domingo, 30 de dezembro de 2012

CONCORDÂNCIAS


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ATENÇÃO DEMONSTRATIVA AGRADECENDO


se o que digo se entender em óbvio

como dizer-vos o que por elas embora levados

só no para-além das palavras é possível expressar?

 

não fui eu a inventar

nem a hipótese deste para-além nem a sua arte

encontrei-as no caminho nem sequer foi em casa

 

foi no caminho como disse e num tempo

em que tinha pernas para caminhadas sem canseira nem destino

 

um tempo sem diferenças entre subir e descer em íngremes picos

ou vencer distâncias nos longes do caminho chão

 

em tudo os olhos se perdiam numa espera de ver um mais

em para além do ao pé reclamante

de uma evidente intransponibilidade dos curtos horizontes

 

hoje sem pernas e sem tempo como havia de manter viva

a arte de entender-me no para-além das palavras

se não recebesse em locomotiva o estímulo da vossa generosa atenção

assim demonstrativa do mais para ver no que digo?

 

R. V.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CONCORDÂNCIAS

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Foto de URBANO BETTENCOURT



O PONTO DE ENCONTRO

quando a flor é o que resta
em qualquer mesa
ou na tribuna dos teus discursos

aprendo a ler a inutilidade do mais

de tudo o mais
que pretendi
oferecer-te

 

dirás que não

e que do muito trabalho

à nossa mesa veio o pão  com que sustentámos as crianças

 

propositadamente farei um silêncio

tu ao escutá-lo vais para os meus levantar os teus olhos

e ver o condescendente sorriso da minha concordância

 

nesse momento começas a abrir o teu delicado sentimento

ao sentido da crença em que sempre viveste 

em que desde sempre construímos
o nosso ponto de encontro

 

nenhum dos nossos justapostos acordos ou compromissos

nem sequer juras e muito menos sociais respeitos

desviaram do significado da flor

o íntimo entendimento

 

a sua tão clara inutilidade sendo assim tão verdadeira

para a podermos entender em aparente

quando a chuva da tarde em torrente arrastar
para um qualquer fora de nós a colheita

em que o tanto e tudo nas sucessivas estações foi investido

 

no dia em que um inteiro silêncio for a última flor 

perfuma com a sua inutilidade os teus sorrisos

e proclama a verdade do íntimo segredo

em que desde sempre construímos

o nosso ponto de encontro

 

R. V.

domingo, 23 de dezembro de 2012

NATAL À MESMA MESA! TODOS, TODOS!

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image   Fotos de URBANO BETTENCOURT


todos somos ao recolhimento chamados por convite da beleza cultivada em íntimo natal num interior doméstico onde ela se recata em apenas ser e em cumprir-se no olhar da família e vizinhos da porta

 

era antigamente o que em hoje esperamos que amanhã continue para além de utopias ou crenças

 

recriando o mundo novo o meu menino reina numa sua imagem conforme com a natural realidade

 

que a alegria não falte nem mesmo a quem não tiver em sorte receber de uns olhos vivos de criança a contagiante felicidade que irradiam

 

porque sempre se soube que as flores estavam de passagem mas nem por isso deixámos de em nossa mesa querê-las com o pão

 

tão igualmente alimento necessário a beleza que por seu encanto conduz para a verdade do planeta numa estrela

 

em bem calor e luz a todos nos conduza a encanto «a camélia imaculada» se também a «colocarem na vossa mesa de natal»  como já em minha está por gesto amigo de Urbano Bettencourt

 

oh! o menino e a flor numa crença em que a beleza da vida renascida vence o tempo a dúvida e a dor

 

R. V.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O meu voto de Boas Festas «nesta roda alargada de amizades:NATAL EM VOSSOS/NOSSOS OLHOS


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Évora. Natividade. Francesco Mancini-A. Goulart. Natal 2012.

Leio primeiro o poema e depois olho para o quadro. Volto ao poema e volto ao quadro. Agora um e outro em estabelecida sincronia.

