sexta-feira, 20 de julho de 2012

«UMA FORMA DE AGRADECERMOS»

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O livro Inventário do Meu Mundo fez-me boa companhia
desde logo, quando saiu do prelo, nos fins de 2010, esse momento em que a vida me passou a castigar ainda mais por tanto a ter obrigado a…

Neste momento estou a relê-lo, por todas as razões e mais uma: agendado para o próximo dia 28 deste mês de Julho um serão na Culsete com Trovão do Rosário e este seu livro.
Em breve este serão mais extensamente convocará a nossa atenção. Para agora só peço que me acompanhem na releitura da página 112.

«Estou a falar serenamente, com voz serena, com um monge na sua cela, onde pouca luz entra, mas que não é muito escura.
Vivemos o séc. XIV. Lá de longe vêm, deslizando, sons de rezas e de cânticos; quase os não ouvimos, mas estão connosco neste momento sem tempo nem história.
O que dizemos já foi dito e muitas vezes será dito. (…)
Deixamos as palavras fluírem, encadeadas que já estão, e continuamos a ter prazer em nos ouvirmos. Nada queremos mudar porque sabemos que nada poderemos mudar.
(…) E nós continuamos a falar e a ouvir, cumprindo o nosso ritual. Numa forma de agradecermos a vida que nos foi dada (…).
Quando a luz acabou de se diluir no escuro, muito lentamente, na paz esperada e que sempre chega, perguntei-me se ele era o monge, se o monge era eu, se eu era os dois, até chegar à pergunta mãe: teremos nós existido?»

Alguém se admirará de que em chegando assim à última linha desta página 112 tenha dado comigo a voltar atrás e a ler outra vez?
«Estou a falar serenamente, com voz serena»
L. V.

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