segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

HELDER MOURA PEREIRA–Prémio de Poesia Luís Miguel Nava

1

Parabéns, Helder!
http://assirioealvim.blogspot.com/
http://nestahora.blogspot.com/
Para ser reconhecido como um dos mais destacados poetas portugueses da actualidade, o nosso poeta setubalense Helder Moura Pereira não precisava de que lhe fosse atribuído este ou outro qualquer prémio. Mas é mais um reconhecimento que dignifica o poeta e o júri. 
E a nós, conterrâneos e amigos?
A nós, orgulha-nos e alegra-nos!

                                                    Fátima e Manuel Medeiros


2

DSCF4182HELDER MOURA PEREIRA
NO DIA MUNDIAL DA POESIA DE 2011 APRESENTANDO EM SETÚBAL SE AS COISAS NÃO FOSSEM O QUE SÃO
Ouviu-se Poesia!
Repito com maiúsculas: OUVIU-SE POESIA!
O que já não seria pouco.
O prazer de ouvir! Para quem trazia dos seus dias silenciosos a leitura de Se as Coisas não Fossem o que São, foi muito prazer. E esse ouvinte-para-quem ficou a pensar que quanto mais e melhor se tiver apreciado um poema em horas de silêncio, tanto maior prazer virá de ouvi-lo, se bem declamado como ontem aconteceu.
E ouvir o Helder, meio a fingir-se meio a revelar-se , a dizer-nos o que esta sessão lhe deu ocasião para nos dizer?
Sobre si. Sobre o seu entendimento com Setúbal. Sobre a pseudo-crítica e a crítica autêntica. A leitura, a devida leitura, a leitura. Sobre trabalho cuidadoso durante três anos a organizar este livro à volta do qual a tarde foi correndo. Sobre os adjectivos, nossos e de outros. Sobre…
http://chapeuebengala.blogspot.com/2011/03/dia-mundial-da-poesia.html

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21 de Março de 2004. A fotografia de Helder Moura Pereira que para aqui nos é tão grato trazer hoje, recorda-nos uma inolvidável tarde do Dia Mundial da Poesia na Culsete.
Inolvidável para nós e cremos que para todos quantos a viveram.

Setúbal novamente a pedir ao nosso poeta, que tanto  honra esta sua cidade, que venha estar connosco e nos leia a sua poesia.
Setúbal precisa de o conhecer, a este seu ilustre filho!
Setúbal tem obrigação de ler a poesia de Helder Moura Pereira!
http://chapeuebengala.blogspot.com/2011/03/pela-poesia-e-pelo-poeta.html

domingo, 29 de janeiro de 2012

CONCORDÂNCIAS

EREMITÉRIO ARRABIDINO
clip_image002«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)


DA ONDA EM HARMONIA

 

entretive-me um pouco urdindo

um suspender a estridência do mundo

para fazer o que aqui sugiro

 

«ame a solidão   suporte

as penas que dela vierem e

se essas penas lhe arrancarem lamentos

que sejam belos esses lamentos»

 

da onda chega em harmonia a proporção

entre silêncio e marulho

 

a luz pintou a obra de arte a partir de um centro

donde parte o olhar agora

descobrindo a relação de espaços

 

reconhecido me trago neste crer

de que basta atenção

para encontrar os meus originais indispensáveis

na pena de urbano eduíno rilke ou talvez tu

 

independentemente do meu assunto

a arte da sua composição

é a que cala mais fundo

e suspende a estridência do mundo

 

R. V.

Setúbal

29Janeiro

2012/l.er. & dasp

sábado, 28 de janeiro de 2012

POR-ACASOS

EREMITÉRIO ARRABIDINO
clip_image00211_thumb_thumb1«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)
ROTEIROS
erguem-se as velas
abre-se o mar
e a quilha embebe
o olor de sal

ó porto que me fitas e me segues
plasma no meu o teu olhar confiante

ó onda buliçosa de aventura
fica-te em mim passando além rochedos

no rítmico ranger dos cabos tensos
repoisa o ouvido atento
ao tropel de singrar

a viagem fez-se
menino em teus braços
e adormeceu
quando tu partiste nela

R. V. (M.P.)
Ponta Delgada
Maio.1960 


P. S. 
Abrir por acaso e ao acaso a bonita brochura. Após tantos anos
tudo mudou e nada mudou.
L. V

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Em 2012 o ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO a 25

