terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

«A PAISAGEM QUE OS NOSSOS OLHOS CONTEMPLAM»

«Portugal precisa menos de um choque tecnológico (…) e mais de um choque cultural» (Miguel Real, Nova Teoria do Mal, págs. 20-21).

Sem a música, talvez, mas com os comentários, talvez…
http://chapeuebengala.blogspot.com/2012/02/o-poder-indeterminado-dos-livros-e.html
Enquanto vou discutindo comigo a leitura do livro, volto à «Apresentação» e à Arrábida, somente para perguntar:
por aí, desse lado de lá deste blogue, alguém já leu o livro e... podemos trocar umas ideias sobre as ideias que nele se acumulam?
L. V.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

288 páginas numeradas e mais 48 no fim, só com preciosa iconografia, contam muito de Setúbal até ao 28 de Maio


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Este livreiro velho está tão velho que…!
O que lhe custou, ontem à tarde, dominar o desejo de estar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal!…
Foi ontem, a sessão de apresentação do livro História e Cronologia de Setúbal 1248 – 1926, da autoria de Albérico Afonso Costa, coedição da responsabilidade da Estuário, editora de José Teófilo Duarte, e do IPS-ESE.
Começando pela minha pena de não participar nesta sessão, não posso deixar de entender, num a seguir, a pouca sorte de quem não se apercebeu de tão significativo acontecimento. Histórico para Setúbal, este acontecimento! Nem menos! E a quem me disser que estou exagerando vou pedir licença para contar algumas das dificuldades de um querer sentir-me em Setúbal como quem aqui vive e não apenas cá está alojado.
Esta velha situação da «Setúbal, cidade secreta» que aqui vim encontrar (Cf. Papel a Mais, pág. 303), é uma desgraça para a cidade, mas também uma enorme desgraça para quem se radicou em Setúbal e nunca se dispôs a «viver» nesta cidade. Bem pior, se nem o sente…

Em quarenta anos de histórias, muitas histórias…
1
Estava ainda em construção o prédio, mas já a loja do lado direito estava apalavrada para a livraria que sempre foi, antes a Culdex e depois a Culsete…
Na primeira vez que vim cá para ver o espaço de uma livraria que teria de organizar e dirigir perguntei o que significava a data de 22 de Dezembro já que estava na Avenida 22 de Dezembro. Alguém sabia?
Procurei, algum tempo depois, a placa que há ao fim da artéria e tive sorte: em 22 de Dezembro de 1926  foi elevada a capital de distrito a cidade de Setúbal.
Posso abrir um parentesis? Para dizer que Dezembro de 1926 já não é data registada nesta cronologia. Foi decidido que não ultrapassasse o 28 de Maio. Daí para a frente? Em breve? Para dizer que o desejamos, pedimos e esperamos… 
2
Já depois de residir cá para baixo é que Bulhão Pato no seu Sob os Ciprestes me disse que batalha tinha sido aquela que deu para Rua Batalha do Viso. Quando morava na Roboreda, todos os dias tinha a tabuleta diante dos olhos, mas aí…
Em Bulhão Pato, muito sucinta, a notícia. Só recentemente é que por obséquio de António Cunha Bento e seus meritórios empenhos e dedicação a tudo o que à cidade bibliograficamente diga respeito, é que pude ler Almeida Carvalho, testemunha ocular da batalha referida por Albérico Afonso Costa na pág. 118: «1847 - 9 de Abril (...) 15 de Junho».
3
O Convento de Brancanes e…
Esta é uma história de que, à excepção da obra Literatos Açorianos de Urbano Mendonça Dias, as histórias da literatura pouco dizem. Não me vou pôr a adivinhar, mas quem pergunta não ofende:
Será que o célebre tio de Almeida Garrett também foi mestre do pré-romântico Manuel Maria Barbosa du Bocage?
Era muito novo, o Frei Alexandre, quando veio ensinar para Setúbal. E apesar de ter sido sagrado bispo muito antes, continuou por cá até velho, quando foi para bispo de Angra e foi mestre do seu jovem sobrinho. 
 
Concluindo, fico-me por estas três histórias.
Vou esquecer-me das outras, tantas e mais que tantas?
A memória tem dessas coisas…
E com a idade, já se sabe… 

«1761, 11 de Junho Frei Alexandre da Sagrada Família entra (…)» (pág. 79). 
Não sabia. Aqui está mais um pormenor que não sabia. Aprendi agora. Tudo o que diga respeito a esta eminente personagem açoriana e setubalense, muito me interessa. Obrigado por isso e pelo muito mais, Albérico Afonso Costa.
Obrigado por este livro indispensável a todos os cidadãos de Setúbal que se respeitam a si próprios como nossos concidadãos.

Agora mesmo voltei a ler, no prefácio:
«Esta cronologia não se destina unicamente aos estudantes e professores (…). Ela é produzida a pensar também nos setubalenses que tão pouco sabem do passado distante, e mesmo próximo, deste espaço em que habitam».

