segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

SEM VOZ NEM ARREIOS PARA CAVALGAR

I

Sublinhar estas passagens:
«O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

(…)

Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.

É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.»
.

(Carta aberta ao Primeiro- Ministro tendo como signatários figuras públicas reconhecíveis a vários títulos, da política às artes e às ciências.

Fonte: o blogue do respeitabilíssimo e muito autorizado amigo Doutor José de Medeiros Ferreira, http://cortex-frontal.blogspot.pt/2012/11/a-carta-que-o-cortex-assinou.html).

 
II

Nos quoque

Não, não continuarei… Para esta cavalaria sentir-me gente? Eu?  Non sum, não, claro que não!

Sei muito bem que nem voz nem arreios me autorizam… Posso, porém, no muito máximo da minha caminhada de peão, vir dizer aquilo que saltou para raiva, depois de ler esta carta e ver quem a assinou. Ao menos sentir-me aqui à vontade, «nesta roda alargada de amizades»… Talvez não seja atrevimento sem perdão…

Não raiva contra as pessoas, evidentemente, mas contra a geral impotência de se fazer a mudança de carris, os fixos carris, antes e acima da discussão sobre o comboio em seu andamento. O descarrilamento é saída, bem má saída dos carris. Dá desastre. E se os carris vão dar a um abismo? Há que mudar! Mudar antes!

Custa-me a crer que pessoas de seriedade indiscutível venham continuando a insistir nestas ondinhas a beijar o areal! Será que acreditam em que desta acção pública resulte mais alguma coisa do que uma pequena achega ao alarido? É uma tomada de posição contra o andamento da governação. Isso é um direito que pode ser assumido como dever e é certamente um válido contributo para sabermos com que apoios pode contar quem possa e queira efectivamente abrir caminho para uma situação melhor, nova, respeitável, libertadora. Mas…

Chega a ser ridículo o muito que dizem as pessoas que as agulhas não mudaram ou atacaram com eficaz autoridade.  Sabem muito bem que, pelo modo de governar apropriado para situações de paz, não se pode querer vencer uma guerra.  Voltar a ditaduras? Nunca! Claro que nunca! Mas há muito quem seja capaz de governar melhor do que quem não consegue fazê-lo nem libertar o aparelho dos seus parasitas, surprindo com outras pessoas devidamente autorizadas o seu não ser capaz.

Todos sabemos que os partidos não têm possibilidade, em seus jogos de poder e falta de autoridade, para endireitar as coisas com a serenidade, competência, firmeza e celeridade que a gravidade da crise está a exigir. Nem é nada fácil, quer por obstruções internas quer externas. Mas é preciso e, portanto, há que tornar possível.

III
Esta parece-me uma visão que pode surgir de um momento para o outro no nosso sentir de povo... Até que, não sei… Se calhar, entre muita gente do povo, já se sentirá…
Com novas eleições nada se iria resolver e durante o período eleitoral a situação entraria em perigosíssimo descontrole. Não há lugar para simplesmente se pedir a queda deste governo e voltarmos a eleições. Isso já se fez com o governo anterior e está a ver-se. Estamos pior. Em situações excepcionais não servem as regras comuns. Então como é que?... E eu é que vou e posso responder?

Regozijei-me com o 25 de Abril e à minha parte de povo não faltei. Mas quem  o fez, propriamente? Então é de um segundo 25 de Abril que precisamos? De modo algum! Não se repetem esses dias. Precisamos é da autoridade, competência, maturidade intelectual, moral e política  de que o país está bem provido, mas que…
Falta liderança.

Para quê esperar que o comboio avance mais, se o alarme se ouve tão claramente?  
Por todo o lado e, com  o seu  não querer o País para o abismo, também nesta carta.
R. V.

2 comentários:

  1. A carta-aberta vinda a publico e assinada por personalidades da politica, militares, academicos, das ciencias, das artes plasticas, etc. e' enderecada ao Primeiro Ministro, mas dirigida ao Presidente da Republica.
    Portugal tem um determinado regime politico codificado na Constituicao. A crise em Portugal nao e' uma crise constitucional mas de governo. Parece evidente que a alternancia partidaria na governacao nao tem funcionado. A possivel solucao parece nao ser politica mas executiva. Sera' que o PR, numa situacao de emergencia exepcional, tera' o poder de nomear, naturalmente sem eleicoes, um Governo de Salvacao Nacional, constituido por personalidades de todos os partidos? Seria uma possibilidade. Senao, o que talvez pudesse parar a corrida para o abismo, poderia ser um governo tecnocrata que conseguisse impor dialogo e compromisso entre todos os partidos e as forcas vivas da nacao. Em todo o Mundo Ocidental que esta' ou em crise economica ou saindo dela muito vagarosamente, cada mez mais parece chegar-se ao consenso de que austeridadee nao resolve a crise, antes pelo contrario, agrava-a. Ha' que desenvolver a economia o que aumentara' nao so a economia como o emprego e o consumo, etc. Toda a gente sabe o que se segue! Novas eleicoes em Portgugal dificilmente resolverao o tremendo problema da falta de lideranca.
    Desculpem estas notas do outro lado do Rio
    Atlantico mas sempre com muito amor por Portugal, proprio de todos os emigrantes que por aqui labutam.
    Manuel, estou contigo.
    Antonio da Silva Cordeiro

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    1. Velho colega e querido amigo António Cordeiro,
      como bem sabes no nosso círculo de amigos tu és o politólogo. Demos por isso com surpresa, a partir das primeiras dúvidas sobre a reeleição de Obama.Uma surpresa muito agradável. E agora, em cima já do 6 de Novembro, foi com orgulho que te lemos no Correio dos Açores e no Portuguese Times. Vires aqui com este comentário às inúteis raivas do meu post é uma agradável, muito agradável surpresa... Honra-me, esta tua atenção.E que te ouçam, com o bom senso e competência crítica que te reconhecemos...
      Um abraço
      MM

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