 

Neste momento o poema move-se para ficar iluminando o que do dia vai a tranquilidade em noite. Na paz da noite sorrir serenamente  à luz do natal-feliz em olhos de crianças.

 

R. V.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

NATAL - «eyaggelízomai»! O livro chegou! Abri-o agora: p. 314.


Venho aqui publicar este anúnicio (nuntio vobis!):

Tenho na mão e esteve já hoje à venda na Culsete  o livro Natal – verdade, lenda e mito de A. Cunha de Oliveira. No passado sábado teve lançamento em Angra do Heroísmo e por isso lhe fiz aqui uma referência, em post desse mesmo dia 15.

Por causa dessa referência, um meu amigo, ontem precisamente, a perguntar pelo livro. Tinha visto o post e pensava que… A minha pena por não lhe poder dizer que estava na montra, tinha 595 páginas e custava apenas 18 euros, preço de catálogo do editor, o Instituto Açoriano de Cultura.

No domingo, falando por telefone com a Dra. Antonieta, esposa do nosso autor, para dar-lhe parabéns por ter conseguido que afinal o livro aparecesse antes do Natal, lamentei já não haver hipótese de chegar, também antes do dia 25, à montra da nossa livraria.

«Não prometo nada, mas amanhã vou…». Milagres de quem só aceita o impossível quando dele se convence!…


Natal. Verdade. Lenda. Mito

Se, neste «anúncio», só depois vêm «anuncio-vos» e «nuntio vobis» e o grego «eyaggelízomai» logo no título, alguma razão… Isso mesmo:estava a ler a dita página 314. A seguir a essa palavra grega, explica-nos Cunha de Oliveira, o uma grande alegria, no anuncio-vos uma grande alegria de S. Lucas na narrativa do nascimento do menino-salvador, só se justifica em modo de supervenientemente, ou, se se preferir, superlativamente.

A riqueza e competência, assim tão sensíveis neste género de pormenores!...

Realmente «evangelho» é notícia de alegria. E que alegria, sem mais anunciação, o livro a chegar à livraria!

Mais não digo, que estou só agora abrindo o livro. Limito-me a deixar aos amigos leitores um convite a lê-lo, seduzidos por estes títulos dos capítulos:

I.               EXISTÊNCIA HISTÓRICA DE JESUS

II.            PRECEDENTES DA FESTA DO NATAL

III.         CRIAÇÃO DA FESTA DO NATAL

IV.          NARRATIVAS DA INFÂNCIA

V.             EVANGELHO DA INFÂNCIA.


Permitam-me, apenas, que acrescente um NB.:

o último capítulo, tendo começado na página 175 termina exactamente na página 500: Assim, o Senhor Jesus era, e é, “ Jesus de Nazaré” e não “Jesus de Belém”.

-Um capítulo de 225 páginas?

-Mas com tanto tanto para ler nos seus sub-capítulos, que…

Não é só pela informação do índice que venho a dizer isto. Podem vir comigo, por favor, da página 500 para a 444? A profecia de Isaías em 7,14.

O que não me agradaria nada era que os leitores de superfície ancorassem no ponto crucial da interpretação de uma profecia para fazerem do seu falar do livro uma polémica boateira. 
Natal – verdade, lenda e mito, dos leitores sérios se espera que o recebam como
um sério instrumento de procura e aprofundamento de informação e ideias, quer para benefício das crenças quer da ilustração sobre muito do que veio a constituir uma parte integrante e tão preponderante do processo civilizacional dos últimos dois mil anos.

L. V./R. V.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

NATAL! NATAL! NATAL!… TAMBÉM COM LIVROS em maiúsculas lado a lado com minúsculas

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Feliz Natal!

TAMBÉM COM LIVROS
de etiqueta

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Visite as livrarias independentes.

Estamos à sua espera na Culsete.

Passeie-se pelas nossas estantes e pelas nossas bancas de livros.

Vai surpreender-se com a nossa oferta, variada e de qualidade.

