quinta-feira, 29 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL


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 MENSAGEM PARA 2012

Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro

Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro. Na verdade não era só um, mas muitos os contos que enchiam o mundo com as suas histórias de meninas desobedientes e lobos sedutores, de sapatinhos de cristal e príncipes apaixonados, de gatos astutos e soldadinhos de chumbo, de gigantes bonacheirões e fábricas de chocolate. Encheram o mundo de palavras, de inteligência, de imagens, de personagens extraordinárias. Permitiram risos, encantos e convívios. Carregaram-no de significado. E desde então os contos continuam a multiplicar-se para nos dizerem mil e uma vezes: “Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro…”
Quando lemos, contamos ou ouvimos contos, cultivamos a imaginação, como se fosse necessário dar-lhe treino para a mantermos em forma. Um dia, sem que o saibamos certamente, uma dessas histórias entrará na nossa vida para arranjar soluções originais para os obstáculos que se nos coloquem no caminho.
Quando lemos, contamos ou ouvimos contos em voz alta, estamos a repetir um ritual muito antigo que cumpriu um papel fundamental na história da civilização: construir uma comunidade. À volta dos contos reuniram-se as culturas, as épocas e as gerações, para nos dizerem que japoneses, alemães e mexicanos são um só; como um só são os que viveram no século XVII e nós mesmos, que lemos um conto na Internet; e os avós, os pais e os filhos. Os contos chegam iguais aos seres humanos, apesar das nossas grandes diferenças, porque no fundo todos somos os seus protagonistas.
Ao contrário dos organismos vivos, que nascem, reproduzem-se e morrem, os contos são fecundos e imortais, em especial os da tradição oral, que se adequam às circunstâncias e ao contexto do momento em que são contados ou rescritos. E são contos que nos tornam seus autores quando os recontamos ou ouvimos.
E também era uma vez um país cheio de mitos, contos e lendas que viajaram durante séculos, de boca em boca, para mostrar a sua ideia de criação, para narrar a sua história, para oferecer a sua riqueza cultural, para aguçar a curiosidade e levar sorrisos aos lábios. Era igualmente um país onde poucos habitantes tinham acesso aos livros. Mas isso é uma história que já começou a mudar. Hoje os contos estão a chegar cada vez mais aos lugares distantes do meu país, o México. E, ao encontrarem os seus leitores, estão a cumprir o seu papel de criar comunidades, de criar famílias e de criar indivíduos com maior possibilidade de serem felizes.

Francisco Hinojosa, escritor mexicano

(tradução de Maria Carlos Loureiro)
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quarta-feira, 28 de março de 2012

O DIA 2 DE ABRIL É JÁ NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA

O mundo não pára de girar, construindo, segundo a segundo, o seu eterno retorno. E eis que o mês de Abril está novamente aí à porta, carregado de dias ricos em símbolos e mensagens. Um deles é o 2 de Abril, o Dia Internacional do Livro Infantil. E se é verdade que todos os dias são dias para ler, para dar, receber e trocar livros, o 2 de Abril é um dos dias da grande festa que é ler, o dia especialmente dedicado aos leitores mais novos. Por isso, queremos sempre vivê-lo com muita intensidade, lendo, dando a ler, mostrando, falando de livros destinados maioritariamente a crianças e jovens.

Como é hábito, o IBBY (International Board on Books for Young People) difundiu já a sua mensagem para o Dia Internacional do Livro Infantil, este ano da autoria do escritor mexicano Francisco Hinojosa, divulgada em tradução portuguesa pela DGLB.

A Culsete, como sempre, junta-se à festa. Visite-nos e toque, cheire, folheie, leia as centenas de títulos que literalmente inundam expositores, mesas, estantes, bancos da livraria. Aqueles que desejarem comprar, terão preços bonificados.

Apareça e deixe-se seduzir pela magia dos livros de recepção infantil, mesmo que não tenha crianças na família, porque estes livros são afinal  para todos os que não deixam morrer a criança que há em si.

F.R.M.

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Fotos do dia 2 de Abril de 2011 na Culsete

TABUCCHI: «quem compreendeu»

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Em homenagem a António Tabucchi vim por uma releitura de Mulher de Porto Pim.
Sou de naturalidade açoriana. Nenhum açoriano pode ignorar a simpatia de Tabucchi pelas nossas ilhas, feita monumento literário neste livro.

