quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A MONTE E À TOA

CERTEZA VELHA EM NAUFRÁGIO
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Foto de Urbano Bettencourt

olhos de pedra por empréstimo os peço a quem os tem seus para a certeza velha de que o vento e o mar sempre me encontram no resistente abraço de antes

 

olhos de pedra voltados ao mar e sem que de nuvens pesadas de chumbo os possa afastar fechado horizonte

 

cuido que o mar por segredo é que guarda este branco de antes muito antes de terra para que venha nas vagas oferecer a meus olhos a verdade do vento sobre ele e meu corpo

 

e juntos o mar e o vento confortam o sisífico naufrágio em que me embarcaram  desde sempre embarcaram

 

uns olhos de pedra ao mar e ao vento voltados e eu confortando em silêncio e distância com a velha certeza a dor das partidas

R. V.

6 comentários:

  1. Cada palavra destas é uma pedra que atiras ao meu futuro, que já não tem nada do ar longínquo que tinha.

    Grande abraço do

    onésimo

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    Respostas
    1. retribuir sem demora este abraço sem demora enviado e neste momento recebido...
      com um pedido de desculpa: pedras não queria atirar...
      deixá-las presas ante o mar das ilhas e para o além dele o que atirar sejam hortênsias...
      mm

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  2. Faço minhas as palavras do Onésimo, mas recebo de bom grado e sem demora as hortênsias e os abraços do Anónimo que os atira, devolvendo-lhos com o dobro da força para que possa resistir ao vento e recuperar o branco que existe ainda e que ajuda a resistir ao naufrágio.
    M J Ruivo

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  3. não há olhos de pedras que resistam a estes mares
    não há ventos que resistam a estes olhos
    não há terra que resita a este sortilégio açórico

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  4. Por milagre pedras feitas hortênsias chegam à mistura com cheiro a maresia, criptoméria e urse. Um abraço só, por via aérea, é pouco... vou enviar-te uns quantos, por via marítima, espera-os no cais! Haja saúde!...

    A.M.A.

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  5. Pedras junto ao mar não são para atirar ao mar. Deixe-as marcando o tempo,como um monumento ou uma catedral erguida ao sabor do vento.Deixe-as que fiquem a namorar as ondas e sentir o sol aquecê-la. Afinal,estas também são pedras amadas a contemplar partidas e regressos.
    Meu Amanhã também escorre ligeiro para a noite do meu ocaso.
    Por isso também quero oferecer ao mar hortênsias,como um cordão azul de amizades que este mesmo tempo (que me foge) foi me dando a conhecer e muito partilhando...
    Quando eu não for,deixem uma hortênsia nesta Ilha vossa, que tanto amo, marcando um tempo "meu" de vivências absolutas que tive o privilégio de VIVER.

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