1
Já estamos a 25 de Janeiro, 2012 ganhou velocidade de cruzeiro e os acontecimentos levam-nos para as perspectivas de novos acontecimentos. Que perspectivas individuais ou colectivas? Acerca de quê?
Fiquemo-nos por aqui, pelo mundo livreiro, com o impacto que a notícia do encerramento da Livraria Portugal teve junto das «Gentes do Livro». Tem que se lhe diga. E que sensibilizante ler, sobre o caso, o sentir pessoal das irmãs Figueiredo, os dois testemunhos transcritos no blogue do Encontro-Livreiro a partir dos blogues originais, devidamente citados.

2
Já estamos a 25 de Janeiro e na Culsete esse simples número de um dia do mês desperta para uma não adormecida atenção:
daqui a dias já estaremos em 25 de Março.

O «ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO DO ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL» vai cair, este ano, como desde o início deste mês vem sendo lembrado,  no dia 25.

Como é natural, entre alguns participantes dos anos anteriores já se vão estabelecendo diálogos sobre o muito que há para conversar ao longo duma tarde livreira. E ir-se-á
dando conta do que, entretanto…
Ir-se-á dando conta! Porque ISTO NÃO FICA ASSIM!

3
Aqui na Culsete já estamos a cuidar do Moscatel de Setúbal para a recepção a quantos participantes nos quiserem dar a honra de aceitar o nosso CONVITE.


A QUEM SE CONSIDERA COMO FAZENDO PARTE DO GRUPO SOCIAL QUE VIMOS DESIGNANDO POR «GENTES DO LIVRO» E SE DECIDA A PARTICIPAR NO ANUNCIADO «III ENCONTRO LIVREIRO ANUAL EM SETÚBAL», QUEREMOS DESDE JÁ SIGNIFICAR AQUI O NOSSO AGRADECIMENTO PELA HONRA E PELO PRAZER QUE NOS DARÁ AO VIR TOMAR CONNOSCO UM MOSCATEL EM AMBIENTE QUE CERTAMENTE SERÁ, COMO NOS ANOS ANTERIORES, DE CONVÍVIO ENRIQUECEDOR E SIGNIFICATIVO.
Manuel Medeiros

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

«Há notícias que nos doem bem fundo»

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http://encontrolivreiro.blogspot.com/
http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/2012/01/23/livraria-portugal/

- Assim, sem nenhum comentário teu?
- Estou  em descida das Escadinhas do Duque, isto é, abalado… 
Pode ser que um pouco mais tarde…
Até porque este não é apenas mais um dos encerramentos de livrarias, embora também o seja…
Por agora é só para pedir que abram os blogues em legenda a uma foto que passa à História da Cultura Portuguesa.
L.V.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SE(S)…

EREMITÉRIO ARRABIDINO
clip_image00211_thumb«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)
«NOUTRO TEMPO
QUANDO EU EXISTIA»

Um comentário excepcional* convida a um post e a que seja um post de excepção, isto é, ao mesmo nível. Sem que pretenda atingi-lo, a este merecido nível, posso à mesma dar conta do quanto me disse o brincar e não-brincar de Eduíno de Jesus? O seu falar do fazer anos e do que em hoje fica por fazer, sem que seja adiável: «tem mesmo de ficar por fazer, não o posso guardar para amanhã»

Ao fim de fazer anos um a um, como o nosso amigo Eduíno teve a prudência de
ir fazendo os seus bonitos oitentas (devagar se vai ao longe!), ou três a três, como me comprometi a viver os meus quando tinha onze anos (nem dois a dois me contentaram, afinal!), o que nos vai acontecendo?
O que dia a dia vai ficando por fazer,
ao não ser possível guardá-lo para amanhã, dá um viver de não fazer.
Amanhã!...

E recorda-se um tempo em que se fazia o que se fazia e em que se vivia em um mais fazer que se faria por haver amanhã!