A qualidade vale mais

E escolhemos os melhores

 

Estamos abertos em horário de Natal

Das 10 às 19 horas

Todos os dias de 17 a 24,

Inclusive no domingo, dia 23,

Sem interrupção de hora do almoço

 

Visite a nossa livraria

Desde já agradecemos
na certeza de que
Vai apreciar
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domingo, 16 de dezembro de 2012

«LEITORES VERDADEIRAMENTE INTERESSADOS» - uns bilhetes de entrada nas «conversas transatlânticas com Onésimo» - III

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Estou de volta a Utopias Em Dói Menor. De onde volto? Da leitura de umas quantas páginas do livro De Marx a Darwin – a desconfiança das ideologias e do ensaio José Enes e a “Autonomia da Arte”: uma injustamente tardia revisitação (In Caminhos do Pensamento – estudos em homenagem ao Professor José Enes).

Quem já leu o encerramento destas «conversas transatlânticas» de Onésimo Teotónio Almeida com João Maurício Brás sabe que até fui convidado a essa digressão:

Só espero que os leitores verdadeiramente interessados consigam passar desta conversa um tanto pela rama para a leitura dos textos onde desenvolvi com mais tempo, espaço e mesmo com mais esmero as questões aqui afloradas (p. 274).

1.

O interessante é que foi difícil decidir entre voltar imediatamente atrás, para uma leitura ainda a quente de ao menos algumas partes para mim mais sensíveis ou interrogativas do Utopias e a necessidade de ir mais longe na compreensão das ideias de O.T.A. sobre dois pontos concretos: Natureza humana e Estética.

 

2.

Já agora aproveitei para também reler no De Marx a Darwin o ensaio sobre a ignorância. Um regalo, relê-lo de vez em quando, a este ensaio! Desde antes, até, de vir a capítulo de livro e pouco depois de ir a Évora com o seu autor. Uma preciosa achega para quem desde há longos anos…

A ignorância! Aprendi-me em muito aprender a viver com a ignorância. Irremediavelmente.

Pior terá sido nela esbarrar num à minha volta de ignorantes em demasia e, pior, muito pior, de ignorantes sabichões?

Porque, talvez, o pior não tenho sido…

 Chego a perguntar-me se nalgumas circunstâncias não terá sido reconhecer-me em ignorância o que me salvou a vida!

3.

Na verdade, em que sentido poderíamos falar de uma unicidade de conhecimento se, para qualquer lado que nos voltemos, nos deparamos constantemente com fragmentos, divergências e caminhos aparentemente irreconciliáveis? (De Marx a Darwin, p.91)

4.

Talvez, neste ponto dos bilhetes, depois de ir ler o que OTA não aceitaria de um tanto pela rama, possa perguntar aos leitores verdadeiramente interessados: este Utopias é um livro académico viciado pelo humano ou um livro humano viciado pelo académico?

É que…

Para mim, já que perguntei respondo, um e outro juntos aqui estão no muito certo.

É comum interpenetrar os dois em livros semelhantes. De momento recordo-me dos casos de Karl Popper, Jean Guitton, Mircea Eliade e Hubert Reeves. Boas companhias para o nosso Onésimo.

5.

Por natureza humana e estética do académico fui a outros livros. Agora, de volta, sem que menos preze o académico, estou no bom momento para destaque do humano

Sei de vários amigos comuns que nestes últimos dias se foram adiantando na leitura do livro. Por isso vou pedir que, em respeito, admiração e homenagem a um homem cujos sessenta e seis anos já nos permitem uma séria e serena avaliação de percurso, leiamos em uníssono esta passagem:

Acho que posso dizer que a vida foi-me acontecendo. É óbvio que as minhas escolhas resultaram e resultam de valores, gostos, preferências. E esses eu tenho-os. Talvez porque nunca me senti ameaçado na minha existência e na minha maneira de ser, procurei e vi-me sempre num lugar natural que corresponde ao meu modo de ser. E, no que estiver ao meu alcance, terei sempre a preocupação de deixar tudo um pouco melhor do que quando cheguei. Que aquilo onde eu puser as minhas mãos ou até onde chegar a minha presença, possa de algum modo beneficiar dela (p. 204).

6.

