quarta-feira, 11 de julho de 2012

NA CASA BAÍA DE SETÚBAL: AO SERÃO NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA

O ROMANCE DE ALICE BRITO
AS MULHERES DA FONTE NOVA
clip_image002
Av. 5 de Outubro - Foto de Urbano Bettencourt - Maio.2012

O romance de Alice Brito As Mulheres da Fonte Nova, com o seu aparecimento no comércio livreiro e o seu lançamento e apresentações é, por estes dias, um relevante acontecimento setubalense. Não apenas por acontecimento literário, o que já mereceria essa relevância, mas porque é também e muitíssimo um hino à cidade e suas gentes.
Quem assistisse como eu assisti ao encontro com o livro, aqui na Culsete, de uma jovem senhora de Troino, compreenderia até onde vai o que digo.

Assim mesmo, sem rodeios: a nossa Livraria Culsete vai na próxima quinta-feira colaborar na apresentação do livro na Casa Baía de Setúbal, esperamos que o auditório se encha de setubalenses e que não nos sobrem exemplares do romance. Pelo livro, por Setúbal, pelos setubalenses.

Há muito que se diga acerca deste romance As Mulheres da Fonte Nova. No serão de quinta-feira, dia 12, sobre ele discursarão Helena Vasconcelos e Fernando Dacosta, conhecidas vozes da literatura e da crítica literária, mas a última palavra sobre um livro é sempre do seu leitor. É para dar um sinal do que ele, o leitor deste livro, vai encontrar, que peço licença para uma breve transcrição. Não sem antes incluir o convite em cuja difusão também, com muito gosto, queremos colaborar.

clip_image004

De As Mulheres da Fonte Nova, página 188:
A manhã acordou cansada depois de uma noite ventosa e mal dormida.
Arminda, preciso ver-te. Está às cinco horas no Miradouro.
Olhou a letra dele, barroca e estudada, filha das aulas recebidas na Escola Comercial.
(…)
Ele vinha dos lados da Avenida 5 de Outubro e tinha voltado à direita antes do Quebedo.
A fotografia daquela avenida nos anos 50 mostra um caminho amplo e claro. Não ostenta o aspecto cinzento e desarrumado de hoje. Tornou-se uma avenida desleixada e menor, um pouco deprimente, com a garagem dos Belos, suja e escura, a servir de referência a encontros, desencontros e identificações.
Só na Primavera a avenida parece outra coisa com os jacarandás em flor a emprestarem-lhe uma nobreza que vai desaparecendo à medida que as flores vão atapetando o chão  que fica roxo, um roxo penitencial, como chamou Aquilino ao tom violeta, parece que foi Aquilino, os pequenos e efémeros tapetes de flores no redor das árvores são uma graça, aquilo parece feito de propósito.
Ela trepava a rua do Miradouro, vinda do Largo da Misericórdia.

E há mais, muito mais, de Setúbal e sua realidade física e humana! Um romance que é um romance não escrito nas nuvens, mas nesta terra, a nossa, a cidade de Setúbal! Estamos de parabéns! Parabéns à autora!
L. V.

Sem comentários:

Enviar um comentário