O mesmo amigo, amigo comum,  terá sido quem, estou lembrado, aqui há uns tempos deu motivo para uma mensagem que também eu li e de que fixei este modo de fazer referência à vida vivida:
«noutro tempo, quando eu existia».
Pergunto: apenas à vida vivida ou também uma referência ao modo de sentir a vida em hoje?
O «existia» só é dizível em hoje, isto é, quando ainda se existe, por consciência da inexistência de amanhã, de mais um amanhã, um que seja. A existência mais devendo afirmar-se por força de ser projecto do que por ser presente, mesmo que presente ainda em força?
«Quando eu existia»!
Amanhã!?
Isso foi ontem!
«Noves fora»?… 

R. V.
*Cf comentário ao post imediatamente anterior, o de 18.01.2012.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SE…

EREMITÉRIO ARRABIDINO
clip_image002[11]«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)

NOVES FORA UM
              Ao poeta e crítico Eduíno de Jesus -  por hoje e se…

três em três
dá ouro

dois em dois
dá prata

dez em dez
espera

um em um
dá nada

R. V.
Setúbal
18 de Janeiro
2012/l.er. & dasp

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

POR-ACASOS *I

EREMITÉRIO ARRABIDINO«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)


1 – POR HOJE… a leitura

«Escreve.
(…)
Há uma necessidade desnecessária de escrever como a necessidade inútil ou prejudicial de fumar. É um modo de se estar activo pela inútil necessidade disso.
(…)
Porque não faço apenas riscos no papel? Gatafunhos como os de quem assiste a uma reunião que lhe não interessa?*»


Vergílio Ferreira,
(Conta-Corrente 4 – 23 de Julho –1982)



2 – POR ONTEM… a escrita

quem por um abraço

entendesse tudo

também entendia

o porquê de mudo


em silêncio de-

senhas o que sentes

palavras não chegam

se as dizes mentes

e para o olhar

o que a luz reserva

melhor por desenho

a luz o conserva


R. V.


 

 

QUE MUNDO É O SEU?

ver morrer um livro
H. G. Cancela, De Re Rustica, Edições Afrontamento, 2011
http://machadoalbertocarlos.wordpress.com/category/literatura-literatura/h-g-cancela/                http://contramundumcritica.blogspot.com/search?q=rustica

(em causa própria)
passei o verão e o outono a assistir à morte de um livro. demorou mais de sete anos a estar terminado, morreu no espaço de duas estações.

editado, os volume foram distribuídos, sumariamente expostos, e rapidamente devolvidos à editora. da imprensa, nem os quatro parágrafos do espaço editorial dos dois ou três lugares da divulgação e da crítica instituída.

o bom senso e a crença na própria ideia de crítica dizem-nos que, se de forma tão unânime um livro cai no espaço dúbio do infra-criticável, é provável que o mereça. neste caso, duvido convictamente.

é um romance duro, provavelmente difícil, mas de uma espessura pouco comum, tanto em termos de escrita como de narrativa.

morreu antes de ter adquirido existência enquanto coisa pública (e, afinal, é apenas esse o sentido da publicação de um livro). nem sequer é legítima a pretensão ingénua de que o tempo e a história o poderiam reabilitar. raramente os romances são objecto de recuperação história, e mais raramente ainda o são pelos leitores. estará morto, portanto.

* SÓ UMA NOTA:
O Livreiro Velho vem pedir a algum perito no tema que lhe traduza este post no que ele tem de relação com o tempo de vida que as livrarias independentes podem ou não podem permitir a um livro.

Talvez por aqui se fique perto de um dos problemas curiosos com que, no Mundo do Livro, todos se debatem,  sem que ninguém dê um passo para , sequer, o entender, muito menos para que se lhe encontre solução.

«Todos se debatem», de um ou outro modo: do escritor ao leitor.
Se alguém disser que não, antes de mais será preciso perguntar-lhe: que mundo é o seu?
L. V.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O livro agora em questão: SALAZAR E A ESCOLA TÉCNICA de ALBÉRICO AFONSO COSTA,

Na CULSETE, sábado, 16h.       image001

A História que faz parte da vida que muitos de nós ainda vivemos.
PARTICIPE!
L. V.