Para o velho livreiro é um enorme prazer ver entrar na livraria, à procura deste livro, as pessoas que se prezam de querer saber mais da nossa cidade.
Honra lhes seja!
L. V.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

QUE ACHAS? PODES DIZER-NOS O QUE ACHAS? Trazer-nos opiniões, sugestões, propostas, adesões e tudo o que se possa dizer que… ACHAS?

«Venham daí e tragam outros amigos também!»

http://encontrolivreiro.blogspot.com/
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«ACHAS PARA UMA FOGUEIRA
QUE ILUMINE E AQUEÇA»
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«Venham daí e tragam outros amigos também!»

À ESPERA http://encontrolivreiro.blogspot.com/search?updated-min=2010-01-01T00:00:00Z&updated-max=2011-01-01T00:00:00Z&max-results=44

image   28. Março. 2010
RENOVANDO AQUI E AGORA
O  MESMO CONVITE DE ENTÃO


          * *

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O II Encontro Livreiro levou à Culsete, em Setúbal, mais de quatro dezenas de pessoas.  (…)
E depois houve Moscatel, ou não estivéssemos em Setúbal.

Sara Figueiredo Costa
Cadeirão Voltaire


No nosso I Encontro Livreiro começámos por inventariar problemas.
Texto lido na abertura do II Encontro Livreiro
http://encontrolivreiro.blogspot.com/2011_03_01_archive.html


***
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QUE ACHAS?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

DESORDENS & ABUSOS

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O IGNORANTE 

E

AS VÍRGULAS

NUM

TANTO FAZ 
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a um ignorante dá-lhe para esbanjar vírgulas,

uma loucura evidente,
as vírgulas devem ser usadas com respeito,
vê-se tanto quem não saiba usar as suas vírgulas,
só quem sabe é que sabe,
quem não sabe devia aprender,
depois seria então uma boa escrita,
mas só quem sabe é que aprende,
um dia ouviu-se um sábio a dizer «se não sabe porque é que pergunta?,
como é que se sabe se não é aprendendo?,  
isto é,
só se consegue aprender quando já se sabe,
na mesma,
porém,
é preciso aprender para saber usar as vírgulas,
o escritor ainda poderá ser anterior a si mesmo,
mas verdadeiramente anterior a si mesmo ninguém pode ser,
só que é necessário para se aprender alguma coisa,
o ignorante tem de aceitar isso,
sendo que é inaceitável,
não está bem,
tu lhe dizes que não vá por aí,
por onde irá?,
pergunto eu,
a resposta chega e diz que pela contradição,
pelo acaso,
pela beira da maré,
como os caranguejos,
os caranguejos é que aprenderam uma arte em que tanto faz,
andar para a frente é igual a andar para trás,
cuidado caranguejo,
fica-te à beira,
calhaus e o mar,
não entres nem te atrevas a sair,  
anda pela beira-mar,
para trás,
para a frente,
e tu ignorante,
como caranguejo,
para trás,
para a frente,
vai em aprender,
sem nunca saber,
pela parte das vírgulas,
atento ao que lês
L. V.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos-25 anos ZECA AFONSO: 1987 - 2012, 23 de FEVEREIRO



ENTÃO,

NÃO FALTOU… 
 
HOJE,
FAZ-NOS FALTA…

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Estou falando em honradez
Que não é conceito novo
Só é um bom português
Quem vive ao lado do povo

Quando uma lancha se afunda
Nunca a culpa é do patrão
É sempre de quem se amola
Lá no fundo do porão

Esta terra será nossa
Quando houver revolução

(José Afonso, Textos e Canções, «Quadras Populares»,
Relógio d’Água, 2000, pág.s 326 e 332)


Fotobiografias do Século XX - José Afonso 
«O que faz falta é
avisar a malta

animar a malta

empurrar a malta

agitar a malta

libertar a malta

dar poder à malta
O que faz falta

O que faz falta

O que faz falta»

Zeca Afonso e a Malta das Cantigas >, José Jorge Letria  (Terramar, 2002)





















Se um amigo ou conhecido me perguntar
porque aqui tinha hoje de aparecer com este post, talvez lhe deva responder perguntando:
Como seria possível deixar de lembrar hoje o que foi para todos nós há vinte e cinco anos um tão grande sentimento de perda?
Em 1970 José Afonso era em Setúbal uma referência cultural tanto como uma referência viva a testemunhar a perseguição do regime a quem contra o regime se rebelasse. E assim como foi inevitável encontrar a sua actividade no Círculo Cultural de Setúbal, natural foi que os seus interesses o trouxessem ao contacto de quem passou a encontrar na Galeria de Exposição e Divulgação Cultural – CULDEX, antecessora da posterior Livraria Culsete.
Depois veio Abril e Zeca Afonso fez História, crente como não podia deixar de ser, num novo Portugal.
Com os anos, a desilusão veio, mas não a desistência. Por isso, muito por isso, a verdade dos seus cantos, poemas e canções, deverá voltar em som que alto se ouça:
«Este chulismo de quintarola
Esta viagem p’rá CÊÉÉ
E o populacho todo pachola
Olarilolé

Muitos mais chulos nos vão rondando
Vai sendo tempo qu’rido zarolho
Pega no arrocho de quando em quando
Prepara o molho»

(Ibidem, Textos, pág. 142).