Há o «Prólogo» e nele leio: «pus o pé em terra e este livrinho tem origem, além da minha disponibilidade para a mentira, num período de tempo passado nos Açores».

Depois do «Prólogo» vem o texto «Hespérides. Sonho em forma de carta». Copiei-o quando o quis colar numa das páginas mágicas de As Ilhas Desconhecidas de Raúl Brandão.

«Quem compreendeu» vem à leitura precisamente nesse primeiro texto que abre a porta às duas partes do livrinho.

«Não me foi possível descobrir quem seja exactamente esse deus (…). Deduzo que ele esteja relacionado com a ideia da plenitude e da perfeição (…). E foi por isso que eu pensei que se tratasse do deus da Felicidade; mas da felicidade de quem compreendeu tão plenamente o sentido da vida que para ele a morte já não tem importância alguma e é por isso que os poucos eleitos que vão venerá-lo não voltam mais».

Sem comentários. Só uma tentativa de «compreender plenamente» a beleza e sentido da escrita de Tabucchi, curvando a cabeça num respeitoso silêncio de luto e homenagem.
L. V.

terça-feira, 27 de março de 2012

O III ENCONTRO LIVREIRO FOI ASSIM

No domingo, 25, houve alguém que passou boa parte da noite a viajar para chegar à Culsete e viver o III Encontro Livreiro sem perder pitada. Esse alguém foi o António Alberto Alves da Traga-Mundos, de Vila Real. Foi o primeiro a passar a porta, eram 11 horas da manhã. Aqui está ele a contemplar a pequena anarquia que é a livraria.

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Logo de seguida entraram a Rosa Azevedo, o Hugo Xavier, o Bartolomeu Dutra e o Luís Guerra. Um pouco depois apareciam a Sara Figueiredo Costa, o Nuno Seabra Lopes e o Ricardo Duarte. Conversaram, ajudaram nas arrumações finais, tiraram fotos, espreitaram  as estantes, sorriram para a máquina (completamente amadora).

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Ao almoço, de peixe assado, éramos dez à mesa. Mas a máquina ficou arrumada. 
O Encontro Livreiro estava aprazado para começar às 15 horas e a essa hora em ponto começou a chegar gente. De Portalegre chegaram  o José Tavares e o Amadeu Candeias, estreantes no Encontro Livreiro. A Ana Wiesenberger e o Pedro Vieira também deram o ar da sua graça, e que graça…

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Assinava-se o “livro oficial do encontro”, conversava-se com esta e com aquela/com este e com aquele, até que se deu início à função, com as necessárias palavras de boas-vindas. E, já que estávamos numa livraria,  recorreu-se a uma página do Diário II de Luísa Dacosta, Um Olhar Naufragado (pp.25-28), onde a escritora discorre sobre o que são livrarias, esses “espaços de liberdade, lugares de encontro. Liberdade intimista, com uma profundidade de abismo e onde o tempo e o lugar podem ser vencidos. […]”.

Indo ao encontro do conceito de “Livreiros da Esperança”, leu-se o poema de Manuel Alegre «Livreiro da Esperança», incluído em Praça da Canção.

LIVREIRO DA ESPERANÇA
Há homens que são capazes
duma flor onde
as flores não nascem.
Outros abrem velhas portas
em velhas casas fechadas há muito
Outros ainda despedaçam muros
acendem nas praças uma rosa de fogo.
Tu vendes livros quer dizer
entregas a cada homem
teu coração dentro de cada livro.

Uns sentados, outros em pé, todos escutámos com prazer  o Bartolomeu e a sua viola. Quem passava pela montra, parava a tentar perceber o que se passava.

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E chegou o momento de ouvirmos Manuel Medeiros, sob o olhar atento da Rosa, enquanto o Flamarion, seguindo à risca as “sábias” orientações do Nuno Medeiros, aproveitava para captar os momentos mais vibrantes, para mais tarde os mostrar no Brasil.

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Aconteceu depois um dos momentos mais importantes do encontro, a atribuição do diploma de Livreiro da  Esperança ao senhor Jorge Figueira de Sousa, da Livraria Esperança, do Funchal, na pessoa de sua prima, Maria do Carmo Figueira de Sousa e Abreu, que, curiosamente, foi, durante três anos, livreira na livraria da Seara Nova. No momento da entrega do diploma, o Luís Guerra entrou em contacto telefónico com o senhor Jorge Figueira que pôde ouvir as fortes palmas que todos lhe batemos. A Sara falou-nos da sua recente visita à livraria Esperança e do seu encontro com o senhor Jorge Figueira.