O uníssono que pedi para a leitura desta página, imagino-o agora a prolongar-se em nova leitura, comovidamente solitária e silenciosa, incluindo, talvez, a do seu próprio autor, participante habitual que é «nesta roda alargada de amizades».

Desculpa, Onésimo…
É que se me impôs ao sentimento este vir relê-la, a esta página, precisamente hoje, um dia em que o humano é chamado a maternalmente afirmar que não se é mais humano por se viver na contemplação das misérias do mundo, sobretudo se a solução dos problemas nos escapa por completo (p. 155).
De modo que acho preferível passarmos os dias de maneira mais construtiva…

A nossa vida é muito curta(p. 154).


R. V.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Novo livro de A. CUNHA DE OLIVEIRA

Natal. Verdade. Lenda. Mito

O autor aborda nesta obra: «o que humanamente caracteriza o Natal – esta inefável aspiração ao renascimento – é anterior e independente do nascimento do Senhor Jesus de Nazaré. Não foi, pois, o Cristianismo que criou a Festa do Natal, mas ao contrário: em Roma, a celebração pagã do Natalis Solis Invicti a 25 de Dezembro de cada ano (quando o Sol principiava de novo a estar mais tempo acima do horizonte) é que deu origem ao ciclo festivo do Natal cristão. Tanto assim que, só à volta do ano 330 da nossa Era, e nunca antes, principiou a celebrar-se o nascimento do Senhor Jesus».
http://www.iac-azores.org/newsletter/2012/38.html

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

MAR EM SORTE – IV

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Foto de URBANO BETTENCOURT – 14.Dez.2012

em perto por suas forma e cor a beleza natural florindo em meu olhar e em fundo o mar ainda e sempre o mar num agora a vê-lo por uma janela de inverno em sossego

como hei-de no pelo meio ignorar nem tanto os fios mas os postes que os suportam tão ofensivos à arte causando ofensa aos meus modos de crer na harmonia entre cultura e natureza

pergunto se merece a tolerância devida aos aprendizes de qualquer uma das artes o pequeno criador que a natureza em si e para si mesma por entre sua misteriosa maravilha de em processo existir veio a criar como de certo modo um filhote

em minha sorte de em toda a vida ver o mar como se de calvino mas sem desistência um senhor palomar talvez receba uma resposta de crente

o sorriso do crente no momento repetido de até ao fim aceitar que em criação da pura liberdade inteligente no seu breve tempo em pleno não seja amor a justiça e beleza o feito um e outra casados em bem

R. V.


P. S.
- Há sabor a excesso?
- Oh!, sim!
- Vamos dividir as culpas entre o que chega ao olhar e o olhar que se lhe achega?
Com a arte do por estes dias falecido grande mestre de sitar a oferecer para as culpas perdão?
http://www.youtube.com/watch?v=-KXk_8_8oLY

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MAR EM SORTE – III

o mar que tome por ilha uma roda alargada de amizades em sorte há-de colher de lágrimas comovidas o sal mais precioso para as ondas com que vai beijar a beira da maré


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Do blogue UM JEITO MANSO


quem não soube de mar por ondas mesmo com mar manso bravias talvez não possa acreditar que o sabor que elas deixam se grava para sempre na memória


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Foto de ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA – FAJÃ DE S.JOÃO – Agosto.2011


como um dom pelo mar oferecido a durar na viagem de até ao fim do futuro mar amigo ondulando para que em búzio se ouça numa roda alargada de amizades


R. V.

MAR EM SORTE - II

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Foto de SILVÉRIO MEDEIROS MACHADO – FAJÃ DO CALHAU

 

se um preso tem postigo por onde ver o mar nele vendo pelo que foi quem é deve proclamar que voltou ao paraíso terrestre

 

em livre ou em preso ao paraíso volta sempre neste vaivém entre paraíso e inferno  em que os normais destinos se fazem história pessoal e colectiva

 

ah! o tapete de pedras em calhau rolado sua perfeita forma e diverso volume a convidar para o momento de sentir como é liso e é sólido um corpo afeito ao conhecimento das ondas