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José Afonso - Os Vampiros (ao vivo no Coliseu)
(com um agradecimento a José Eduardo Rebelo –Youtube)
Quis voltar a ouvir Zeca Afonso, no seu último concerto, em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu: 
«onde é que estão as novas gerações?» –perguntou.


Nos últimos quarenta anos, nunca, nem antes nem depois desse Fevereiro de 1987, Setúbal assistiu, em meu ver, a uma manifestação de pesar e homenagem como o do funeral de Zeca Afonso. Pessoas de Setúbal, de Portugal inteiro, também de além fronteiras.
Há 25 anos…
Parece que foi ontem…
L. V.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

«O PODER INDETERMINADO DOS LIVROS É INCALCULÁVEL» (Steiner) - I



UMA SINTRA PRESERVADA
UMA ARRÁBIDA VIOLADA
E UMA REVOLTA EREMÍTICA

-Nem sempre! Não o será em todos os casos.
-Não sei, mas não me custa conceder.
O que não posso é apagar, assim sem mais, esta afirmação:
«o eremita é um revoltado».

Nem sempre?
Aqui não é preciso que seja sempre. Basta-me, até e apenas, que possa afirmá-lo do recente eremita de Sintra, Miguel Real.
Eremita confesso e professo!
É por causa deste livro que Fevereiro, este Fevereiro de 2012, me pôs nas mãos: Nova Teoria do Mal.

Ponto final da «Apresentação», com sublinhados que faço eu:
«Tão grande é a revolta pelo estado ético de Portugal que, após a escrita deste livro, decidi – para poder escrever e ser feliz – não me preocupar mais com tudo o que acontece no seu interior: a minha Pátria é Sintra, e nada mais, o verde da serra, o azul do mar, o castanho e branco das terras e a doçura das suas gentes. Se no céu há um paraíso, na terra há Sintra. Do resto, território da malícia, dominado por um Estado maquiavélico, nada me interessa».

Profissão de eremita mais clara e conforme?
Igual, muito igual, a de muitos dos nossos grandes eremitas.
Mutatis mutandis, naturalmente!
-Um exemplo?
-Frei Agostinho da Cruz, poeta da nossa Serra da Arrábida!

Quero muito deter-me numa abordagem de Nova Teoria do Mal e também no afrontamento da minha dificuldade em aprender as lições conversas, diversas e inversas dos eremitas. Tomando cuidado em não seguir exemplos sem pensar duas vezes.
Para a hipótese de uma minha decisão como esta de Miguel Real, reconheço-me em desvantagem.
-Porquê?
-Pois! Porquê!… Um arrepiante infelizmente!...
Apaziguar a minha revolta? Na nossa «Serra-Mãe», a Serra-Deusa de Setúbal?
Tão impossível!
Quanto ela, a minha pobre revolta, ecoaria em brado por encostas, vales e gargantas,
em brado de tão crescente quão inútil desespero!

Sintra preservada, mas Arrábida violada pela «nova teoria do mal»…
Tão escandalosamente à vista!…
L. V.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

DESORDENS & ABUSOS




«TREMOR DE MIOLOS»
Com dedicatória para Eduíno de Jesus e Olegário Paz
bem como para os amigos comuns a quem deste livro falaram
aqui se cosem em manhã luminosa de Carnaval
uns apontamentos da leitura de
SONATA PARA UM VIAJANTE de Dimas Simas Lopes…

Isso querias tu!
Oh! uma farra destas,
«ao lado do velho Ojeda contente de
ver todos contentes»!
«Ojeda velho sem idade 
a pastar mulheres
os amigos velhotes a comer com os olhos as
pequenas rechonchudas
os corpos quentes sempre a mexer
uns rebuçados os corpinhos todos em coiro»!...

Isso querias tu,
«um recanto de paraíso perdido o
derradeiro reduto de seres livre»!...

E muito querias tu,
«livre de negócios
viajar e pensar»!…

«No mundo ninguém se perde
o mundo é redondo
dá-se a volta e vens ter ao mesmo lugar
a gente só se perde
nas curvas do entendimento»!...

«É difícil entender o mundo
muitos fugiram
há de tudo nesta gente».

«Abel,
faz as malas e não foge do mar».

«Farto de um mundo de comércio
não foge do mar que invade a rocha».
«Em calhaus no meio do mar vive gente.
Das mães destas rochas
sempre nascem filhos poetas e artistas».

