domingo, 24 de novembro de 2013

MANUEL MEDEIROS PARTIU HÁ UM MÊS

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Foi há um mês que Manuel Medeiros, o Livreiro Velho, como gostava de se chamar, partiu. A sua obra, porém, ficou. Ficou a Culsete, a livraria que sonhou com a companheira. Com ela soube conduzir a empresa contra muitos ventos e tempestades de vária ordem. Com ela definiu rumos de futuro para a empresa. Por isso a Culsete aí está. E estará…
Ficam também os seus escritos, tanto a poesia como a prosa, de reflexão, de opinião e polémica. Ficam ainda as narrativas curtas que algumas vezes tivemos o prazer de ler neste blogue. Encontramo-lo sempre nos seus livros, em jornais e revistas ou nos seus blogues, neste e em http://papelamais.blogspot.pt/.
Vamos, pois, poder continuar a ouvi-lo, lendo-o, podendo retomar sempre que quisermos o exercício de concordar ou discordar das suas ideias e opiniões. Só este blogue se calará a partir de hoje. Porém, as notícias da Culsete serão dadas em https://www.facebook.com/pages/Culsete/570799179608865?ref=hl , sendo retomadas no blogue Papel a Mais, que irá, eventualmente, dando a ler, sempre que for oportuno, alguns textos de Manuel Medeiros espalhados pelos seus famosos cadernos cinzentos. E nunca se esqueça das suas palavras: “ler, ler muito, ler sempre. E depois continuar a ler, ler muito, ler sempre. E ler e ler, ler muito, ler sempre.”

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

em minúsculas


 BeM
SaBeS
uma noite
esta noite

esta noite precisamente
a nada nos dizer que depois a lembre

a falta que isso nos fará
ou ''ri-te''

R.V.



terça-feira, 24 de setembro de 2013

em minúsculas

   BeM
SaBeS
de onde me encarcero
                                   teu amor me liberta
                                                               r.v.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

AINDA É HOJE (1)


QUANDO ACONTECE

O meu desprezo pela espécie humana nasce e cresce a partir de factos, por mais que depois se acomode entre emoções.

O respeito e a paixão, esses apoiam-se em razões, nascem dos afectos, consolidam-se na necessidade, mas precisam mais e muito de alimentar-se do que acontece.

O que acontece!
Antes que passe!

R. V.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 de Setembro - ANTERO - A Paixão na Morte


A escolha aos quarenta entre o poeta e o filósofo, obediência à radical paixão
que santificou a vida e deu à morte a lógica serena.
A generosa e inteira paixão pela Humanidade.
Humanidade em progresso, educada, instruída, libertada.
A Humanidade da Justiça, de toda a Verdade, de toda a Beleza, de todo o Bem.
É tão difícil à lógica fundamental da vida dominar a lógica da razão quando a lucidez da grande inteligência fixa em abismo uma total desilusão de uma paixão de altitude celeste...
Entre enviar a carta do regresso definitivo de S. Miguel e a compra da arma naquela manhã de 11 de Setembro de 1891, a escolha de escritos a regressarem com ele? E foi aí? Terá sido? Não foi?
Já o avô antes de morrer queimara os seus poemas...
Dez anos de vida e sempre a lutar contra os males de saúde e...
Uma paixão, uma desilusão, dois tiros na boca.
11 de Setembro o dia do Respeito, simplesmente respeito, sem adjectivos. Pena? Pena de se ter perdido um tesouro maior. Contra o fogo em papeis de autor. Nunca queimar! Que se enterre! Queimar é que nunca.
11 de Setembro, o Dia do Respeito, desde, em Verão, o ano de 1951.
R. V.

CARIL DE PEVIDES 1


POETA NÃO
Com perguntas a um cá-há por esta vez não lá...
dor estomacal
outra vez em mal
                                os gazes e ranho
                                arrancam cabelos
                                à disposição
comprimido à paz
quem é que mo traz?
a luta se ganho
a gazes e ranho
a quem agradeço
este alívio que peço?
dirás que no faço
da minha oração
em doente passo
poeta é que não?
poema é de nada
poema é de tudo
se a arte lhe é dada
                                   ou nisto me iludo?
R. V.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

CONCORDÂNCIAS



SE ME VIRDES COM LLORCA

Vine a este mondo com ojos
y me voy sin ellos.
Señor del mayor dolor!

Amigos por quem perguntais
aos meus ouvidos surdos?
Señor del mayor dolor!