COM ALBÉRICO AFONSO COSTA no próximo sábado à tarde

Retomando em novo ano as suas atividades de promoção do livro e da leitura, a Livraria Culsete irá apresentar, no próximo sábado 14 de Janeiro de 2012, pelas 16:00 horas, o livro de Albérico Afonso Costa intitulado Salazar e a Escola Técnica – a reforma tolerada num regime intolerante.
A obra, a ser apresentada por Fernando Rosas, que também assina o prefácio, é resultado de uma investigação profunda sobre a génese e evolução do ensino técnico durante o Estado Novo.
Personalidade que durante as últimas décadas se tem afirmado em Setúbal e na região, quer pela via académica, quer através da sua intervenção cívica e política, Albérico Afonso assinou ao longo dos anos inúmeras publicações, maioritariamente no âmbito da história e da pedagogia. Da sua bibliografia mais recente destaque-se o título Setúbal – Roteiros Republicanos, importante contributo para um maior conhecimento da história de Setúbal durante o período da implantação da República, e a organização e coordenação do volume de atas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, realizado em Novembro de 2010, Estudos Locais do Distrito de Setúbal.
O livro agora em questão, Salazar e a Escola Técnica, é um estudo de âmbito nacional, apresentando, segundo Fernando Rosas, “uma nova perspectiva de análise”, pelo que se prevê do maior interesse a sessão do próximo dia 14.
Participe!
F. R. M.

domingo, 8 de janeiro de 2012

CABEÇA OU PÉS: para que lado se dorme melhor?

ERMITÉRIO ARRABIDINO
«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)

Para acomodar as crianças, punham-se a dormir umas para a cabeça e outras para os pés. Eram casos em que não havia outro remédio. 
- E o que acontecia?
- Nada mais compreensível:
Com frequência ou dava para a brincadeira ou para o confronto e lá tinha que vir pai ou mãe, avô ou avó abonançar a noite.
Era assim.

Talvez se possa, daí, vir à conversa sobre quem anda a dormir para o lado de como as coisas se passam ou para o lado de como se pensam.

Por uma outra conversa muito conhecida se pode também chegar à nossa questão:
Os povos são da cor dos seus governantes ou são os governantes que são da cor dos povos? Pergunta que se antes fazia sentido ainda mais sentido faz nos tempos presentes, se calhar, ao ver-se quanto as eleições democráticas se banalizam com a coloração dos partidos em sua ganância de votos a qualquer preço.

Ainda por outra, talvez. Aquela com que tive de responder a umas acreditadas autoridades intelectuais que se queixavam dos livreiros portugueses:
Os livreiros portugueses não estão ao nível de leitura dos portugueses ou são os portugueses, particularmente os que usam títulos de instruídos, que não têm mais e melhores livreiros porque não os merecem?

Quanto a esta outra, como me diz respeito e muito me diz, sem rodeios jogo a conversa para quem ma quiser contestar.
As pessoas «instruídas» deste país que de viva voz e muito por escrito lançaram o seu desdém sobre os livreiros portugueses, quando perante mim com esse desdém vieram, não só não me mereceram respeito como as ataquei de frente. Porque se olhassem para o seu mundinho de «pessoas instruídas» iriam ver como aí a percentagem de incompetentes e ignorantes…
O nosso problema merece muito mais cuidado e bom senso.

Também fui maltratado pessoalmente por duas ou três vezes por uns desses ditos, mas por regra até fui considerado pela positiva como uma das excepções. E portanto não é para o lado pessoal que lanço a minha carta.
-Então para qual?
- É tão aborrecido fugir como não fugir á pergunta, portanto… 
Em fim de carreira, olho para as décadas do nosso trabalho livreiro na cidade e região de Setúbal e agradeço o respeito que de muitos lados e modos nos têm chegado. Comunicação social inclusive. Mas…

É que a cidade e região se quisessem dar por si num saber tirar proveito das oportunidades oferecidas, a quanto mais e até com menos esforço se teria chegado?...
Há muito que digo o mesmo: Setúbal, quando quiser…

Estava a trabalhar em Setúbal para aí há uns seis meses, ainda sem ter vindo para cá residir, quando fui pela primeira vez ao Luísa Todi ver um filme.
- Que filme é – houve quem me perguntasse?
- Sei lá! Preciso de desaborrecer…
Era quarta-feira, dia da cidade encher a casa em cada semana. A miséria de filme que foi! E toda a cidade ali a ver, em alto estilo de pavões à espera do intervalo para exibirem penachos. Fiquei de cabeça a andar à roda:
«Onde é que eu estou?».