«É muito cedo 
para entender sistemas imprevisíveis
da teoria do caos».
«Agora 
é viajar ao encontro
do sonho dos loucos da ciência e
da palavra dos poetas
dos artistas da outra medida do tempo».

…e com um pedido de perdão ao autor por, em dia de se vestirem fantasias, a esta fantasia me atrever…
L. V./V. L.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

POR-ACASOS: «ninguém daria pela minha falta»

RÓMULO DE CARVALHO/ANTÓNIO GEDEÃO

19.
FEVEREIRO
Assis Pacheco, Fernando Aires, Rómulo de Carvalho…
Redactor de um necrológio na Blogosfera?
Parece que sim. Mas talvez não.
Por acaso ou talvez não, ao que a memória me foi hoje mais fiel foi ao aniversário de nascimento de quem nasceu a um 19 de Fevereiro e me morreu a um 19 de Março de muitos anos depois e depois de numa  última carta me ter dito que, dos dois, eu morreria primeiro porque não tinha o devido cuidado com a minha saúde…

A memória fiel, portanto, à data de um nascimento e não de um falecimento…
Só que, no avançar das horas deste dia de folguedos, cai-me da blogosfera e prende-me o olhar uma palavra assim!!!
Esta:
«Se não tivesse nascido, ninguém daria pela minha falta».
http://www.casaldasletras.com/maria_Registos.html

De modo algum esperava para hoje uma lição tão radical sobre a insignificância.
E agora?
De modo algum
passar como quem não viu.
E…?
Avançar para essa deriva de reflexão?
Por me sentir ferido, sim.
Por ser de esperar por outro momento do sentir em que a lição de vida sintetize as contradições, não.
Também porque uma pessoa dá por si em interrogação:
«Mais palavras? Sob esta chamada de atenção tão forte para a Lição da Inutilidade?».

Não vou, todavia, resistir a uma citação:
«Rómulo de Carvalho/António Gedeão é uma das mais luminosas personalidades do século XX português e as comemorações do centenário do seu nascimento bem o manifestaram.
”Ao  promover esta sessão com Nuno Crato, um dos discípulos que muito honram o Mestre, a Culsete teve a intenção de dar o seu modesto contributo para a participação de Setúbal no testemunho da gratidão e respeito que o país deve ao eminente cientista, poeta e professor que foi Rómulo de Carvalho/António Gedeão e firmar o compromisso que sempre assumiu de divulgar a sua obra”»
(Papel a M ais, pág. 239).

Fica aqui, pois, apenas uma citação.  Comigo fica, entretanto, o desejo de voltar com um Rómulo de Carvalho/António Gedeão que muito me tem dado que pensar com o seu entendimento do que somos e muito a partir do primeiro poema do seu primeiro livro de poesia, o Movimento Perpétuo:

HOMEM
Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras, nem cinzéis, nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.

E…, se voltar, alguém havia de estar por perto a impor-me que partisse deste verso tão definitivo: «desde mais infinito a menos infinito».
L. V.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

«COM MUITA EMOÇÃO»

Cartaz Avô  
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/faires.htm

Amanhã, 18 de Fevereiro, 
era para ou telefonar à Linda ou enviar mensagem electrónica à Maria João. Amanhã, porque senti que seria o dia certo para enviar um adiado agradecimento  pela oferta do livro  e pelas dedicatórias inevitavelmente comovedoras.
A da mãe primeiro e depois a da filha. Da dedicatória de cada uma, uma palavra :

«Que saudades dos anos sessenta (…). Então éramos jovens e felizes».

«É com muita emoção que lhe envio este livro de homenagem a meu Pai (…). Queria tanto que ele visse este livro!»

Recebi entretanto por correio electrónico de Onésimo Teotónio Almeida o cartaz do ICPD que acima se vê ao lado da reprodução da capa do livro Fernando Aires – Era uma vez o seu tempo.
Isto foi ontem, dia 16, quando vinha em trazer aqui para este meu «chapeuebengala» a diacrónica da revista Ler que o conhecido cronista açoriano dedicou a Assis Pacheco. Hoje, em fim de dia e bom silêncio, como homenagem da minha saudade de tantos
«18-de-Fevereiro» em que sempre ia de cá uma palavra de amiga lembrança  em parabéns de aniversário,  abri, sensivelmente a meio, o referido livro de «Homenagem de amigos e admiradores» para ler a parte que traz por título «As saudades do clã» e que termina com este dizer: «nunca te vou esquecer.» 

Esta leitura!… Que momento de sentido respeito com amizade e admiração!… E o que me vai ficar por mensagem e abraço à Linda e seus filhos e seus netos neste segundo aniversário de ausência e saudade, é uma pequena recolha dos seus textos. Esta que a seguir poderá ler quem visita este meu blogue, em especial quem se lembrar de que Fernando Aires não vem aqui pela primeira vez.
Por exemplo: 
http://chapeuebengala.blogspot.com/2011/11/ilha-de-nunca-mais.html

De «AS SAUDADES DO CLû

Partiste num silêncio recolhido,
Sem um queixume, um ai ou um lamento,
E assim foi maior o meu tormento
Pois não pude sequer falar contigo.