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Leram-se em seguida as mensagens enviadas por aqueles que, gostando de estar presentes, não tiveram oportunidade de aparecer.

Chegou depois o momento em que  falaram todos os que para tal se inscreveram (ou foram inscritos!), sob a condução e savoir faire da Rosa. Levantaram-se diversas questões relacionadas com a problemática do livro, da leitura, da edição, das livrarias, da comercialização do livro, etc., etc., pondo o dedo em muitas feridas e alimentando esperanças de melhor  futuro.

A tarde ia avançando, o microfone sem fios ia passando de mão em mão, nós íamos rodando nas cadeiras, degustando o que havia em cima da mesa que servia de bar e  molhando as gargantas com água e sobretudo com o famoso Moscatel de Setúbal, “o melhor do mundo, quiçá até da Europa”, como lembrou, e muito bem, alguém…  Os fumadores inveterados davam escapadelas até ao passeio em frente à montra, deixando um rasto de pontas de cigarros na calçada.  Houve também que aproveitasse para informar a família que o encontro estava para durar ou quem descansasse o olhar sobre os livros expostos, sempre com o ouvido no que era dito.

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Já o sol se tinha posto há muito quando a Rosa Azevedo fez o resumo do que fora dito. Manuel Medeiros, como bom anfitrião, disse as palavras finais. A viola e a voz do Bartolomeu, desta vez acompanhado pelo João Frada, animaram os últimos momentos de convívio de alguns resistentes. Consta que alguns destes ainda foram saborear o célebre choco frito setubalense.

F.R.M.

segunda-feira, 26 de março de 2012

CONFIRMA-SE QUE ISTO NÃO FICA ASSIM!

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DÁ PARA SE VER A ALEGRIA DE QUEM FALA NO SEMBLANTE DE QUEM OUVE?

Segunda-feira, 26 de Março de 2012

«‘foi bonita a festa, pá’»

«As notas sobre o Encontro Livreiro foram sendo tomadas ao longo da tarde, mas não será hoje que as alinho no ecrã, porque o tempo está a ser escasso para tantas empreitadas. Aqui ficam algumas imagens e a promessa de voltar ao tema nos próximos dias. De resto, posso fizer que ‘foi bonita a festa, pá’. E que para o ano há mais.»
Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire

ANOTEM POR FAVOR:
Mudando as vírgulas, posso copiar o que a Sara/Cadeirão Voltaire por hoje escreveu sobre ontem?
O L. V. aguentou-se ontem sem velhices, mas hoje foi de remédio a vesti-las!
Por favor, amigos, nos próximos dias vão acompanhando as notícias, as notas, as fotos e os comentários referentes ao III ENCONTRO LIVREIRO no «ISTO NÃO FICAASSIM» (http://encontrolivreiro.blogspot.pt/) e não só.
Porque está seguro:
isto não fica assim!
Nem sequer aqui. Volto, tenho muitas razões para voltar!
L. V.

sábado, 24 de março de 2012

ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO

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http://encontrolivreiro.blogspot.pt/

Gostava de ir a Setúbal amanhã, ao III Encontro Livreiro, mas não pode?

Se quer participar no III Encontro Livreiro, amanhã em Setúbal, mas não pode estar presente fisicamente, envie-nos uma pequena mensagem que, se chegar até às 15:00 horas de amanhã, teremos todo o gosto em lê-la. O tema geral proposto para a conversa deste ano é:


ESPERANÇA
NO FUTURO DA LEITURA, DO LIVRO, DA LIVRARIA.

 A mensagem deverá ser enviada para 
encontro.livreiro@gmail.com

Agradecemos divulgação desta nota.

III ENCONTRO LIVREIRO: A-COM-PA-NHAR hoje amanhã e depois–BLOGUEs&BLOGUE&E-MAIL

Que tenham um grande encontro.
Abraços.
onésimo
http://chapeuebengala.blogspot.pt/2012/03/nao-ha-melhor-profissao-do-que-de.html#comment-form

http://voltaparafuso.blogspot.pt/
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Lá estarei

 

Foi na Culsete que aprendi muito do que hoje sei sobre os livros.
http://voltaparafuso.blogspot.pt/2011/03/ii-encontro-livreiro-em-setubal.html

quarta-feira, 21 de março de 2012

«Não há melhor profissão do que a de livreiro.»

