quinta-feira, 10 de maio de 2012

Querenças do Sem-depois - VII

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EM VERDE E MAIO A TERNURA

cuida de mim erva rasteira

se é só agora que to peço compreendo
quão orgulhoso fui e convencido
de senhor de mim em horizontes

e quão apesar disso humildemente
de me amparares sempre tu cuidaste
no abraço comum
da comum sobrevivência

renovada nos verdes de cada primavera
em mais esta e seu maio te acarinho

e os meus olhos que não brilham já
comove-os a ternura da grata convivência

cuida de mim erva rasteira

eu posso abandonar-me
mas nunca quererei
sentir-me por ti abandonado

em teu verde deposito em foz de mim
todo o crer com que me entrego
às certezas e esperanças
da vida evoluindo na mãe-terra

R. V.
Setúbal
Maio.2012

1 comentário:

  1. E o verde da ilha, meu caro, tem sempre tons tenros, o que pode bem ser uma gralha para ternos. É sempre a sua maneira de ter-nos e deter-nos nele.
    Abraço.
    onésimo

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