A sessão do passado 2 de Junho na Culsete em torno de José Medeiros Ferreira e da sua participação na denominada crise académica de 1962, abrilhantada também pelos contributos preciosos de Onésimo Teotónio Almeida e Mário Mesquita, correu muito bem. Depois da introdução e apresentação dos convidados, Manuel Medeiros, o anfitrião, tomou a palavra e deu o tom e enquadramento.
Eis algumas fotos, das muitas que tirámos, a ilustrar o ambiente vivido.
À hora marcada, o que é raro, já estavam presentes praticamente todos os participantes, alguns vindos de longe. Ouvi dizer que muitos deles aproveitaram para almoçar na cidade e provar o delicioso peixe servido num dos muitos restaurantes da especialidade.
Entre os presentes estavam várias figuras públicas, escritores, actores, políticos…
… personalidades relevantes em várias áreas, algumas que nos habituámos a ver e ouvir na televisão….
…. bloguers que costumamos ler…
… e sobretudo muitos e bons amigos, de diferentes interesses e idades, mas com o mesmo gosto, o mesmo vício: os livros e uma boa conversa à volta deles. A Culsete estava cheia que nem um ovo, da montra até ao fundo. Muitos participantes não conseguiram passar da porta e permaneceram em pé durante toda a sessão, como frequentemente acontece.
Dos convidados, os três amigos e conhecidos de longa data, o primeiro a falar foi Onésimo Teotónio Almeida, com o espírito e a competência oratória que lhe conhecemos…
… fazendo, de imediato, abrir sorrisos entre os presentes, sorrisos que foram uma constante durante as comunicações dos três convidados, que souberam pontilhar os seus discursos de notas de ironia muito acutilantes e actuais, tornando a escuta um prazer de redobrado sabor.
Foi depois a vez de escutarmos Mário Mesquita, conhecedor profundo do percurso e da obra de Medeiros Ferreira, abrindo, num discurso claro e competente, a porta às esperadas palavras deste.
Medeiros Ferreira falou com entusiasmo, com acutilância…
… com garra, com conhecimento de causa.
Ficaríamos ali o resto da tarde e pela noite fora, não fossem outros compromissos que todos tínhamos, tal a forma como fomos agarrados pelo discurso de Medeiros Ferreira e pelos anteriores. Muita coisa ficou por perguntar, por aprofundar, mas esse é um sentimento que muitas vezes experimentamos após as sessões na Culsete.
Nem sempre é fácil reunir, como na tarde do passado dia 2, à volta da mesma mesa, três intelectuais como os nossos convidados, de primeira água, tanto na academia como fora dela, assumindo boa parte do melhor pensamento que se produz entre nós actualmente. E generosos e disponíveis como só eles. Três amigos, entre si e amigos queridos do livreiro velho, do tempo de todas as utopias, os anos sessenta do século XX, de onde partiram em viagem de “longo curso”.
Foi bom, foi forte, foi construtor de pensamento e de percursos de leitura.
F.R.M.

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