sexta-feira, 28 de setembro de 2012

LÊ-SE CADA UMA & LÊ CADA UM

[clip_image002_thumb13.jpg]A CHAVE NA PORTA
Não se vai por um «escreve-se cada uma». Prefere-se duplicar o «lê» para libertar o leitor de citações. Também se poderá citar, mas em excepção.
Que o argumento de autoridade não convença e só em seu território governe. E que assim o leitor se sinta à vontade como autor do que lê. Único autor em seu momento de ler. O artista morre. A sua arte perdura porque quem a está vivendo lhe dá a sua vida.



PAZ!
1

Bem necessária paz para quem busque a autenticidade do seu pensamento! Olho as árvores a ramalhar e a exibir ao sol os seus verdes tão variados como os azuis do mar e os vermelhos do fogo. E não me canso nunca. O oceano, a árvore e o fogo são opulentas ostentações de forças elementares; o seu culto ou o debruçar-nos em respeitosa concentração sobre os seus mistérios desperta-nos instintos de mais íntima compreensão do nosso próprio mistério.

2

A noite abria-se para a nossa fogueira. Nós, ancestrais adoradores do fogo, ali sentados no calhau rolado, à calculada distância do perigo que eram as pedras estaladas pelo calor.

O que havia para contar sedimentava-se no silêncio de estarmos juntos, vivendo o rito da nossa consciência daquele mundo a que pertencíamos.

2 comentários:

  1. O melhor comentário que tenho para mostrar o quanto gostei de ler isto é o silêncio. Para concluir também que, no silêncio, se diz tantas coisas que fazem parte do "nosso próprio mistério" e de uma consciência colectiva que ainda acredito que exista como elo de ligação entre as pessoas que se entendem.

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  2. «para mostrar o quanto gostei de ler isto»,isto é, o comentário de mjr, tenho obrigação de confirmar que também eu gostei muito
    de ler esses dois pequenos textos... «e não me canso nunca»...
    mm

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