sábado, 18 de agosto de 2012

LEITOR AUTORIZADO

A CHAVE NA PORTA
clip_image002Pretende-se
que o argumento de autoridade não convença e o leitor
se autorize a ler como seu o que lê. O leitor salva o texto.

O artista é que morre, a sua arte perdura, sem ele perdura. 
Com seu nome por vezes? Mas o nome somente.
Como sempre se viu e se vê raramente.


1
Relia as cartas do velho e no peito do homem violento havia agora como que uma doce ternura, uma lassidão perante a vida, uma fraqueza, uma prece humilde, quase infantil, para que a Noite o tomasse nos seus braços, noite profunda, noite consoladora, e brandamente o embalasse para sempre.

2
Defender com argumentos lógicos seja que crença for, é muito difícil. E no entanto o triunfo das crenças tem de ser avassalador no presente para que seja possível a salvação do futuro.

3
Enquanto que o fabuloso só pode funcionar no terreno indeciso entre verdadeiro e falso, a literatura, no que lhe toca, instaura-se numa decisão de não-verdade: dá-se explicitamente como artifício, comprometendo-se, porém, a produzir efeitos de verdade como tal reconhecíveis.

1 comentário:

  1. Este terceiro ponto vai buscar Fernando Pessoa no seu fingimento poético : "O poeta é um fingidor...", no seu artifício de, através da razão, fingir tão completamente "que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente".
    Não é?

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