domingo, 14 de outubro de 2012

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES

 

2012-07-30 18.42.23

Foto de ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA

LEGENDA: Detrás da igreja onde sempre o vi
o álamo guardando as ruínas da casa de meu avô
onde numa boa hora serenamente disse à minha mãe uma última palavra
antes de fechar os olhos definitivamente

Ccordato da silva S(5)

As coisas acontecem. Nem sempre a nosso favor, é verdade, mas é do mais criador e vivificante que a vida tem. Da dialética entre previsibilidade e imprevisibilidade do acontecer nasce um sentimento tão conforme com a condição humana que, por mais que se queira calá-lo com altas ou baixas razões e dedicações, há-de sempre chegar uma hora em que o ser gente se impõe sem restos de espavento.

Como até em casos destes, tão simples, se pode ver, as coisas acontecem. Voltar às conversas do amigo Cordato da Silva, logo havia de acontecer hoje, 14 de outubro de 2012, um dia tão significativo entre estes dias a mais sobre o seu tempo de viver com vontade e empenho.

Da serenidade de Cordato da Silva também se pode chegar a ouvir aquilo que se poderia ter ouvido a meu avô Resendes: «nas minhas rezas, todas as manhãs peço a Deus que me leve, numa boa hora».

Uma boa hora! Bela palavra! Muito significa, digo eu. E talvez também possa dizer que sendo boa a hora não será nem adiantada nem atrasada. Sabe-se lá, sem ser preciso viver em desejo de que se adiante ou se atrase, se e quando e como uma hora boa estará para chegar! À mercê do acontecer é como a pode ir rezando quem a reza serenamente.

Até tenho receio de abordar estas ideias e «porventuras» nas conversas com o Cordato da Silva. Nestes temas é muito mais radical do que podem imaginar quase todos os que o conhecem.

Prefiro ir ao assunto com os amigos Onésimo e Maria João, tanto mais que tem estado por cumprir uma promessa. O prometido é sempre devido?

Acho que se um prometer foi indevido, por qualquer razão… No tempo em que os valores ecológicos não saltavam à vista fizeram-se contratos que hoje se vê que vieram a resultar em crime. É obrigatório cumprir?

Aqui, neste nosso amigo ambiente, o assunto é entre amigos e se cumpro o prometido não é pelo dever, mas pelo desafio, que neste momento vem muito acrescentado «em minúsculas» (cf. os comentários ao último post e a anteriores). Não posso, não devo, não quero atrasar o abraço amigo que hoje mais ainda do que ontem devo aos amigos Onésimo e Maria João, também ao Cordato da Silva, neste dia de que temos que falar, e igualmente - como não? - a todos os amigos desta «roda alargada de amizades» em que veio a dar o «chapeuebengala», quer por «rv» quer por «lv» quer por «vl» quer mesmo por «mm».

Tenho, porém, um problema: isto já está a ficar muito longo. Impõe-se que seja sintético e se algum amigo entender que é preciso ir mais longe estou desde já a pedir-lhe que vá. Ainda que eu não possa abrir muitas das páginas que gostaria de abrir antes de se apagarem as luzes, tenho uma confiança ilimitada em que serão devidamente abertas.

Sinteticamente, venho confessar que dei pela rima de «atraso» com «prazo» de um modo que nunca antes tinha dado. «Prazo prorrogado», «fora de prazo», «atraso de vida». Prorrogar o prazo tem custos, mas, quando é possível e preciso ou conveniente, tem sobretudo benefícios. Aconteceu comigo em 31 de Março de 2009. Só porque o sentimento de perda é dos mais dolorosos que nos podem apanhar, sobretudo em se tratando da vida de «entes queridos», é que até em «fora de prazo» ou em «atraso de vida» sentimos esta necessidade de não acompanhar nem meu avô nem o nosso Cordato da Silva na sua reza por «uma boa hora».

R. V.

2 comentários:

  1. O Cordato da Silva está na Água Retorta à tua espera para te levar a um copo ao pôr-do-sol na Fajã do Calhau.
    Abraço.
    o.

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  2. Se forem à Fajã do Calhau, também quero ir.

    O RV não nos deve nada, mas é sempre boa hora a hora de um abraço. É bem melhor do que a outra E pegando na parte final do que aqui diz, RV, julgo que nem o seu avô, nem o seu/ nosso amigo Cordato levarão a mal que não os acompanhemos, para já, nessa reza.
    Eu confesso que sou mais de abraços.

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