Ai! a memória! E se não mais
com recordação do vosso rosto
da vossa voz
do vosso riso?
Señor del mayor dolor!

Vossa amizade em sinais!
Ao confortarem-me a sombra
vou falando gratidão
y no me voy sin ellos.
Paciente espero mo concedas,
Señor del mayor dolor!

R. V.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

4 de Setembro . CULSETE-40 anos



CULSETE-40 ANOS
Constituiçao: 7.Julho.1973
Aquisição daCuldex: 4.Setembro.1973
Abertura ao público: 1.Outubro.1973

Continuando a comemorar com os seus leitores e amigos o 40.º aniversário, a Culsete está neste momento a organizar, com o precioso e imprescindível apoio de José Teófilo Duarte, uma exposição subordinada ao tema OLHARES SOBRE A LIVRARIA, onde várias personalidades que trabalham em áreas artísticas simultaneamente díspares mas próximas como a banda desenhada, a fotografia, a ilustração, a pintura, o design, se prestaram a deixar ver o seu olhar sobre a livraria. Em simultâneo, serão mostradas fotos e outros materiais inéditos do acervo privado da Culsete, nunca antes dados a ver. São propostas de distintos e polissémicos olhares que pretendem provocar leituras várias. Quanto aos nomes dos artistas, serão divulgados oportunamente.
Esperamos ter despertado a vossa curiosidade sobre a Exposição OLHARES SOBRE A LIVRARIA. Queremos encontrar-nos convosco no próximo dia 13 de Setembro, sexta-feira, às 18:30 horas na Casa da Cultura, em Setúbal, para a inauguração da exposição. Haverá espaço para sorrisos, conversas e, quem sabe, algo mais.
F.R.M./M.M.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

BUZIO


FAJÃ DE SETEMBRO

se me lembro
de setembro

comem-no por inteiro
minhas uvas de cheiro

R.V.

domingo, 1 de setembro de 2013

CONCORDÂNCIAS


adoração universal tu com todas as coisas todas as coisas contigo num momento de noite silencioso até ao infinito do olhar e do ser

os pontos luminosos constroem para a expansão do sentir concordantes distâncias tudo num assim de não para quem mas com quem

no exílio confirmado de incertezas conforta-me a serenidade do momento silencioso da noite em libertador dos presos de si mesmos

R. V.

sábado, 31 de agosto de 2013

TRADUÇÕES


AO RELÓGIO 
CERTO DO AVÔ

em ritmo
ao tempo
não vais
vencê-lo
Tradução
atribuída ao sábio
Manuel José de Resendes
Séc. XIX
com ritmo
ao tempo
por ti
vais tê-lo
R. V.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES


DUAS PERNAS PARTIDAS NUM IPIRANGA
-Respeito pelos comentários ao post anterior -
Só voltar aqui agora, vinte e quatro horas depois, e em vez de tomar o habitual chapéu, enfiar um atrapalhante barrete...
Peço desculpa amigos. Concordo: uns abusos, umas desordens, conseguem criar, depois do susto ou abalo, uma bela distância entre o momento do grito e o da risada. Mas cuidado com os exageros...
Já disse: excesso, sempre; exagero, nunca. Às vezes, tiro ao lado, e desta vê-se que...


Nesta Roda Alargada de Amizades muitos sabemos que estes não são exactamente os meus dias. Sinto-me, quis-me e quero-me num extra-tempo e encontrei em Fidelino de Figueiredo, também meu mestre entre muitos outros, aquilo que julgara ter inventado. Não tenho emenda! Estou sempre em saber que não invento nada que..., mas não tenho emenda.


Quase igual, não bem igual, mas, claro...
De moribundo, moribundar – escrevera numa roda restrita de amigos, pouco depois de mais um regresso ao meu ir de passo em passo (Pedir-me mais um pouco de coragem/para a verdade inteira da viagem/que sempre se promete a mais um passo./Simples saber o que sou e o que faço/e transmitir nos olhos em abraço/tanto sentir que estou só de passagem).
Dois dias depois do meu moribundar escrito, isto tudo há poucas semanas, pus-me a reler os ensaios que Fidelino escreveu nos seus dezasseis anos de ir perdendo as capacidades motoras. Lá estava: moribundear. Daí tirei moribundeio. Dicionarizado, nada encontrei.
Conto com a vossa compreensão: não tenho neste momento acesso ao livro. Um destes dois, creio: Um Homem na sua Humanidade, Diálogo ao Espelho.