 

se um preso tem postigo por onde ver o seu mar ao silencioso olhar responde partindo das pedras como sua vantagem

 

o marulho da paz que embala o sentir como a barco de vem e de vai que daquilo que é procura o destino em viagem por si

 

R. V.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

MAR EM SORTE

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Foto de URBANO BETTENCOURT – 9-DEZ.2012

 

não creio na sorte se soubesse o que por dentro isso é talvez cresse e até  me convenceria talvez talvez de que afinal a  questão relativa não era  sermos como somos em grande ignorantes do que vai acontecer

 

o tanto que nos vai obedecendo ajuda a não permitirmos que a ignorância use o seu nome e encobrimo-la em sorte muito mais do que o tanto à sorte confiando

 

depois que nos aconteceu o apagar dos faróis os dias do mar deveriam ser apenas de luz e brisas e não também de noite e ventos de rasgar velas e levantar as ondas de ir ao fundo

 

ao criar por viagem além-horizontes mesmo que o barco pequeno e o mar sem limites avistaríamos a ilha da paz e aí a luta com as mancheias de incerteza por sorte em sossego

R. V.

domingo, 9 de dezembro de 2012

QUE LIVRO É ESTE «Ó NÉSIMO?»: - uns bilhetes de entrada nas «conversas transatlânticas com Onésimo» - II

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Onde está o meu pensamento nesta precisa hora, é no bar-foyer do Cinema S. Jorge, em Lisboa. Dezoito horas e vinte minutos de 8 de Dezembro de 2012.
http://papelamais.blogspot.pt/
http://graphias.penclubeportugues.org/2012/11/lancamento-de-utopias-em-doi-menor-nova.html

1.
Se a oportunidade de uma pergunta me fosse oferecida, na sessão de lançamento de Utopias em Dói Menor, acho que faria grande sentido, para além de ter alguma piada, que ela assim fosse: «que livro é este, ó  Nésimo?».

Já ultrapassei a p. 120 em que estava quando gatafunhei o bilhete anterior. Como não iria ao lançamento, aprazara para hoje, o mais tardar, completar a minha leitura desta «conversa», não terminada na p. 274, mas apenas suspensa por este dizer: pelo menos a que  vai figurar em livro.

-Faltam?

- Quase cem paginas!?

Lá irei, sim! Tem é de ser ao ritmo que…, sem que deixe de ser ritmo de paixão…

 

2

Acabo de ler a pergunta e resposta sobre Antero, p. 189-191. Podia vir directamente para o teclado. Não vim sem trazer para ao pé de mim o Que Nome é Esse ó Nésimo?, porque o título para este bilhete me atacou, embalado em passeio de bicicleta e viagem de barco, na leitura de umas páginas atrás , 171 e 172.

Fiquei arrepiado ao ler o que aí é dito, por vir à conversa a determinação de uma posição assim tão prática e tão teórica, que… («há mistério no meu rio / o mistério de assim ser / sem um antes ou depois / da condição de correr» - escrevi um dia…). Do equilíbrio em movimento e da capacidade de refazer para aguentar viagem saltou a pergunta «que livro é este, ó Nézimo?»: vida e teoria sem divisão de capítulos. Por aqui, talvez, a resposta à pergunta que não farei no S. Jorge.

 

3.

O brincar com o título do livro de crónicas, saborosíssimas crónicas, Que Nome é Esse Onésimo?, não o quis inocente. Por acaso…

Abram, p. f., mais ou menos ao meio, a crónica da p. 87 e sgs.
Abri ao acaso e comecei: Foi na minha adolescência que pela primeira vez ouvi uma rechonchuda prelecção sobre a superioridade da cultura geral portuguesa comparada com a estreitíssima mentalidade americana fossilizada em pormenores, mas completamente à nora em cultura geral. Etc..

Aparentemente nada a ver com a minha leitura de Utopias em Dói Menor… Mas não vou em dispersar-me…

 

3.