No dia seguinte fui à Casa dos Pescadores pedir dados sobre os pescadores inscritos e no activo e a seguir fiz outras demandas de informação a ver se finalmente me entendia com uma cidade que, de longe, antes de para cá vir fazer um trabalho livreiro, vendia bem a fama de muito progressista, mas que, na realidade, me estava a parecer que…

-E hoje?
- Não há comparação! Passaram-se mais de quarenta anos e muito a História já conta. Avançou-se. Incalculavelmente.

Mas, mas…
Embora com alguma injustiça em certos casos e aspectos, ouvem-se, continuam a ouvir-se, as críticas de que «isto, culturalmente…». 
Com razão. É inegável.

«Mas, mas…», digo eu outra vez.
Por exemplo a comunicação social setubalense. Críticas justas? Ou será que está bem e certa para o seu público?
«O seu público»!
Não digo que é toda a cidade. Há nesta nossa cidade, por exemplo e no caso do ramo em que trabalho e portanto melhor conheço, muita gente com um grau de leitura invejável.
-E o outro aspecto?
- Pois! Esse aspecto tão decisivo!…
Sim, não há que o calar.

Muita e muita gente que reside em Setúbal não é público setubalense. Nem para o que não tem nível, nem para o que o tem. Vive cá, mas não de cá, no sentido em que faz gala num pacóvio «lá fora é que é bom», isto é, só lê jornais de fora, só compra livros fora, só forra as camurças nos…
- Não é provincianismo, pois não?
- Talvez não.
- Um certo modo de ser cosmopolita?
- Será?
Enfim!…

É verdade que é difícil satisfazer como se gostaria e até talvez se tivesse conseguido muito mais se o apoio do público… Mas acho uma piada! E são casos e casos seguidos…
Por exemplo aquele caso cuja expressividade o tornou inesquecível. Eu conto!
A moça, já universitária, dirige-se a mim e começa muito cuidadosa e pausadamente a dar o título do livro e enquanto me dirigia para a estante ainda a ouvi recitar autor e editora.
«Competente a pedir um livro», pensei! Mas o melhor foi chegar ao pé da jovem estudante com o livro na mão e ela, que se apercebera de que me bastara o título, a receber-me de volta com um suspiro e este comentário: «e ainda por cima sabe o que é!». Não pude deixar de sorrir e sorrindo pedi que me dissesse o que queria dizer o seu suspiro.
Singelamente me informou de que já vinha em desespero por não ter encontrado o livro em sucessivas diligências por Lisboa e Setúbal.

É constante: « corri tudo, mas já sei que só aqui». Seria de perguntar se a pessoa se apercebe de que… Mas brinco e digo:
«Pois!, não gosta de mim, acho bem…».
-Como é isso? Não vê que estão a fazer-vos um elogio?
-Vejo, vejo! E gosto dele, claro. Não é, porém, ao que pretendo que cheguemos com esta conversa: que somos bons e que…
Não venho por queixas. Agora? Até porque… 
Boa livraria? Sei muito bem o que seria uma boa livraria.
Um sonho alimentado, sempre à espera de ser um sonho realizado.

- ?
- É que, virando do avesso o elogio, fica-se sem saber se é preferível dormir para os pés ou para a cabeça.
- Porque…?
- É difícil dar créditos à afirmação de que os agentes culturais têm o dever de puxar para cima um público que não é exigente nem se preocupa com isso nem se apercebe do apoio que deve às boas iniciativas.
Ir ao encontro do público que há ou do público que devia haver? É que a sobrevivência tem de ser assegurada e é preciso muito tempo e muita acção para se alcançar um nível cultural satisfatório.