Uma flor em letras para Tonino Guerra
http://fontedeletras.blogspot.pt/2012/03/o-sol-de-tonino-guerra-para-sempre.html
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2371652

DIA MUNDIAL DA POESIA

O CLIMA INSALUBRE

à vida a correr no insalubre pântano com destino a si própria nem por amparo um desejo de partir

nada ficou para trás à partida e nada haverá para encontrar à chegada

é este o clima em que a alegria a bondade e a paz devem vicejar cultivadas pela esperança

por isso é que lá chegarei contigo a esta crença de que a vida entre nós se reconhece em estações que mudam

a vida renascendo é sucessiva e a primavera um poema recuperado

R. V.

segunda-feira, 19 de março de 2012

TAMBÉM EU ESTAREI PRESENTE NO III ENCONTRO LIVREIRO

http://encontrolivreiro.blogspot.pt/

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No próximo domingo, 25 de Março, às 15.00 horas em ponto, estarei na Livraria Culsete (Avenida 22 de Dezembro, 23, Setúbal) para participar no III ENCONTRO LIVREIRO. Vou lá estar porque

quando vejo livros tenho um desejo incontido de os possuir

livros são o presente que mais gosto de receber

livros são o presente que mais gosto de oferecer

adoro o cheiro dos livros, quanto mais velhos melhor

livros são os meus companheiros de sempre

não consigo viver sem livros à minha volta

raramente saio de casa sem um livro

os livros nunca me deixam sentir só

não me imagino a viver sem livros

não consigo adormecer sem ler

adoro o toque dos livros

devoro livros

amo livros

Vou lá estar porque a Culsete é uma livraria

e as livrarias são

caixas de surpresas cheias de pó de estrelas

rios de mil e uma experiências

árvores carregadas de frutos

ágoras a pulsar de ideias

jardins encantados

catedrais no caos

casas de histórias

Aí, nas livrarias

cruzo-me com toda a espécie de fauna e flora

encontro criaturas do reino animal

vegetal

mineral

e sinto que é essa a minha tribo

Por tudo isto vou estar na Culsete no próximo domingo, 25 de Março, no III ENCONTRO LIVREIRO.

Vem comigo!

F.R.M.

domingo, 18 de março de 2012

O III ENCONTRO LIVREIRO É JÁ NO PRÓXIMO DOMINGO

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Imagens do I Encontro Livreiro, 2010

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Imagens do II Encontro Livreiro, 2011

Comunicado recebido de  encontro.livreiro@gmail.com
Ex.mos Senhores,
A partir das 15 horas do próximo domingo, 25 de Março de 2012, realiza-se o III ENCONTRO LIVREIRO, em Setúbal, na livraria CULSETE (Av. 22 de Dezembro, 23 A/B), continuando assim a dar cumprimento ao sonho de um velho livreiro - Manuel Medeiros, o também escritor Resendes Ventura - que sempre desejou ver os profissionais do livro «viajar num mesmo barco para o país da leitura», como deixou escrito no seu livro Papel a Mais.