Reconheço que Deus foi teu amigo,
Poupando-te a um longo sofrimento;
Não merecias sofrer por muito tempo.
Tomara eu nesse instante ter partido.
Idalinda Ruivo (esposa)

Isso é o maior legado que nos deixaste: A força do Amor.
(…)
O grande legado literário e humano que nos deixaste mostra bem os teus contrastes, a tua luta interior, as tuas inquietações e insatisfações.
Isabel Sousa (filha)

Recordo a sua biblioteca, não como uma exposição de encadernações douradas, mas como um conjunto de obras lidas e relidas.
Recordo as conversas prolongadas entre os meus pais acerca de leituras que faziam, envolvendo-nos, também a nós, nesses temas.
Fernando Sousa (filho)

Partiu do teu eterno amigo Onésimo a ideia de fazer este livro em tua homenagem (…). É pouco para te narrar, mas também não seria  fácil de fazê-lo. (…) Eu nem sei o que dizer. Sinto tanto e digo tão pouco!
Maria João Ruivo Sousa (filha)

Falava-me do que era ser um homem digno e de bons valores. Falava-me de sensatez e responsabilidades e insistia nestes assuntos uma e outra vez.
Vasco Cabral (neto)

Com ele aprendi muito sobre a História do mundo que ele tão bem conhecia, sobre os grandes filósofos, as grandes guerras, expedições e descobertas, enfim, mas o maior legado foram os valores que ele nos deixou e que não se cansava de repetir.
Eurico Cabral (neto)

Finalmente, entendo o entusiasmo com que falavas das tuas experiências em Coimbra e a tua ambição de beber o mundo.
Eunice Franco (neta)

O meu avô ensinou-me a agarrar as coisas com unhas e dentes, tal como ele fez, porque era apaixonado pela vida.
Afonso Franco (neto)

Pela primeira vez, sei que posso e devo usar a palavra Nunca.
Nunca te vou esquecer.
Inês Sousa (neta)


Posso agora acabar este comovido serão de memória do escritor e do amigo Fernando Aires. Prolonguei-o, afinal, de ontem até hoje.
Aqui já a meia noite passou há dez minutos. No teu dia 18, se te telefonasse, compadre, seria para o abraço dos teus oitenta e quatro anos.
MPM-RV

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

«ZARPAR» AO SAIR DA LIVRARIA

Os 75 anos de Assis Pacheco
A 1 de fevereiro de 1937 nascia em Coimbra um dos maiores «craques» portugueses, desaparecido cedo demais. Dedicamos este número aos seus «trabalhos e paixões» com um bónus: dois contos inéditos.
http://ler.blogs.sapo.pt/


Que últimos livros
prenderam
a atenção
de Assis Pacheco
na última vez
que entrou
numa livraria?


Só por estes dias, quando a maioria dos habituais leitores da revista Ler já o terão fechado, é que um livreiro que se preze vai abrindo o número do corrente mês. A respeitar o ritmo da distribuição às livrarias. Não lhe faltou que «ler», no entretanto e neste reinício de ano editorial.

Especial atenção deste número para a memória de Fernando Assis Pacheco. Devia, sim, ter vivido mais, mas bastou-lhe chegar aos 58 anos para muito marcar o meio jornalístico e literário. Cultivava com uma naturalidade incomum a boa camaradagem e a simpatia. Desde muito novo vivia em grande intimidade com o que se escrevia e publicava e com muitos dos nomes mais conhecidos e reconhecidos da nossa literatura da sua contemporaneidade. Coimbra em anos cinquenta e um jovem na sua cidade: Torga e Afonso Duarte e Joaquim Namorado e…

No dia 1 deste mês de Fevereiro e deste ano de 2012 cumpriria 75 anos. E ao cumpri-los que nos diria, se naquele dia 30 de Novembro de 1995 não se tivesse despedido dos jornais e dos livros ao sair da Livraria Buchholz? Se continuasse em camaradagem com quem lhe veio agora prestar homenagem, na Ler e não só?

«Não exagero ao afirmar que podíamos ter ficado pelas crónicas desta edição da LER e Fernando Assis Pacheco (1937-1995) já teria ganhado o jogo - de goleada», escreve João Pombeiro no Editorial.
Tirei o «zarpar» da crónica de Onésimo Teotónio Almeida, que li com especial atenção, por ser para mim fácil ler nesta uma-página mais do que nela cabe.