Moribundear é ondear entre cá e lá, para a frente para trás, para baixo para alto. Mas sem ficar lá nem segurar cá – moribundeio.
Quando vou de cá para lá, é levado de todos e um... Mas também quando é para cá, como venho agora, nestes dias de bons momentos, é cá um brotar de satisfação, de bem querer mais à vida do que mais vida, que uma pessoa até sente que deve agradecer o muito que aprendeu...
Pano para mangas, como talvez esteja a dar para ver. Eu gostaria. Para compensar o destarelo de uma imaginária partida de pernas contada em mal acabada brincadeira sobre o pormenor sem interesse literário de andar preso: antes preso das pernas (no caso de Fidelino foi até o corpo todo; Matilde Rosa Araújo, jovem professora amiga da esposa, a dar-me conta...).
Ia a dizer que antes preso das pernas, aqui sentado a teclar desordens...
Moribundeio em vista parada nos tantos e quase todos os casos tão perto e na mesma a arrastar os pés? Muito isso ao meu lado...
Sem pernas para voltar aos meus picos e rochas, mas neste contentamento de ir andando NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES, se não voltar a pisar o risco, preocupando quem me estima, posso continuar nesta de quando venho ao de cima ver se não me coudeço muito de mim próprio, antes me divirto a olhar para a aventura que foi ultrapassar, mais uma vez, um precipícios e a «dita»?
É que no ponto em que estou … Bom! Isto por hoje...
Bem! Já estou a pensar se este desfazer de asneira não será outra. De qualquer modo, Nesta Roda Alargada de Amizades, não vou de modo nenhum esconder o que não será bem visto por outras gentes e aqui entre nós o que disser está dito, mesmo que tenha de emendar, como me obrigo a fazer constantemente...
R. V./M.M./V. L./L. V.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

DESORDENS & ABUSOS


Canta, Liberdade! As duas pernas partidas! Livre! Livre! Toda a gente, médicos, enfermagem, auxiliares que bem me querem, todos de roda de mim para decidir depressa: amputar para prótese ou operar para ficar com estas velhas amigas das minhas rochas e picos. É que estão muito bem partidas. 

Estás em risco de não se conseguir aproveitar nada, mas tu é que tens de decidir. Já disse, nem uma coisa nem outra. Pernas partidas, as duas, é com o que me quero no ponto em que estou. Fechem as veias e deixem o resto por minha conta. Amanhã explico, agora não. 

A família em choro, mas a pensar: o que é que ele quer dizer com isto? Já soube – digo para botões. Ainda sei o que o isto quer dizer, mas esqueci-me das palavras apropriadas, adequadas, capazes, fiéis às ideias ajuizadas e às loucas. Perdi-as durante o dia... Isto para a noite... Se amanhã de manhã voltarem, talvez volte com elas. Eih! Mas para quê?
R. V.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

AGOSTO FORA


as coisas que são como deviam ser
às vezes também atrapalham
é como uma estrada que andava a ser pavimentada
vais por ela ganhas velocidade
finalmente até que enfim agora sim

pum! pum! pum!
pavimentação suspensa
os antigos buracos

ao passar ano após ano nas férias de agosto
cuidado cuidado
ziguezague ziguezague
já te habituaras cá estão eles tu todo animado
de repente sofres este aguenta praguejas duro schi! que berro!

apanhas o lado bom das coisas
sabes apanhá-lo contra a atormentada bicheza que bebe água
sempre a tirar o focinho e a olhar para os lados
sabe-se porquê é evidente a lei da sobrevivência no lado mau das coisas

essa mania de apanhar à partida o lado bom
sempre a acreditar que a inteligência manda melhor
está bem está bem

mas depois é assim
quatro pneus rebentados de uma só vez
olha salvou-se um dos carecas
são só três

R. V.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES

...dame la vida...