Confirmo: é um livro incomum, na bibliografia portuguesa, este Utopias em Dói Menor. Tenho tentado desmentir-me ao longo destes dias, mas volto ao mesmo. Não me vou alongar nas justificações do que digo. Posso é trocar ideias com alguém que depois de o ler queira honrar-me com uma conversa.

Tenho de agradecer sem reticências ao João Maurício Brás por ter metido o nosso Onésimo nesta arriscada aventura.

-De barco, de bicicleta, de avião ou de internete?…

- Chegou e aqui está!

Um Onésimo mais inteiro do que nunca, aquele que aqui tenho vindo a encontrar. Digo isto com orgulho e faço-me de autoritário atrevido para não me recusar a dizer, aos que são, como eu, incondicionais do Onésimo, «critiquem-no!» e, aos que o olham de soslaio ou por cima do ombro, «não se ponham a catar pulgas, leiam e vão lendo, depois falaremos».

Mas lá que estamos perante uma aventura arriscada, isso é que estamos. Digo-o porquê?

Já disse que de muita amizade, não apenas curiosidade, a minha leitura. Quando um dos nossos entra num qualquer desafio de evidentes exigências, como reagimos, ao assistir? As nossas ovações não precisam de ignorar os riscos que, ao serem corridos, tornam a prova valorosa. O Onésimo expõe-se em alto nível e em lhana conversa. Um livro incomum a vários títulos. Vai dar que falar. Vou estar atento.

R. V.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

«A ÚLTIMA UTOPIA POSSÍVEL»: uns bilhetes de entrada nas «conversas transatlânticas com Onésimo» - I


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A muita erudição de que precisa quem quiser entrar com autoridade nestas «conversas transatlânticas com Onésimo»…
Assim, em reticências de frase incompleta, iniciar uma série de bilhetes ao correr da leitura de Utopias em Dói Menor. Não por concessão à mania das reticências. Antes de mais para estar atento ao uso delas neste livro. A determinante intenção, porém, é mesmo sublinhar quanto a muita erudição de Onésimo Teotónio Almeida salta para a conversa. Num livro destes necessariamente. Todos os seus diversos interesses e preocupações de um intelectual de profissão e de um apaixonado homem de cultura.

Leitores como o nosso Onésimo não encontrei. Alguns parecidos, sim. E se, como livreiro a meu modo, me sinto feliz quando encontro um leitor de alto nível!
Tudo isto a levar para dois pontos prévios:
- quem no país é considerado um intelectual, se não se interessar pela leitura deste livro, só pode ser por uma de duas razões e qualquer delas a puxar para a perda dessa consideração;
- uma das conhecidas contribuições do Onésimo para o enriquecimento do diálogo intelectual é poder dizer, quando aparecem importâncias a descobrir a pólvora, que apenas estão a repetir ou por falta de erudição ou por desonestidade.

Em leitura seguida, após aquele meu habitual saltar daqui para ali, vou agora na página 120. Parei e saí para este primeiro de uma possível série de bilhetes, que inicio em proposta sem compromisso, nem comigo nem com ninguém, só por gosto, também por muita amizade e muito, muitíssimo, interesse. Ia em dizer que sobretudo muitíssimo interesse, mas não é bonito que a palavra interesse se sinta preferida à amizade, o que não significa menos liberdade de discutir, quando… Pelo contrário. Como me poderia imaginar em algum atrevimento de discussão a não ser com base na amizade? Não escrevo nem do alto nem do baixo da ignorância: nem presunções, nem modéstias. Do meio, isso sim, do meio da minha ignorância. Não por não ter pensado muito sobre algumas delas, no meio da imensa variedade de questões e situações que aparecem neste livro. É por causa da redução à insignificância que é obrigatória nas discussões que sem uma vasta erudição não são sustentáveis nem admissíveis.

Discutir, sim, mas documentadamente.
Utopias em Dói Menor dá para muito discutir.
Um voto: que de facto provoque muita discussão entre os intelectuais portugueses, não apenas os muitos que estão próximos e são grandes amigos do Onésimo, mas em geral.
Documentadamente!