«Zarpar» serviu muito bem aqui para sublinhar este meu sentimento, de 1995 e de até hoje, quando digo ou ouço dizer ou leio: «morreu à porta de uma livraria». O último sítio onde os seus muitos amigos o teriam encontrado se naquele dia e hora também tivessem lá estado. O último… Mas quem ia adivinhar «que já tinha as horas solares que lhe cabiam»?
L. V.

POR-ACASOS

 

EREMITÉRIO ARRABIDINO

clip_image002«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)


Vergílio Ferreira,
Conta-corrente – nova série – II, 19 – Julho (quinta)
«Que verdade é essa antes de a haver?
Porque não é nada,
excepto essa espécie de magma
donde há-de brotar o mundo,
essa anterioridade de tudo,
o começo do começo para a verdade começar.
Que significa aí toda a vasta e complexa rede
do que se pensa e comunica?
Descer até lá
para enfim saber que não há saber nenhum,
na pura dissolução
de todo o primórdio de haver ser.
Porque o ser não é um limite,
excepto se esse é o nome do que o não é.
(…) 
O ser começa ainda no não ser,
não como referência dele
mas apenas como inexistência pura
sem referência alguma que lhe dê
assim
um estatuto de ser.
O indeterminado de nós.
(…)
Descer aí. E evocar desde aí
o que desde aí é o vazio e incrível e absurdo e irrisório esboço
de qualquer ideia
com que se pense o Mundo e a vida
na sua realidade de se pensar a vida e o Mundo. E
purificar-me aí
para ser sociável e convivente e um filamento da rede
em que tudo existe e se organiza.»


P. S.
1
As mudanças de linha devem-se ao modo como para mim fui relendo o texto de Vergílio Ferreira. Texto corrido, sem um único parágrafo.
2
Procurei esta página?
Não.
Ando à procura é de uma outra acerca do sentido da vida que quando a li me tirou uma incontrolável gargalhada e me deu título para um poema.
Foi há quantos anos?
Em que ano foi?
Não sei. Mas sei que foi já à luz do candeeiro da mesa de cabeceira e num 18 de Julho.
3
Por isso vim parar aqui, a um 19 de Julho?
Poi foi!
De certeza?
Ou foi porque reencontrar-me com esta ideia, agora,
nesta altura da viagem, me seria tão grato como foi e está a ser?
4
Isto é que se chama!
Um sublinhado a lápis das últimas linhas ficou da primeira leitura… Há quanto tempo? O diário é o do ano de 1990. A edição, na Bertrand, de 1993.
Hoje, mesmo sem lápis, um sublinhado ainda mais profundo?
L. V.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Querenças do Sem-depois - II


NÃO DISSE PALAVRA
Pobre por inteiro
Bem o conhecia
Mas não por encontro
Até que houve um dia
Pobre e carecendo
Até das palavras
Os olhos fixou
Nos olhos que eu tinha
Sem nada mos deu
Os olhos de ver
Fixou os meus olhos
Não disse palavra
Foi quando aprendi
Que a ver como eu via
Uns olhos mais cegos
Ninguém nos teria
R. V.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

«O problema não está nos LIVREIROS -“LIVREIRO”, essa profissão tantas vezes menosprezada»

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ESTA SUA EXPERIÊNCIA
QUE ROSA AZEVEDO NOS CONTA 
http://estoriascomlivros.blogspot.com/

