sábado, 27 de outubro de 2012

OS HOMENS SÁBIOS E BONS AO PARTIR…

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Vítor Vladimiro Ferreira,
27 de Junho de 1934 – 22 de Outubro de 2012.

Os Homens sábios e bons e o vazio incontornável que deixam ao partir…
Só dois amigos de Vítor Vladimiro Ferreira por nossos amigos conhecemos, Luísa Ducla Soares e João Reis Ribeiro. Vir aqui para estar com eles neste seu modo de sentir, recordando um serão de há dez anos, em que Vítor Vladimiro Ferreira honrou a Culsete com a sua presença generosa de boa convivência.

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A partida dos homens sábios e bons deixa um vazio diferente que sinto nestas palavras de Luísa Ducla Soares e vou também sentir nas de João Reis Ribeiro:
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Quando nos morre um amigo um pouco de nós morre com ele.A chuva que hoje cai é feita de lágrimas por um amigo morto e o vento não consegue varrer o som da sua voz,o seu riso que tinia como um sino . Porque cada amigo morto fica um pouco viv...
endo dentro de nós, como se fossemos até à eternidade vasos comunicantes. E nem todas as borrachas do mundo o conseguirão apagar.
Adeus, Prof. Vitor Vladimiro Ferreira, adeus, meu amigo Vitor. Esta noite vou sentar-te à minha mesa e falar das tuas investigações, da Biblioteca Nacional, da SPA, da tua Faculdade, das histórias que contavas,do teu filho Miguel, enfim, do passado, porque não tens futuro.Que estranho deve ser não ter futuro !

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«Foram muitos os nossos encontros. Todos tiveram o condimento da amizade. Tive sorte por ter conhecido o Vítor Wladimiro Ferreira, de quem era difícil não se gostar.» http://nestahora.blogspot.pt/
Desculpe, amigo J.R.R., por juntar do seu post três períodos que nele não vêm seguidos. Pareceu-me a melhor maneira de lhe dizer que nos lembramos de que por si é que chegámos junto de Vítor Vladimiro Ferreira. Então. E hoje de novo.

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Quanto a participação de Vítor Vladimiro Ferreira no serão do Dia Mundial do Livro de 2002 foi para nós  enriquecedora e para ele agradável está bem documentado nas fotos e no  autógrafo que transcrevemos do nosso Livro de Honra.

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«2002.04.23
Foi uma felicidade entrar nesta comunidade mais independente e democrática do que os círculos, academias e tertúlias literárias, em verdade, ninhos de sacristas à portuguesa.
Viva a comunidade culsete!
Vítor Vladimiro Ferreira»

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Só transcrevo do blogue para o qual nos remete JRR esta referência a Vítor Vladimiro Ferreira como autor, mas de instrutivo a edificante mais veio ao meu sentir do post de um filho admirador e amigo de seu pai:

Autor

Ao longo dos anos foi deixando obra. De Manuel Teixeira Gomes, trabalhando com Urbano Tavares Rodrigues e Helena Carvalhão Buescu, reeditou, anotando e prefaciando Agosto Azul (1986), Cartas sem Moral Nenhuma (1988), Sabina Freire (1987), Regressos (1991), Miscelânea (1991), Maria Adelaide (1992), dela publicando também uma Epistolografia de Manuel Teixeira Gomes para Afonso Lopes Vieira (1999). De Roque Gameiro, o Álbum de Costumes Portugueses (1987), de Alfredo Mesquita, Lisboa (1987), de Júlio César Machado, Aquele Tempo (1989), Contos ao Luar (1992) e um Júlio César Machado no Oeste (1996) e um Júlio César Machado, estórias e paparocas (2000). De Luís Augusto Palmeirim, a velha e então quase esquecida Galeria de Figuras Portuguesas (1989), de Bulhão Pato, Sob os Ciprestes, 1986, Memórias, 1986 e, de sua autoria, No Monte com Bulhão Pato (2000). De Tomás Ribeiro, o quase inacessível D. Jaime (1990) e de Fialho de Almeida, O Enterro de D. Luís (1998).
Em 1998, nos 50 anos do Centro Nacional de Cultura, coordenou Portugal nas Artes, nas Letras e nas Ideias 45-95, balanço de meio século de vida cultural portuguesa em que colaboraram, entre outros, Guilherme de Oliveira Martins, Rui Mário Gonçalves, António Laginha, Fernando Pinto do Amaral.
Em 2006, saiu a Sociedade Portuguesa de Autores: uma casa de memórias (2006), obra de grande fôlego que lhe exigiu anos de pesquisa, mas que a SPA publicaria sem indicar o nome do autor. Coisas de direitos autorais ! Ultrajado por tão indigna atitude da entidade, deixou-me sentida dedicatória: "muitos e muitos meses de pesquisa e de frustração (...)".
Escreveu dezenas de prefácios, estudos introdutórios, notas e comentários espraiados por obras literárias, ensaios, estudos monográficos, álbuns de fotografia, obras historiográficas, tantos que deles não poderei aqui fazer cotejo.
Deixa, por terminar, a sua obra magna, a história do teatro e dos teatros lisboetas de finais do século XIX.

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«Não insistas propriamente:
nem mesmo no Outono
os dias escuros são os dias todos.
Oferece todavia as devidas resistências
ao esquecimento do  respeito devido
aos teus mestres amigos companheiros de caminho
que antes de ti partiram
em ti deixando a memória viva do vivido e do feito.
Sentirás a gratidão pelas riquezas que te legaram
e nesse sentimento e mesmo tempo
deverás assumir a comprometida responsabilidade
de legar esses legados a quem saiba reconhecer-lhes
a preciosidade que em teu apreço transparece.»
R.V.

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