quarta-feira, 15 de agosto de 2012

LÊ-SE a «cada uma» & «cada um» a LÊ

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A CHAVE NA PORTA

Não se vai por um «escreve-se cada uma», porquê? Prefere-se duplicar o «lê» para libertar o leitor de citações. Também se poderá citar, mas em excepção.

Pretende-se que o argumento de autoridade não convença e só em seu território governe. Que assim o leitor se sinta à vontade como autor do que lê e único em seu momento. Porque o artista morre e a sua arte perdura. Como já se viu.

1

Só isto eu queria: escrever um poema com um calor que te subisse à face. Em causa estava inflamar-te e não ensinar-te.

2

Procurei escrupulosamente não rir, não chorar, nem detestar as acções humanas, mas entendê-las. Assim, não encarei os afectos humanos como são o amor, o ódio, a ira, a inveja, a glória, a misericórdia e as restantes comoções do ânimo, como vícios da natureza humana, mas como propriedades que lhe pertencem, tanto como o calor, o frio, a tempestade, o trovão e outros fenómenos do mesmo género pertencem à natureza do ar.

3

Que o verdadeiro repouso te conduza o olhar para a Beleza. Esta é em si mesma a bondade do ser, iluminado ser. Não te permitas em atrevimento dar-lhe um nome. Explicando tudo, apenas o mistério em que te encontraste e encontras envolvido.

2 comentários:

  1. Se o trovão nos pode causar medo e o frio nos arrepia, sem que o evitemos, por que razão havemos de "não rir e não chorar" quando encaramos os afectos humanos?
    Como descobrir o "verdadeiro repouso", se não experimentarmos primeiro a inquietação do riso e das lágrimas?
    Só estou a reflectir em "voz alta".

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    1. que bom saber de alguém a reflectir sobre uma atitude muito singular de espinosa perante a realidade humana isto no nº2
      e sobre o que diz o outro para além dele próprio no n.º 3...
      um voto para ti e quem mais o quiser:
      que «a inquietação» de quem nela está lhe conduza o olhar para a Beleza... em encanto do viver...
      mm

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