quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A MONTE E À TOA

 

 

 

 


Às vezes um querer estar com as palavras

sem desejar dizê-las para alguém

 

Só escrevê-las por se estar entre elas e o silêncio

um grande silêncio

 

Sentir grande o silêncio e ainda maior a solidão

Nenhuma hipótese de ser um importuno ou um importunado

 

A verdadeira Grande Solidão não é própria nem propícia

para a ideia de ensinar seja o que for a alguém

Pelo contrário a Grande Solidão ensina

a não ensinar nada a ninguém

 

Ouves? É o silêncio total

Ninguém te vai pedir contas desta hora

Não a desperdices!

Não a desperdices!

 

Se chega uma lágrima

é para contribuir para o crescimento da Liberdade

E se entretanto a tinta as conservar para além de seis anos

talvez se possa afirmar que as palavras escritas são no presente

a voz de quem para si escreveu e sentiu

que a passageira Grande Solidão revelava a verdade profunda

do Grande Silêncio que havia de ser para sempre

R. V.

2 comentários:

  1. “A Grande Solidão ensina a não ensinar nada a ninguém”. Adoro isto! Mas a verdade é que aprendi o que essa Solidão, RV, nas suas palavras, mesmo sem querer, ensinou.
    É preciso coragem para a Grande Solidão e para o Grande Silêncio. Eu ainda não a tenho, mas quero aprendê-la. É preciso coragem, não tanto pela solidão e pelo silêncio em si, mas pelo que isso implica do confronto connosco mesmos. Isso é o que mais (nos) assusta, digo eu.
    Também tenho de aprender ainda a não ser importuna para com quem quer a Grande Solidão. Mas falta-me também a coragem para não importunar. R. V., isto é mesmo intrincado!
    A lágrima pode vir. Dessa não tenho medo. Medo tenho do passageiro e do para sempre. Ainda não cresci o suficiente para enfrentar o Grande de nada.

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  2. Também gostei. Deveras. Mas se não me faltasse o tempo, transcrevia aqui um trecho do Nunes da Rosa a mostrar-te o que era a solidão. No Mosteiro, das Flores, no final do século XIX, ele sozinho em casa, às 10 da noite e a pequenina aldeia toda já a dormir.
    A Internet até estragou a autêntica solidão, meu caro. Nem a solidão hoje já é mais o que era!
    Grande abraço do
    onésimo

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