Quem o leu já sabe: no post que na segunda-feira passada Rosa Azevedo lançou no seu blogue «estórias com livros» o Livreiro Velho é referido de modo muito excessivo (isso sei eu muito bem, sem recurso a modéstias). Excessivo , sem dúvida, penhorante também. Devo agradecer. Mas isso podia eu fazer sem ser por aqui. Preferindo por aqui, tenho que exigir-me ir além do «muito obrigado».
1.
As coisas mudam e de repente damos por nós em novos paradigmas de significação e entendimento.
O que significava a palavra livreiro ontem e o que significa hoje? O mesmo para a palavra editor. Ainda significam o que significavam, mas também já têm outros significados. Como se lê no texto de Rosa Azevedo.
Que importância tem tomar isso como tema de reflexão? Não vejo que possa fazer esta pergunta em voz alta quem ainda não a fez no seu silêncio, começando aí a encontrar a resposta que colectivamente deve aparecer. Entender o que muda é bem mais produtivo para a inevitável adaptação do que um simples instinto de sobrevivência.
Julgo eu…
2.
Ser livreira(o), sem estatuto social nem dinheiro! Bela situação! E portanto e logo, pois, por conseguinte, por consequência...
Livrarias, bem entendido. Não falamos aqui dos antigos conceitos de livraria ou livreiro. O editor era o livreiro e a livraria era a editora. Houve uma altura em que o conceito de livreiro mudou, mas sem a reflexão que no ponto anterior se propõe para as mudanças actuais.
3.
Ao longo do meu tempo vi bem a diferença entre editores e livreiros, mas…
Quem quer vir até junto de nós e comparar com pormenores?:
- Estatuto e proventos possíveis do livreiro de livraria que fosse/seja só livraria;
- Estatuto e proventos possíveis do editor, mesmo que também fosse/seja livreiro, em livraria-editora.
Comecei a ver a diferença, mas foi só depois de muito tempo a bater com a cabeça na parede, como acontece em todos os casos de um ovo-de-colombo.
4.
No sistema em que ficou o comércio livreiro desde que começaram a lentamente demarcarem-se as profissões e as actividades de livraria e de editora, de editor e de livreiro, já no século XVIII e com aceleração no século XIX para definitiva consolidação no século XX, nunca foi possível desenvolvê-las como ao desenvolvimento da leitura e consequente rentabilidade comercial do produto-livro convinha.
O caso do lançamento da Crediverbo, com a célebre Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto, é arrasador de quaisquer contestação que eu próprio tente fazer ao que digo.
E, por favor, digam-me o que foi e o que continua a ser a situação de sempre nas contas correntes  entre editoras e livrarias... Comparemos de seguida com a generalidade dos outros ramos do comércio retalhista.
O que levou os livros por esse país dentro foi o comércio de papelaria. Não vale a pena fechar os olhos. Por esse país dentro, como sustentar-se com livros? Mesmo em zonas menos periféricas. A não ser excepções, com características muito particulares, com especial atenção para alguns ambientes das antigas colónias, fazer vida desafogada, como livreiro, quem a fez?
5.
Quando hoje me dizem que tudo piorou!!! É preciso dizer em quê, se não…
Há quarenta anos ainda era obrigatório inscrever-se no Grémio dos Editores e Livreiros para se fazer numa papelaria ou tabacaria alguma venda de livros… Era assim que se obtinham números elevados de ditos, mas não verdadeiros, sócios «livreiros». Como editores não eram, restava arrolá-los como livreiros… Meu país de «Os Ridículos» - um grande jornal de então!
O mesmo, a exigência de ser sócio para ter acesso a preços de revenda, ainda quiseram manter - e mantiveram por algum tempo - os editores quando se passou para a APEL, apesar da liberdade de associação instaurada por Abril. A APEL: até hoje foi incapaz de se libertar das suas contradições – que pena!
6.
Pensem só no caso mais à vista de ano para ano das Feiras do Livro de Lisboa e Porto: queixam-se inutilmente os livreiros.Vai dando ao menos para se perceber que os editores não se preocuparam com a saúde económico-financeira da rede de pontos de venda que está comercialmente ao serviço do seu produto? Alguma teoria já apareceu e também alguma prática. Até a APEL já tentou dar uma oportunidade de equilíbrio às livrarias independentes por altura das suas feiras. Disse que «tentou» e mais não disse porque a ideia é manter tudo na mesma, como é compreensível enquanto os atávicos sistemas de pensamento e acção se mantiverem.
7.
Antes da actual situação do Mundo do Livro - grupos financeiros e novas tecnologias – tinha sido muito mais fácil desenvolver o comércio livreiro, com grandes benefícios para o país atrasado que éramos e somos. E agora muito mais fáceis e proveitosa seriam as adaptações. 
Não era livre a profissão de editor no Estado Novo. Porquê?
Era livre a profissão de livreiro. Porquê?
Venham passar comigo quarenta e oito horas por conta da Pide em Setembro de 1971 e começarão a encontrar uma resposta. A começar, somente. Porque nem os editores nem nós, livreiros, podemos orgulhar-nos dos crónicos baixos níveis de leitura do país.
O pé descalço ter acabado acho que dá aos profissionais dos sapatos direito a orgulho. Se no meu tempo da primária, lá na aldeia, as crianças, todas, praticamente todas, iam para a escola descalças, não era por mais nada, era só por gosto de meter os pés nas poças e lameiros! Depois criaram-se as condições e contra esse prazer triunfou a produção e comercialização do calçado. Desenvolvimento para este  produto de mais casos se pode falar. As farmácias?
Progrediu-se. Há livrarias em muitas localidades onde nunca houve. Mas…
Que não compare outros ramos com o ramo livreiro – querem dizer-me? E não comparo mesmo, naquilo em que não é comparável, mas que sempre quiseram que fosse: o livro é um produto como os outros, foi-me dito mais do que uma vez, para justificar a fuga às exigências do que é específico do livro como produto comercial.
8.
Pano para mangas, esta conversa, se se quiser…
Não devia nem desejava ser longo. Só queria apontar para a necessidade de elevadas competências culturais para que continue viável a livraria. Mais dizendo, porém, que isso não é possível sem uma reforma inteligente das rentabilidades do comércio livreiro. Quem tem nível para ser livreiro não pode estar sujeito à remuneração que não se paga a ninguém a quem se exige essa cultura que o livro e o leitor nunca tiveram em Portugal, a não ser por excepção e em poucas terras.
9.
Repito: dá pano para mangas, esta conversa, se se quiser…
Culpados? Neste caso atrevo-me a dizer: pode haver incompetentes, ignorantes, aldrabões, caloteiros, exploradores e até estúpidos (tenho lido e ouvido gente bem pensante que não percebe nada disto a chamarem-nos tudo), mas inocentes não estou a ver.
Todos somos culpados. Porque, uns mais outros menos, todos podíamos, creio, ser um pouco mais responsáveis por aquilo em que andamos envolvidos. Ou ser ministro é um título honorífico? Com as poucas verbas atribuídas às juntas de freguesia, meu pai, quando foi presidente, ao menos isso fez: transformou numa boa rua a simples canada onde tinha a sua mercearia. Ainda hoje se chama Canada da Rebela. Foi lá que nasci, mas na altura era tão criança que não me lembro de com era dantes. Pude todavia imaginar pelo que o caso dava que falar ainda. Valeu a pena para toda a aldeia. Mudar para progredir vale bem a pena!
L. V.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