Este ano sob o tema «ESPERANÇA NO FUTURO DA LEITURA, DO LIVRO, DA LIVRARIA», o Encontro Livreiro - que reúne anualmente em Setúbal no último domingo de Março - é um espaço de convívio e de encontro aberto às «gentes do livro» (leitores, professores, bibliotecários, livreiros, autores, tradutores, editores, vendedores, distribuidores, bloggers, gente da comunicação social, etc.) que nele queiram participar.
Para além do convívio (onde não faltará o moscatel), do encontro e da troca de ideias, de experiências e de sonhos, este ano, dando corpo à criação do diploma «Livreiros da Esperança», será feita a entrega oficial do já anunciado «LIVREIRO DA ESPERANÇA 2012» ao Livreiro JORGE FIGUEIRA DE SOUSA (Livraria Esperança - Funchal).
Entre outros participantes que hão-de fazer chegar a sua adesão ao longo desta semana (para o blogue http://encontrolivreiro.blogspot.pt/) ou que simplesmente aparecerão no dia 25 em Setúbal, confirmaram já a sua presença: Manuel Medeiros - Livreiro, Livraria Culsete (Setúbal),  Luís Guerra - Assírio & Alvim (Lisboa), Fátima Ribeiro de Medeiros - Professora e Investigadora de Literatura (Setúbal), Joaquim Gonçalves - Livreiro, Livraria A das Artes (Sines), Dina Silva - Professora do Ensino Secundário (Sines), Fernando Bento Gomes - Escritor (Lisboa), Sara Figueiredo Costa - Blogue «Cadeirão Voltaire», Jornalista e Crítica Literária (Lisboa), Rosa Azevedo - Blogue «Estórias com Livros», (ex)Livreira, Produtora na Ordem dos Arquitectos (Lisboa), Francisco Belard - Jornalista (Lisboa), Nuno Fonseca - Escritor, Blogue «Orgia Literária» (Lisboa), Isabel Ramalhete - Livreira, Leya na Buchholz (Lisboa), Vanda Viveiros - (ex)Livreira, Desempregada (Lisboa), Bruno Malheiro - Livreiro (Braga), Paula Vieira - Livreira, Leya na Buchholz (Lisboa), Sandra Oliveira - Livreira, Fnac Chiado (Lisboa), João Frada - Director Editorial Clinfontur (Lisboa), Sónia Jorgensen - Leitora (Lisboa), Ricardo Pacheco - Artista Plástico e Leitor (Lisboa), Ricardo Duarte - Jornalista / JL (Lisboa), Nuno Seabra Lopes - Consultor Editorial e Livreiro (Lisboa), António Marrachinho - Advogado, Leitor renitente de livros, Membro do blogue «sYnapsis», Nuno Medeiros - Sociólogo e Investigador [do livro, da edição, da livraria, da leitura] (Setúbal), António Alberto Alves - Traga-Mundos - Livraria, vinhos, coisas e loisas do Douro - Património Mundial (Vila Real), Cristina Marques - Livreira, Leya na Buchholz (Lisboa) - Paulo Seara - Animador e Produtor Artístico, Artista Plástico, Escritor e Poeta, Vilateca Livraria Galeria e Artesanato (Vila Real), Gonçalo Mira - Crítico, Blogue «Orgia Literária» (Setúbal), Pedro Vieira - (ex)Livreiro, Ilustrador residente da revista Ler, Blogger («Irmão Lúcia» e «Arrastão»), Autor do livro Última Paragem, Massamá, Criativo no Canal Q - Produções Fictícias («Ah, a Literatura» e «Inferno»), Antero Braga - Livreiro, Prólogo / Lello (Porto), Adelino Abrantes - Penguin Books, António Figueira- Amigo dos livros, José Gonçalves - Vendedor de livros e Leitor  [...]

Junte-se a nós. Contamos consigo!
Textos e notícias referentes ao Encontro Livreiro estão disponíveis, para leitura, reflexão e divulgação, no blogue ISTO NÃO FICA ASSIM!

Gratos pela divulgação e com votos de BOAS LEITURAS,
Encontro Livreiro

CONCORDÂNCIAS

image Foto: Urbano Bettencourt
na vida há horas santas por um amigo que aparece nem sabe ele como veio ter connosco nem ontem nem amanhã foi quando era o momento certo para a nossa gratidão ser assim tão sentida e quando pensei nisto que escrevo disse que o ia escrever e agora que está escrito a quem o vou entregar para leitura? a ti que vejo no retrato talvez não deva nem possa porque já tiveste a tua parte no que aqui se entende que aconteceu nem sequer sei se a alguém e talvez não deva talvez não possa a não ser a ti para quem agora o estou endereçando porque sabes bem sabes que eu sei o que sentes
R. V.

«A OBSESSÃO DAS LIVRARIAS» E «A DIFÍCIL ARTE DA IN(ter)DEPENDÊNCIA»

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Livrarias, assunto em Março.
Mesmo que não fosse por obsessão, teria de voltar.
E cá estou.

«Livrarias – A difícil arte da independência», o título e as palavras de encerramento do dossiê do JL (n.º de 7 a 20 de Março), um dossiê no JL dedicado à actualidade das livrarias no nosso país, a reportagem limitada a dez livrarias, a Culsete entre elas, de fora ficando muitas das que num dossiê mais alargado seria impossível não aparecerem, dez, aqui, já não é pouco, mas…

Da reportagem da Culsete sublinhei «oficina de leitura» e nas últimas linhas carreguei no sublinhado: informação do III Encontro Livreiro do próximo dia 25. Porque também por isso, e muito por isso, «Livrarias, assunto em Março».

