sexta-feira, 4 de maio de 2012

CONCORDÂNCIAS

       CAPA DO PINTOR URBANO
«AONDE OS BARCOS REGRESSEM»
hoje vou da página 56 para a 30 e volto da 30 para a 56 não sem passar por «da ilha carn(av)al» onde já antes a corda sensível em vibração me prendera com sua filosofia e não-filosofia de um «para além de tudo amar as coisas até ao fim do prazer e do sabor»

sendo impossível «desescrever» a interminável espera do amor fecundo da paz que sempre se crerá que um dia há-de nascer vais por «uma serpente / de saudade» envolver-te de novo

talvez porque «amigo  a tua viola é o que resta / das papoilas e das rosas dum país» e dedilhando-a «percorres a tua escala de ausência / na melodia em tom menor / com que se escrevem temas de exílio / solidão e cansaço»

volto da 30 à 56 por um 1.º de maio e pelos seus epílogos ou por ter acontecido ontem dia 3 do maio actual a apresentação em ponta delgada pelo urbano bettencourt do seu novo livro áfrica frente e verso?

resposta mais certa talvez em «se calhar ainda te vais lembrar do tempo de áfrica» ou em imediatamente antes se perguntar «quanto tempo vou precisar para me livrar de vez desta pele que me deram?»

creio na literatura por si mesma inteiramente sem precisar de fingir que a realidade é ficção nem que ficção é realidade apenas um saber de arte em que tudo o que tens para dizer te pede a perfeição de uma escrita

por isso a urbano bettencourt vou em setúbal na culsete em 26 deste maio de 2012 agradecer quarenta anos de vida literária aqui iniciada na «primavera de 1972» quase em dia de partir para a guiné donde vem agora este precioso livro da literatura portuguesa cada vez mais marcada por essas guerras coloniais a que o 25 de abril pôs termo

R.V./L. V.

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