quarta-feira, 28 de março de 2012

TABUCCHI: «quem compreendeu»

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Em homenagem a António Tabucchi vim por uma releitura de Mulher de Porto Pim.
Sou de naturalidade açoriana. Nenhum açoriano pode ignorar a simpatia de Tabucchi pelas nossas ilhas, feita monumento literário neste livro.

Há o «Prólogo» e nele leio: «pus o pé em terra e este livrinho tem origem, além da minha disponibilidade para a mentira, num período de tempo passado nos Açores».

Depois do «Prólogo» vem o texto «Hespérides. Sonho em forma de carta». Copiei-o quando o quis colar numa das páginas mágicas de As Ilhas Desconhecidas de Raúl Brandão.

«Quem compreendeu» vem à leitura precisamente nesse primeiro texto que abre a porta às duas partes do livrinho.

«Não me foi possível descobrir quem seja exactamente esse deus (…). Deduzo que ele esteja relacionado com a ideia da plenitude e da perfeição (…). E foi por isso que eu pensei que se tratasse do deus da Felicidade; mas da felicidade de quem compreendeu tão plenamente o sentido da vida que para ele a morte já não tem importância alguma e é por isso que os poucos eleitos que vão venerá-lo não voltam mais».

Sem comentários. Só uma tentativa de «compreender plenamente» a beleza e sentido da escrita de Tabucchi, curvando a cabeça num respeitoso silêncio de luto e homenagem.
L. V.

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