sábado, 20 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA: «Venho buscar-te. Eu sei. És a Morte.»

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Acabar assim este dia 19 com outro desgosto de morte em mês de Outubro… Já de serão é que me chegou a notícia. Ouvi-a de pé e de viva voz: faleceu o Manuel António Pina. Nem a setenta… e para completar sessenta e nove ficou a faltar um mês.

Manuel António Pina desaparece devidamente consagrado, felizmente. Um dos grandes poetas do nosso tempo. Merecia ter sido reconhecido muito mais cedo. Mas ainda bem que…

Ouço o Requiem de Brahms enquanto ritualmente releio Manuel António Pina e aqui venho pedir que uns aos outros nos acompanhemos em lê-lo neste fim de semana.

Dos volumes da sua obra que trouxe da estante tenho aberto O Caminho de Casa (Edição Frenesi, © do autor, 350 exemplares, Março de 1989). O último poema dá o título ao livrinho e termina com a interrogação: «adormecendo em mim como em casa?» e fico pedindo em eco mais um sentido, um sentido actual, para este verso: «adormecendo em mim como em casa».

Impressionou-me muito vivamente, quando apareceu, a História do Sábio Fechado na Sua Biblioteca (Edição com © Assírio & Alvim, 2.500 exemplares, Março de 2009, -  só vinte anos após a edição do livro acima citado…).

Reli-o todo esta noite e da página 13 veio o título para este post… Também desse livro o eco: «só tu sabes como são os lugares para onde se vai quando se morre»

R. V.

2 comentários:

  1. RV, Nem de propósito, esta semana que passou estive a dar aos meus alunos do 8º Ano passagens da "História do Sábio Fechado na Sua Biblioteca", a parte em que a Morte vem disfarçada de Estrangeiro e de Palhaço e o diálogo do Sábio com o Mendigo em que aquele conclui que coisas como a fome, por exemplo, não se aprendem nos livros.
    Caramba! Os Mestres da palavra não deviam morrer nunca!

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  2. De uma certa maneira, permanecem vivos. O que ensinaram, o que escreveram, o que disseram. Enquanto alguém os lembrar, uma parte deles continua viva. Só o corpo desaparece.
    Também para mim, é o mês das partidas dolorosas. Faz hoje 11 anos, perdi o meu pai, o meu maior mestre. Ainda lhe falo, faço perguntas, procuro-o no rosto e nos modos de ser dos meus filhos e netos. Mas é em mim que o encontro. Foi ele, quem me incutiu todos os valores que ainda norteiam a minha vida.
    Não vou chorar. Ele não gostava.
    Manuel António Pina, entrou na Galeria dos Imortais.
    Maria

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