A circunstância do dossiê. Sensivelmente! O encerramento da Livraria Portugal abalou a sensibilidade das «Gentes do Livro» e com razão, a Portugal era a pequena-grande livraria portuguesa no mundo, também no mundo livreiro, quando nem computadores e nem ainda, sequer, o Catálogo dos Livros Disponíveis da APEL, valíamo-nos do valiosíssimo ficheiro da Livraria Portugal, aquela disponibilidade para informar um pequeno colega sensibilizava-o.

Não penso insistir com outros casos, só estes dois, para «livrarias, assunto em Março». O encerramento da Livraria Portugal deu muito mais que falar, a muitos, mas por agora…

Primeiro, já em post anterior a referência se fez, foi a Ler (n.º de Março) com Francisco Belard: «não tenho a obsessão das livrarias» e, melhorar ainda, logo adiante: «se o mundo e as vontades mudam, porque que é que não desaparecem tantas coisas cuja eliminação tornaria melhor a vida diária?» Belo! Cuidado, moscas!

Dias depois, então, o JL com o próprio José Carlos de Vasconcelos, no editorial, e, no dossiê, os jornalistas Maria João Martins, Maria Leonor Nunes, Carolina Freitas, Diogo Nóbrega e Marco António Vieira.

«A difícil arte da independência». Com que então, uma arte! Assim considerados artistas, que esperança os livreiros independentes podem ter de que a sua arte será devidamente apreciada por uma sociedade que tão pouca atenção lhe tem dado, mas que afinal até a reconhece?
Deveras!
Será agora que o assunto «livrarias» vai a estudo, investigação e perspectivação?
Bom!, isto por hoje…
Mas é inevitável prometer que volto.

Por obsessão ou por amor à arte?
Talvez por uma coisa e outra!

L. V.

quinta-feira, 15 de março de 2012

«IDEIAS (…) AMEAÇADORAS»

Ainda não ter dito nada sobre…, aqui no blogue, levou-o a perguntar-me se já lera o último JL. Resposta: «Como não, amigo!? Mas ainda é cedo para voltar a “Livrarias, assunto em Março”.  Só depois da nossa sessão com Maria Teresa Horta e os seus livros. E, a propósito, leste no mesmo JL da semana passada a crónica de Guilherme d’Oliveira Martins?»
 
O romance As Luzes de Leonor merece ao conhecido ensaísta estas distinções: «magnífico retrato» e «título extraordinário». «Ideias ameaçadoras», é um meu título que vem do fim do artigo, imediatamente a seguir a esta citação: “Só uma insurreição expontânea pode hoje salvar a Europa”.
L. V.

domingo, 11 de março de 2012

CONTAMOS CONSIGO!

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SÁBADO com MARIA TERESA HORTA uma bela tarde aqui na Culsete

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Foto retirada de  http://casoseacasosdavida.blogspot.com

No próximo dia 17 de Março de 2012, sábado, pelas 16:00 horas, a Livraria Culsete abrirá as suas portas para um encontro com Maria Teresa Horta que virá falar da sua poesia, nomeadamente de As Palavras do Corpo, e da sua ficção, com destaque para As Luzes de Leonor e Novas Cartas Portuguesas. A apresentação estará a cargo de António Carlos Cortez. Aqui damos a informação. Vai confirmada no convite que agradecemos seja divulgado pelos amigos que este nosso blogue visitam.

Esta não é a primeira vinda de Maria Teresa Horta a Setúbal. Por cá passou no dia 26 de Julho de 1982, a convite do Grupo de Teatro TEIA, tendo integrado um ciclo de conferências intitulado «Conversas com…», realizado entre 24 de Julho e 8 de Agosto. Falou, segundo o jornal Nova Vida, da sua poesia e da condição da mulher no mundo, tendo encantado o público presente com a sua simplicidade e a sua facilidade de expressão. Afirmava ainda o articulista: “Já passava da meia-noite e ainda estávamos todos presos à sua palavra”.

A escrita literária de Maria Teresa Horta, cujo texto inaugural é de 1960 (Espelho Inicial, poesia), tem partilhado espaços éticos e posições ideológicas em concordância com a sua defesa coerente e firme dos direitos das mulheres.