QUERENÇAS DO SEM DEPOIS - I

EREMITÉRIO ARRABIDINO
clip_image002«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)

PONTEAR O MOMENTO
Tranquilamente acontecem as silenciosas palavras
É seu este momento por inteiro e sem tempo
Sejamos breves agora sem um tempo a ganhar ou perder
Só as palavras acontecendo silenciosamente
Para que assim nosso ser por um momento aconteça
R.V.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A MONTE E À TOA - VI


QUE ESTA NOITE O SILÊNCIO…
«até onde me lembro o inverno é triste» poetou naqueles dias o miguel de castro e hoje repito como de há muito muitas vezes repito porque me ficou no ouvido fazendo crer que talvez em si mesmo seja triste o inverno embora para mim nem sempre tenha sido e hoje mesmo tenha visto duas crianças brincando e sorrindo em alegre expressão de felicidade

quem vai por nós fechar portas e janelas à frieza que vem para morte ao corpo a que o inverno apontou uma luz desamparada

nesta mesma noite vai esta frieza sem alma matar mais alguém e saber-se-á nas notícias de amanhã ouvidas que serão por quem não terá morrido nesta vaga de mortes nem talvez se interrogue sobre se para si há perigo de…

já não sei perguntar porque todas as respostas apenas ecos das perguntas mascaradas pelos nossos desejos de paz em segurança

no regresso foram a mão de um inverno que afoga a vida e a tais respostas a noite a si se prefere num silêncio de esquecimento que assossegue as expectativas

V. L.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A PROPOSTA: «ESPERANÇA NO FUTURO DA LEITURA, DO LIVRO, DA LIVRARIA»



http://encontrolivreiro.blogspot.com/

Já abriram? Já viram? Já leram?

*
Como é, velho livreiro da Culsete?…
Tu que já estás jogando o teu fim de carreira em tempo de prolongamento…?!
Será que consegues exprimir com simplicidade a tua alegria?
 
Sentir assim tão perto de ti este empenho de um grupo cada vez mais alargado de pessoas que se  reconhecem na feliz designação  de «Gentes do Livro»!...  Algo que te ultrapassa e às tuas prudentes expectativas, que não à tua crença na lucidez nem à tua esperança em melhores tempos!
*
 

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E se me permitem  limito-me
por hoje à apresentação do cartaz e a saudar a criação do
Diploma
«Livreiros da Esperança»
atribuído
nesta sua
1.ªedição
com tanta justiça e grande sensibilidade
ao livreiro
Jorge Figueira
de Sousa

L. V.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

«Uma vida intensa - 7 de Fevereiro de 1952: data em que a vida abandonava Sebastião da Gama»

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«Ser moço seria um atributo teu de maturidade, e não estou aqui a fazer vaticínios fáceis porque morreste no fogo da tua juventude, mas estou, antes,
a lembrar-me da qualidade rara do teu ser, do teu
estar no mundo.» (Matilde Rosa Araújo, no texto «Sebastião, a que Sabe a Vida»)


«E David Mourão-Ferreira (…)registou o facto no seu diário, peça ainda inédita (…)»: http://nestahora.blogspot.com/

Obrigado amigo João Reis Ribeiro por escrever este texto que acabo de ler no seu blogue. E estou a lembrar-me do que também  escreveu há dez anos na imprensa local: era então o cinquentenário e…
Sebastião da Gama:
só o esquece quem não o merece.
L. V.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O…J O G O…N O…C A M P O

EREMITÉRIO   ARRABIDINO
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«Sem ter já que esperar, nem que perder» (Frei Agostinho da Cruz)

LINHA ALINHA
CENTRAL CENTRA
livrarias – livreiros?
- queiram passar!
livros – editores?
- que passem também!
escrita – leitura?
- não vão passar não!
livros – editores?
- continuarão!
livrarias – livreiros?
- em adaptação
a história às avessas?
- joga o sim contra o não !
      L. V.