NASCEU O ESPERADO

 

do teu grande e continuado esperar sem fé esquece tudo

e da legenda que vai restar para os girassóis tira para sempre o não.    

diz a todos os que amas que a vida é um milagre.     

vais contá-la em tempo?     

antes a contes em momentos de felicidade

os teus inúmeráveis momentos felizes

que te veio a conceder por entre pathos e thanatos 

a pequena  liberdade de ti a que acedeste

R. V.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES

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NA PEDRA DA ESQUERDA
15 de Agosto é um dia bom para me enlevar na revisitação deste lugar através destas duas belas fotografias tiradas ontem e enviadas hoje pelo Onésimo. A distribuí-las em sua genial capacidade de comunicação, tão excessiva em quem anda sempre ocupado, quão amiga e generosa. Digo isto e já estou a pedir outra fotografia para daqui a um ano, quando voltar ao sítio e quando se espera que na pedra da esquerda já tenha sido implantada a frase do nosso Fernando Aires.
Reeditados que forem os diários deste senhor das letras açorianas, que nos deixou para sentirmos da sua sensibilidade amiga esta tão forte saudade, então será fácil de avaliar todo o sentido do que para aqui estou trazendo. O sítio da Galera no lugar da Caloura, freguesia de Água de Pau, ilha de S. Miguel, nos diários de Fernando Aires...
R. V.

AO OLHAR PARA O LADO DIREITOimage
P. S. 15 de Agosto um dia bom por outros e também por este motivo. Em moço, as grandes Festas da Senhora dos Anjos levaram-me a passar uns dias em casa dos primos do Fernando Aires e a casa e vinha deles na Galera pela primeira vez me prenderam por si, pela sua vista, pela sua beira-mar selvagem... Anos cinquenta. Ainda nestes, um acantonamento/acampamento... Quinze dias por ali, pela Caloura, a partir do recinto do convento e de uma casinha com quintal, junto ao porto, para cozinhar e comer...
Cá está a prova da velhice... Esquecido, esquecido, mas quando aparece algo a abrir o neurónio, aí as sinapses a trazer tudo para o ecrã! R. V.  

domingo, 11 de agosto de 2013

CONCORDÂNCIAS

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GRANDES ÁRVORES BOA SOMBRA

 

a mão de pedir e esperar da vida algo mais

do muito que desejo aconteça

não a posso estender a meses e anos

 

já dói tanto o cada dia

que ao menos se contente com semanas

 

se o que digo é para ti loucura

vivê-la-ei à sombra das minhas recordações

de quantos já morreram e muito estimava e admirava

 

tentando com constância dominar o instinto

a consciência exige-me que serenamente

siga o mesmo destino

 

humilde cumprimento agradecido

da lei que me ensinaram

e do exemplo que deixaram eles os importantes

com quem aprendi a minha insignificância

 

R. V.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

URBANO TAVARES RODRIGUES, O GENEROSO E HUMANÍSSIMO URBANO

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Urbano Tavares Rodrigues era uma personalidade riquíssima. Muitas pessoas, as mais diversas, podem testemunhá-lo. Por isso, onde melhor o reconheceremos, agora que partiu? No notável jornalista? No inteligente e atencioso professor? No escritor perfeito? Talvez concordemos em que o devemos admirar antes do mais como HOMEM.

Momentos bons para lembrar hoje, em tão sentida quão suave despedida, os momentos de convívio com Urbano Tavares Rodrigues, o generoso e humaníssimo Urbano.        
De há muito que todos esperavam a notícia do passamento deste eminente vulto das nossas letras, tão eminente que são muito raros os grandes da Literatura Portuguesa com um uso da língua tão sem mácula. Resistiu e sempre dedicado à escrita.

Urbano Tavares Rodrigues tinha clara consciência da fragilidade em que a vida se lhe vinha prolongando. Da experiência dessa sua situação, pela simplicidade com que dela falava, fica-nos, em muito respeito, uma grande lição.

R.V.IM002666

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

DESORDENS & ABUSOS

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Foto de A. Goulart . 7/8/13

A ERVA DANINHA TOMA CONTA DE TUDO
a escrita inútil chega até aqui facilmente
porque não tenho poucos têm defesas suficientes
contra a sua disseminação

a escrita inútil que sinto irromper
por todo o lado
em toda a escrita
de tudo o que tens para dizer
de tudo o que me sai da pena

oh! estes dias em que sinto irromper
por todo o lado a escrita inútil
e por isso me calo
e por isso me calo
e por isso me calo
e por isso não sei
dizer-te a verdade
a pequena verdade
a inteira verdade
que a vida retém
enquanto é vivida
enquanto aqui estou

R. V.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MESTRE JOSÉ ENES: RECONHECIMENTO

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E que saudade que sinto desse tempo! Que reconhecimento pelo muito que aprendi e partilhei com o José Enes! Mas a vida é assim: termina na morte.

