segunda-feira, 17 de setembro de 2012

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES

Ccordato da silva S(3)
Em menos de quinze dias Cordato da Silva – o amigo excelente para seus muitos amigos, devo insistir – deu-me mais duas lições daquelas que fazem uma pessoa sacudir a cabeça com força para não ceder ao estampido.
Que sensibilidade ao bom senso! Que autenticidade de atitudes! Que simples assumir-se na consciência das fragilidades da idade, nem tanto no plano físico, mas acima de tudo no mental!
O momento em que as lições me chegaram não me interessam nada para este vir continuar as histórias do meu admiradíssimo Cordato da Silva.
O caso para aqui, em para além dos casos, é ele ser capaz de encarar as fragilidades da idade como quem já viveu o que tinha a viver. Bem tento dizer a toda a gente menos idosa que a vida vai para esta verdade que o Cordato da Silva me enuncia com uma maturidade que mais impressiona do que a de Cícero em seu monumento à velhice:
«é natural».
Depois disso o que havia eu de ler em Do Natural, de Sebald, já no fecho da obra!?
«Mais tarde li num outro / professor que temos a morte diante de nós / como na sala de aula temos / a batalha de Alexandre na parede.»
É por isso que…
Como é que me acontece estar com as  ditas lições do amigo Cordato da Silva e de seguida dar com isto! Coincidências?  É ao que se deve chamar de coincidência?
Segundo estas lições, a morte, antes que para acontecimento, é para natural aprendizagem como em quadro de giz ou mapa-mundi. Pendurada na parede desde que entrei para a escola de aprender a vida… É simples?
R.V.

2 comentários:

  1. O seu amigo Cordato da Silva também devia dizer-lhe, não desfazendo, que a vida dá muito mais trabalho do que a morte e por isso nos devemos dedicar mais à primeira do que à segunda. E se ele acha que já viveu o que tinha a viver, essa é a verdade dele, não tem de ser a de todos os outros.
    A morte está tão diante de nós como a vida. A primeira é garantida, mas a segunda temos nós de garanti-la e é aí que está o essencial da nossa condição.

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  2. Meu caro Manuel,

    Olha que essa tal M J Ruivo é uma Cordata da Silva de grande calibre. Deita-lhe atenção porque ela diz cada uma que a gente fica a pensar.

    Abraço para aí.

    onésimo

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