Olhando a obra de Maria Teresa Horta, entre Novas Cartas Portuguesas, livro construído a seis mãos e ícone da escrita portuguesa no feminino, até As Luzes de Leonor (Prémio Literário D. Dinis 2011), em que encontramos a Marquesa de Alorna, “uma sedutora de anjos, poetas e heróis”, ou percorrendo a Poesia Reunida, onde estão incluídos os poemas de As Palavras do Corpo, encontramos uma voz autoral que reivindica para si o escrever acerca dos papéis e espaços sociais, políticos e intelectuais da mulher portuguesa, questionando-os, pondo a nu conflitos entre razão e emoção e assumindo o direito de falar do corpo e do desejo da mulher, através de uma gramática textual ímpar.

António Carlos Cortez é poeta, premiado. A sua leitura atenta irá certamente iluminar vários momentos da obra de Maria Teresa Horta.

Esta é, pois, mais uma sessão a não perder.
Contamos consigo!
Participe!

F.R.M./M.M.

«A OBSESSÃO DAS LIVRARIAS»

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Livrarias, assunto em Março.
Francisco Belard escreve na sua crónica da Ler deste mês:
«não tenho a obsessão das livrarias».
Se, em vez da negação, viesse uma afirmação, de modo nenhum infirmaria a minha interpretação de quanto mais nesta crónica nos diz.
E vou mais longe: estaria mais à vontade para dizer que suspeito de que tenho eu «a obsessão das livrarias».

Talvez por trauma em tenra idade: nem uma livraria nos Açores, na minha juventude, e eu louco por livros.
Sorte tive eu, que, livros, encontrei muitos e ao meu dispor! Livrarias? Já disse, nem uma! Livros à venda? Só nas boas papelarias e, pelo menos em dois casos que frequentei, em lojas que vendiam coisas tão interessantes como bolas de borracha ou louças decorativas. Ah! também numa tabacaria e em algumas redacções de jornais. 
É! É isso! No passado este país estava  cheio de livrarias, apesar de mesmo em Lisboa escassearem à vista desarmada ao sair da Baixa. Quantas contei, em 1970, nas zonas de novas habitações?  Lisboa crescera, o comércio livreiro não acompanhara.

Deve ter sido isso: um trauma. Também talvez  por isso mesmo ou pelo contrário, não sei,  não vejo grande mal em que desapareçam livrarias, desde que, onde há quem precise delas, vão nascendo outras.
O que verdadeiramente me incomoda e às vezes até assusta é que essas livrarias que fecham e as novas que abrem façam tão pouca falta às pessoas a quem tanta falta fazem. Se ao menos por outros modos ou meios chegassem aos livros que precisavam de ler e não se encontram aonde qualquer um vai…

Se ao menos… Mas não, não sentem falta. Pessoas tão conhecedoras de tudo e tão respeitadas pelos seus saberes, poderes e cultura!… Algumas até escrevem tanto e tão bem, que se vê à légua que deviam ler e ter lido um bocadinho mais.

Lê-se a crónica de Francisco Belard. Escreve-a sem que seja por «obsessão das livrarias», mas por ser um daqueles leitores que fazem renascer a esperança dos livreiros ao dizerem de si para si: «felizmente  continua viva esta raça de leitores autênticos».

«Livrarias, assunto em Março», porque também….
Mesmo que não fosse por obsessão, teria de voltar. Volto, volto!
L. V.

domingo, 4 de março de 2012

Já estamos em MARÇO?! NO ÚLTIMO DOMINGO…

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Primeiro domingo deste mês de Março de 2012, estamos já em Março! No último domingo, dia 25, vai ser o III Encontro Livreiro. Que eu hoje tenha despertado a pensar nisso não admira, ninguém se admirará.
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A RITA NO II ENCONTRO LIVREIRO

Ao pai, Daniel Melo, bem como à Rita, encontrei-os de novo faz hoje um mês, 4 de Fevereiro. Não fiquei em certeza de que ela também voltasse . O pai, sim. De qualquer modo este olhar que a Rita há um ano nos deixou não me é, em seu contexto, apenas a ilustração de um post. Muito do que desejo e antevejo como futuro possível da leitura, do livro, da livraria, em resultado de uma conjugação de ideias, entendimentos e iniciativas que a partir da boa convivência possa resultar, a imagem deste olhar mo revela a mim próprio.

