem ser vencidos. […]”.

Indo ao encontro do conceito de “Livreiros da Esperança”, leu-se o poema de Manuel Alegre «Livreiro da Esperança», incluído em Praça da Canção.

LIVREIRO DA ESPERANÇA
Há homens que são capazes
duma flor onde
as flores não nascem.
Outros abrem velhas portas
em velhas casas fechadas há muito
Outros ainda despedaçam muros
acendem nas praças uma rosa de fogo.
Tu vendes livros quer dizer
entregas a cada homem
teu coração dentro de cada livro.

Uns sentados, outros em pé, todos escutámos com prazer  o Bartolomeu e a sua viola. Quem passava pela montra, parava a tentar perceber o que se passava.

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E chegou o momento de ouvirmos Manuel Medeiros, sob o olhar atento da Rosa, enquanto o Flamarion, seguindo à risca as “sábias” orientações do Nuno Medeiros, aproveitava para captar os momentos mais vibrantes, para mais tarde os mostrar no Brasil.

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Aconteceu depois um dos momentos mais importantes do encontro, a atribuição do diploma de Livreiro da  Esperança ao senhor Jorge Figueira de Sousa, da Livraria Esperança, do Funchal, na pessoa de sua prima, Maria do Carmo Figueira de Sousa e Abreu, que, curiosamente, foi, durante três anos, livreira na livraria da Seara Nova. No momento da entrega do diploma, o Luís Guerra entrou em contacto telefónico com o senhor Jorge Figueira que pôde ouvir as fortes palmas que todos lhe batemos. A Sara falou-nos da sua recente visita à livraria Esperança e do seu encontro com o senhor Jorge Figueira.

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Leram-se em seguida as mensagens enviadas por aqueles que, gostando de estar presentes, não tiveram oportunidade de aparecer.

Chegou depois o momento em que  falaram todos os que para tal se inscreveram (ou foram inscritos!), sob a condução e savoir faire da Rosa. Levantaram-se diversas questões relacionadas com a problemática do livro, da leitura, da edição, das livrarias, da comercialização do livro, etc., etc., pondo o dedo em muitas feridas e alimentando esperanças de melhor  futuro.

A tarde ia avançando, o microfone sem fios ia passando de mão em mão, nós íamos rodando nas cadeiras, degustando o que havia em cima da mesa que servia de bar e  molhando as gargantas com água e sobretudo com o famoso Moscatel de Setúbal, “o melhor do mundo, quiçá até da Europa”, como lembrou, e muito bem, alguém…  Os fumadores inveterados davam escapadelas até ao passeio em frente à montra, deixando um rasto de pontas de cigarros na calçada.  Houve também que aproveitasse para informar a família que o encontro estava para durar ou quem descansasse o olhar sobre os livros expostos, sempre com o ouvido no que era dito.

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Já o sol se tinha posto há muito quando a Rosa Azevedo fez o resumo do que fora dito. Manuel Medeiros, como bom anfitrião, disse as palavras finais. A viola e a voz do Bartolomeu, desta vez acompanhado pelo João Frada, animaram os últimos momentos de convívio de alguns resistentes. Consta que alguns destes ainda foram saborear o célebre choco frito setubalense.

F.R.M.

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