(Cunha de Oliveira, Diário Insular – 3.8.13)

Para algum dos visitantes deste meu blogue que se sinta interessado em ler um estudo sobre José Enes, ele aqui vai referido num post da autoria de Nuno Viera, antigo aluno do Seminário de Angra:   
http://www.rtp.pt/icmblogs/rtp/comunidades/?k=O-Dr-Jose-Enes-Em-Analise-do-Dr-Miguel-Real-NUNO-A-VIEIRA-12.rtp&post=23243.
A muita gente se impõe o dever de um sentido reconhecimento, nestes dias de luto (http://www.publico.pt/cultura/noticia/morreu-o-filosofo-e-professor-jose-enes-1602057).
Muita mais gente não sabe ainda quanto deve a José Enes. Estude-se a obra dele e conclua-se (Como estudá-la? Como é possível que a obra de um filósofo desta envergadura não esteja disponível, editada em Obra Completa?).


Quanto a mim, acho que não chego a alcançar quanto em minha vida traz a marca de José Enes, impressa n
esses anos de me fazer adulto: dos quinze aos vinte e dois anos, de 1951 a 1958.

N
osso professor nos três anos do curso de Filosofia e eu previliado pelos colegas como aluno orador no sarau das festas de S. Tomás. Orientação muito cuidadosa do professor durante os primeiros cinco meses do ano lectivo.
Logo de seguida os anos dos jornais Pensamento e Euntes, a cargo dos alunos do Curso de Teologia que iniciámos em  1954-1955. Os Jornais eram escola para nós, mas eram dele, Mestre José Enes, por serem  iniciativa sua, a que se dedicava com empenho e constante acompanhamento. Sendo para além disso o nosso prefeito, o que significava uma quotidiana presença que estendeu até a tomar as refeições connosco.
Impossível esquecer!
Muito mais impossível porque, dados os encargos que me couberam, quer logo no início do curso, quer depois nos jornais, tinha de estar muito em contacto com o Mestre.
A intensidade com que se viveram esses anos, iniciadores de tanta coisa que veio depois!  Com José Enes a trabalhar até à exaustão… E nunca lhe fomos bater à porta que se mostrasse indisponível, pelo contrário, tinha plena consciência de que era o nosso mentor e do quanto querí
amos ouvi-lo e aprender com ele. 
                                         
Muitos tiveram tanta sorte como eu. Esses percebem o que, para além de consignar o meu reconhecimento, quis vir r em destaque: a vastidão da obra magnífica e fecunda de José Enes. A sua valiosíssima obra escrita e também essa sempre tão grandiosa obra que é construir pessoas e abrir os caminhos que
outros percorrem.

Para sempre obrigado, Mestre José Enes...


Setúbal, 4 e 5 de Agosto de 2013
Manuel Pereira Medeiros

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

GRATÍSSIMO!

DIPLOMA LIVREIROS DA ESPERANÇA:

1 de Agosto – 1 de Outubro

 

Grande surpresa! Era para ser surpresa? Foi mesmo e muito, muito agradável:

atribuírem-nos o Diploma Livreiros da Esperança. Em meu entendimento, um dos melhores galardões para qualquer livreiro nas minhas circunstâncias: fim de carreira e em curso a comemoração dos 40 anos de actividade da livraria.

Um dos melhores galardões por partir de dentro, das Gentes do Livro. Estamos todos num mesmo barco (Rosa Azevedo).

Se tivesse tido conhecimento prévio, pediria para não se avançar, pelo simples motivo de que, como gente da casa, sinto-me preso à maior discrição.

O movimento Encontro Livreiro é já hoje uma esperança da renovação do conceito e acção da livraria neste momento de encruzilhada civilizacional. Espero continuar a reflectir com os visitantes dos meus blogues sobre as livrarias e as suas perspectivas.

Aqui e agora só uma palavra de fraterna e grata aceitação da simpatia e consideração que esta agradável atribuição excepcional do Diploma Livreiros da Esperança significa, tanto para mim como para a Fátima, minha querida companheira de vida e sonhos que, apesar dos seus próprios ofícios de professora e investigadora, foi sempre o meu grande apoio, juntamente com os nossos filhos.

A quantos, logo neste 1.º dia, já subscreveram a iniciativa e a todos os que venham a subscrevê-la, mas muito especialmente, como é justo, ao grupo de liderança do movimento Encontro Livreiro o nosso BEM HAJAM!

 

O Livreiro Velho,
Manuel Medeiros


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