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Talvez me cumpra esta escrita em hoje, queria que fosse uma conversa simples, doméstica, própria para um «aqui entre nós», abrindo, se possível, um pouco mais ainda as portas da Culsete para que aconteça o que continua a pretender-se: uma tarde de boa convivência entre pessoas que se entendem como «Gentes do Livro».
No I Encontro Livreiro, a Rafaela esteve presente, portou-se muito bem, mas ainda não tinha nascido. O seu feliz nascimento trouxe-a ao nosso II Encontro, para nossa alegria.
A grande maneira de acreditar no futuro talvez seja viver um presente em que se acredita. Acreditando no presente, dele a nascer um melhor futuro.
É tardíssimo para mim, o futuro. Por três vezes, neste inverno, o fim da viagem por um triz o senti. Ninguém me dirá que a incerteza do futuro me pode afectar muito, pessoalmente. Mas o presente!… Isto de horizontes ao curto tem o seu lado de bom sabor! Por exemplo, estar a três semanas de viver um III Encontro Livreiro! Sabia lá se…, há um ano! 
O presente que me resta é para este empenho em que o sentimento de impotência perante a avalanche de enganos e opressões do momento civilizacional nos desperte para a consciência de que a descrença uns nos outros é o maior erro que se nos pode apegar. Um movimento de aglutinação de pensamento e acção que levante a cabeça e cure da indiferença!
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JORGE FIGUEIRA DE SOUSA – LIVREIRO DA ESPERANÇA 2012
Para felicitar o livreiro Jorge Figueira de Sousa por lhe ter sido atribuído o «Prémio Ler/Booktailors 2011» estive de conversa com ele, durante uns minutos, por telefone. Um prazer! Gratíssimo por tudo, ele, e decidido a vir  participar no nosso III Encontro Livreiro. Esperando confiante em que as melhorias de saúde já lho permitam.
Disse-lhe e sinto: «só por si, a sua presença bastará para fazer deste III Encontro uma festa». O nosso diplomado «Livreiro da Esperança 2012»!
Este entusiasmo decidido que senti no emérito livreiro da Livraria Esperança do Funchal é o que desejo/desejamos sentir em quantos decidirem vir até Setúbal no primeiro domingo de Primavera, dia 25 deste mês de Março.

Manuel Medeiros
 

sábado, 3 de março de 2012

Con-cor-dân-ci-as


NESSA NOITE EM FUTURO

 

              Por memória de Artur Carvalho

 

sem quereres nada

quererás que a vida se renove

em gente nova e seu vigor

 

sem quereres nada

saberás viver humanidade

em voluntário amor

 

sem quereres nada

votarás numa alegria

que lute contra a dor

 

sem quereres nada

darás todo o teu ser ao que

sem ti o mundo for

 

(Nessa noite

de Abril de 2006

faleceu.

Era jovem e bom)

                               R. V

quinta-feira, 1 de março de 2012

«CONFUSO MUNDO»



Sempre por sempre os livros!...
Ir passando os olhos pelas novidades de início de ano dá sempre para ver o que ainda não nos apanhara e neste caso de hoje foi a antologia da Lírica de Luís de Camões de Maria Vitalina Leal de Matos
(Caminho, Janeiro, 2012).






«Confuso mundo»
para aqui vem da primeira quadra do soneto
«Verdade, Amor, Razão, Merecimento» (pág.166).
Releio todo o profundo soneto e depois também este comentário, na página seguinte:
«o último verso surpreende, propondo uma resposta da ordem da fé, já que todo o soneto colocava a questão no nível puramente intelectual».

Depois de hoje ter voltado à Nova Teoria do Mal de Miguel Real, acabo, agora mesmo, por consolidar o propósito de escrever duas ou três linhas a partir da «Conclusão» deste livro que tem que se lhe diga, tendo por certo que não é preciso dizer que escrevi aquelas duas linhas ao acabar a leitura da revoltada «Apresentação».

Soneto e comentário agora lidos e o dito propósito a consolidar-se sob um tilintar de três palavras: descrença, convicção e crença.
Entre aquilo em que se crê e depois se descrê as convicções deixam intacta a necessidade de uma crença que sustente o pensamento, o sentimento e a acção.

«Será que alguém vai, em
descrente,  a melhor
descobrir-se em crente
Há sempre uma pergunta ou que se não chega a atender ou a que se não sabe responder.

O tanto que há por saber, «não o alcança humano entendimento».
«Doutos varões darão razões subidas,/ mas (…)// Cousas há i que passam sem ser cridas/ e cousas cridas há sem ser passadas».

L. V.