Estou voltando à página 120:
Apanhei o gosto de me atirar directamente aos autores e esquecer uma pecha portuguesa de ler “livros sobre alguém» por pensar que…
E se o caso não for visto por esse lado?
Depois, então, discutir… 
Agora vamos é a ler o livro..., atirar directamente!
R. V.

«O QUE É ESCREVER PARA CRIANÇAS»

http://papelamais.blogspot.pt/

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

SEM VOZ NEM ARREIOS PARA CAVALGAR

I

Sublinhar estas passagens:
«O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

(…)

Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.

É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.»
.

(Carta aberta ao Primeiro- Ministro tendo como signatários figuras públicas reconhecíveis a vários títulos, da política às artes e às ciências.

Fonte: o blogue do respeitabilíssimo e muito autorizado amigo Doutor José de Medeiros Ferreira, http://cortex-frontal.blogspot.pt/2012/11/a-carta-que-o-cortex-assinou.html).

 
II

Nos quoque

Não, não continuarei… Para esta cavalaria sentir-me gente? Eu?  Non sum, não, claro que não!

Sei muito bem que nem voz nem arreios me autorizam… Posso, porém, no muito máximo da minha caminhada de peão, vir dizer aquilo que saltou para raiva, depois de ler esta carta e ver quem a assinou. Ao menos sentir-me aqui à vontade, «nesta roda alargada de amizades»… Talvez não seja atrevimento sem perdão…

Não raiva contra as pessoas, evidentemente, mas contra a geral impotência de se fazer a mudança de carris, os fixos carris, antes e acima da discussão sobre o comboio em seu andamento. O descarrilamento é saída, bem má saída dos carris. Dá desastre. E se os carris vão dar a um abismo? Há que mudar! Mudar antes!

Custa-me a crer que pessoas de seriedade indiscutível venham continuando a insistir nestas ondinhas a beijar o areal! Será que acreditam em que desta acção pública resulte mais alguma coisa do que uma pequena achega ao alarido? É uma tomada de posição contra o andamento da governação. Isso é um direito que pode ser assumido como dever e é certamente um válido contributo para sabermos com que apoios pode contar quem possa e queira efectivamente abrir caminho para uma situação melhor, nova, respeitável, libertadora. Mas…

Chega a ser ridículo o muito que dizem as pessoas que as agulhas não mudaram ou atacaram com eficaz autoridade.  Sabem muito bem que, pelo modo de governar apropriado para situações de paz, não se pode querer vencer uma guerra.  Voltar a ditaduras? Nunca! Claro que nunca! Mas há muito quem seja capaz de governar melhor do que quem não consegue fazê-lo nem libertar o aparelho dos seus parasitas, surprindo com outras pessoas devidamente autorizadas o seu não ser capaz.

Todos sabemos que os partidos não têm possibilidade, em seus jogos de poder e falta de autoridade, para endireitar as coisas com a serenidade, competência, firmeza e celeridade que a gravidade da crise está a exigir. Nem é nada fácil, quer por obstruções internas quer externas. Mas é preciso e, portanto, há que tornar possível.

III
Esta parece-me uma visão que pode surgir de um momento para o outro no nosso sentir de povo... Até que, não sei… Se calhar, entre muita gente do povo, já se sentirá…
Com novas eleições nada se iria resolver e durante o período eleitoral a situação entraria em perigosíssimo descontrole. Não há lugar para simplesmente se pedir a queda deste governo e voltarmos a eleições. Isso já se fez com o governo anterior e está a ver-se. Estamos pior. Em situações excepcionais não servem as regras comuns. Então como é que?... E eu é que vou e posso responder?

Regozijei-me com o 25 de Abril e à minha parte de povo não faltei. Mas quem  o fez, propriamente? Então é de um segundo 25 de Abril que precisamos? De modo algum! Não se repetem esses dias. Precisamos é da autoridade, competência, maturidade intelectual, moral e política  de que o país está bem provido, mas que…
Falta liderança.

Para quê esperar que o comboio avance mais, se o alarme se ouve tão claramente?  
Por todo o lado e, com  o seu  não querer o País para o abismo, também nesta carta.
R. V.