domingo, 11 de março de 2012

«A OBSESSÃO DAS LIVRARIAS»

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Livrarias, assunto em Março.
Francisco Belard escreve na sua crónica da Ler deste mês:
«não tenho a obsessão das livrarias».
Se, em vez da negação, viesse uma afirmação, de modo nenhum infirmaria a minha interpretação de quanto mais nesta crónica nos diz.
E vou mais longe: estaria mais à vontade para dizer que suspeito de que tenho eu «a obsessão das livrarias».

Talvez por trauma em tenra idade: nem uma livraria nos Açores, na minha juventude, e eu louco por livros.
Sorte tive eu, que, livros, encontrei muitos e ao meu dispor! Livrarias? Já disse, nem uma! Livros à venda? Só nas boas papelarias e, pelo menos em dois casos que frequentei, em lojas que vendiam coisas tão interessantes como bolas de borracha ou louças decorativas. Ah! também numa tabacaria e em algumas redacções de jornais. 
É! É isso! No passado este país estava  cheio de livrarias, apesar de mesmo em Lisboa escassearem à vista desarmada ao sair da Baixa. Quantas contei, em 1970, nas zonas de novas habitações?  Lisboa crescera, o comércio livreiro não acompanhara.

Deve ter sido isso: um trauma. Também talvez  por isso mesmo ou pelo contrário, não sei,  não vejo grande mal em que desapareçam livrarias, desde que, onde há quem precise delas, vão nascendo outras.
O que verdadeiramente me incomoda e às vezes até assusta é que essas livrarias que fecham e as novas que abrem façam tão pouca falta às pessoas a quem tanta falta fazem. Se ao menos por outros modos ou meios chegassem aos livros que precisavam de ler e não se encontram aonde qualquer um vai…

Se ao menos… Mas não, não sentem falta. Pessoas tão conhecedoras de tudo e tão respeitadas pelos seus saberes, poderes e cultura!… Algumas até escrevem tanto e tão bem, que se vê à légua que deviam ler e ter lido um bocadinho mais.

Lê-se a crónica de Francisco Belard. Escreve-a sem que seja por «obsessão das livrarias», mas por ser um daqueles leitores que fazem renascer a esperança dos livreiros ao dizerem de si para si: «felizmente  continua viva esta raça de leitores autênticos».

«Livrarias, assunto em Março», porque também….
Mesmo que não fosse por obsessão, teria de voltar. Volto, volto!
L. V.

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