–Então acha mal que se critiquem esses agentes culturais.
Também não é isso. 
Muito importante e indispensável é que apareçam vozes exigentes.
Exigir!
É o que penso e digo e sempre tentei fazer. Mas com cada um exigindo de si é que se vai fazendo com que tudo isto melhore. Por mais que se faça, sem isso o avanço é à caracol. 
L. V.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A ARTE E A SENSIBILIDADE QUE PASSA POR CÁ

Nobre é a cidade que conhece os seus ilustres, os honra e deles se honra”, afirmou o Livreiro Velho num post recente. Quantas vezes, porém, isso não acontece! Estou a pensar em todos os amigos da Culsete, setubalenses e não só, que têm sabido afirmar o seu lugar muito para lá das fronteiras da cidade e a quem esta parece ignorar ou dar pouca atenção. Sobretudo aqueles que cresceram junto destas estantes apinhadas de livros ou à sua sombra foram somando à leitura outros interesses. O seu sucesso diz-nos muito. Por isso gostamos de o partilhar. São dois os nomes de que desejo agora falar: Diogo e Cristina.

O Diogo de Oliveira Faria habituou-se desde muito pequeno a entrar na livraria como quem visita um parente. Filho, neto e etc. de Setúbal (o seu avô Pedro foi o meu dentista desde sempre até ao último dia, meu e de meia cidade), cedo começou a mostrar-se como ginasta de excelência. Primeiro foi por aqui mesmo, mas rapidamente conquistou a Europa e o mundo, tendo arrancado a muitos trampolins o tão cobiçado ouro. Hoje arrebata as plateias das cidades por onde passa o Cirque du Soleil. Começou como acrobata para em seguida vestir a pele de uma das principais personagens de Alegria.
Mal descobriram que no elenco deste famoso espetáculo havia um português, os media nacionais procuraram entrevistar o Diogo. Houve até quem fosse ao seu encontro noutros países ou viesse a Setúbal descobri-lo no ninho familiar. Nada mais justo. O que não consegui ainda foi ler uma entrevista ou uma simples notícia sobre ele na imprensa setubalense. Distração minha, certamente. Claro que por cá todos estamos felizes por ele e a juntar os cêntimos para ir vê-lo, se não desta vez pelo menos para a próxima vinda.

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Pai Nosso, por Cristina Mestre
 

Ando tão distraída que também não consegui ainda ler na imprensa local nenhuma notícia sobre o prémio recentemente atribuído a Cristina Mestre. Discretíssima, como que escondendo a sua sensibilidade artística, deixa que os seus olhos descubram o momento, o acontecimento, o sopro de vida, de beleza, de efemeridade para os fotografar. Perseguindo esses instantes, vai ao seu encontro em qualquer dia, a qualquer hora, de máquina em punho, procurando o melhor ângulo, a melhor atmosfera. São inúmeras as suas participações em eventos fotográficos, diversos os tipos e temas das suas fotos. Assumindo-se sempre como amadora, tem captado com a sua objetiva muitos momentos especiais da cidade de Setúbal. 
A sua página na net http://www.cristinamestre-fotografia.com/ deixa ver uma Cristina interessada não só pela fotografia. A sua amizade em relação à Culsete revela-se nas suas visitas frequentes, na divulgação das nossas atividades no seu blogue, nas fotos que já tirou do Livreiro Velho. Por ser uma amiga muito cá de casa, ainda mais nos alegra o prémio Metro Photo Challenge que lhe foi concedido. A foto premiada aqui fica, revelando muito da sua sensibilidade artística.

E já agora um 2012 vivido em arte, com livros, exposições, espetáculos e tudo aquilo a que temos direito.
F.R.M.

domingo, 1 de janeiro de 2012

DESORDENS & ABUSOS em 16



 

PASSAGEM DO ANO 
a aflição de volta só ao amanhecer
chamou-a tratou de lhe dar banho e perfumá-la
«hum! que cheirosa»
vestiu-a meteu-a na cama
adormeceu imediatamente
bonita tão bonita assim adormecida
V. L.