domingo, 13 de janeiro de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES


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Foto carregada de paismodernos.com.br


TEMPOS DE CRENÇA

EM AMIGOS E FOGO

 

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venham meus amigos só vocês os verdadeiros

e de cabeça levantada sentemo-nos em círculo

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agora sim cada um em si com suas crenças

arranquemo-nos de entre as aparências e façamos a fogueira

com a palha das presunções cobardias e embustes deste nosso mundo

mas também com o carvão das lamentações

devidas a não nos entendermos

nem cada um consigo nem uns com os outros

sobre o melhor destino a dar às imensas riquezas

que dos antepassados vieram aos nossos dias

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este o momento de querermos o futuro enquanto nosso

e sobretudo daqueles que vão a suceder-nos

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recordo aqui o que em tempos senti

sobre a lei do pão de cada dia como impedimento

de projectarmos o nosso ver-nos à distância

num banquete comum de despedida

em que já também com nosso pequeno ou maior contributo

festejaríamos em paz e alegria

a riqueza histórica por todos convivida num sentido em que

ontem hoje e amanhã configuram a profunda verdade de existirmos

por milagre do ser que vem do ser para ir a mais ser

no universal e constante movimento

que é sem fim nem princípio conhecidos

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o bom governo do mundo é o sonho colectivo

de cuja alvorada não abdicamos embora sem deixar de sentir

que o tempo da guerra vai continuar

mas também que ao alcançarmos vivê-lo neste círculo

um fogo ilumina o caminho longo a percorrer

e é tão necessário ele como o sol

para que a vida seja no planeta a maravilha maior

e a história humana nela percebida como processo de auto-criação

da obra prima em que tudo vai do menos para o mais perfeito

revelando a inteligência interior

reconhecível nas leis do universo

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venham amigos o meu convite é hoje

mas se amanhã for o dia de chegardes em crentes no futuro em que creio

chegai uns com os outros e festejai  o tempo com um fogo e em volta

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ele o tempo a passar e com ele todos nós a apagar-nos

mas não o fogo que nos traz em círculo e assim vos peço

atiçai a fogueira no carvão que chorei e aqui é brasa

e em labareda com a minha e a vossa palha alevantai-a

em luz de ir do tempo que nos cabe a tempos bem melhores

em nós sonhados por virtude desta crença

que nos traz em amigos
clip_image004[3]R. V.

20 comentários:

  1. Feliz Ano Novo! - Diz-se
    E é imperativo acreditar
    Na fronteira entre o que era
    E o que vai ser
    Na mornidão amarga das jornadas

    São foguetes e arraiais no céu
    São gritos de júbilo
    E euforia nas praças
    São restos de espumante e melodias
    Que as gentes adormecem na madrugada

    E se no dia primeiro, do ano que há-de ser
    O sol vier inundar o ar de alegria
    Parece que tudo nos faz crer
    Na promessa da mudança
    Na desejada Bem-Aventurança
    Por que rezámos ou não
    Ao jeito das nossas múltiplas confissões

    Mas, se não vestirmos os nossos gestos
    De outros modos
    Se não vivermos as horas
    Com um brilho de força renovada
    Permaneceremos presas assustadas
    Na teia cinzenta dos nossos dias

    Ana Wiesenberger
    01-01-2013

    P.S. Adorei e quero um lugar cativo junto a esse fogo lúcido e brilhante de coragem e ousadia de espada da paz. BOM 2013! Beijinho.

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  2. "...POESIA..." OU SEBASTIÃO DA GAMA VIVO -A MÚSICA DO ENTARDECER!


    Dorme dorme menino do pai
    Dorme dorme que o soninho já vai
    Aí vem o João Pestana
    Pé ante pé
    Voz que não me engana
    Já lá vem o João Pestana
    Pé ante pé
    Voz que não me engana... (1)


    Pois é assim que docemente canto, canto desde há sessenta e um anos ainda e já, canto-lhe a balada doce do entardecer ao som dos cachões rugidores do oceano da Arrábida debruçada sobre o resfolgar dolente dos rebentamentos no sopé que os trava, acompanhados das variantes e valáteis notas das cores e dos perfumes que o maciço gigante desprende, todo cheio de belas e recortadas enseadas que os olhos bebem no cair do dia, e se espalham e se espelham na alma sôfrega por mais horas que hão-de vir, canto o que o maciço solta e o coração interpreta!...
    Canto, e cantarei até quebrar o sono deste meu filhinho de raiz, deste filho amado que não é só meu porque pertence a todos os poetas e a todo o mais puro lirismo da alma da Poesia Portuguesa de alma parida--mas canto, canto porque o criei ao longo do tempo que voa e o adormeço neste Fevereiro pardacento para aquecer o frio do meu coração. Canto-o desde os meus dez anos, sentado nas pernas da minha mãe que mo lia à braseira, mortiça já, daqueles serões alentejanos da meninice que teimam em não passar...
    Canto enquanto se não extingue esta melodia doce, toda enfebrecida de sonho, toda cheia de cheiros ao tombar da tarde das minhas fantasias sempre renascidas...
    Teimosamente canto e canto o meu filho do meu tutano, canto sem lamechice e sem pena, canto nele a alegria de uma emoção incontida, sem o látego das perdas dolorosas mas com a suprema satisfação de pai sobejamente compensado.
    Grato meu Sebastião, meu filho e meu pai da tua e da minha poesia de sentir-te e sentir-me de vive-la!!!
    Como posso eu chorar ou lamentar o teu sono se tu mesmo dele não tiveste pena e o previste e até o cantaste em versos que hoje continuam a ser de uma nitidez que "apunhala" as sensibilidades, comove as idiossincrasias e promove as pessoas até ao cimo mais altaneiro da completude humana lírica?! Mas não é disso o caso em:

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  3. A COMPANHEIRA

    Não te busquei, não te pedi: vieste.
    E desde que nasci houve mil coisas
    que a meus olhos se deram com igual
    simplicidade: o Sol, a manhã de hoje,
    essa flor que é tão grácil que a não quero,
    o milagre das fontes pelo estio...
    Vieste.(o Sol veio também, a flor, a
    a manhã de hoje, as águas...) Alegria ,
    mas calada alegria, mas serena,
    entendimento puro, natural
    encontro, natural como a chegada
    do Sol, da flor, das águas, da manhã,
    de ti, que eu não buscara nem pedira.
    E o Amor? E o Amor? E o Amor?
    - :Vieste. (2)

    acontecendo, de facto, nos

    VERSOS DA MENINA MORTA


    Olha,
    quando vieres, Morte,
    não venhas sorrateira:
    Quero sentir-te bem;
    levar bem nítido, nos lábios
    o travo do teu beijo...
    Chorem os outros, Morte
    a dolorida minha hora final.
    Para mim, que bom saber até ao fim
    a que sabe a Vida...
    (3)
    A mística da morte e o convívio com ela desde a idade tenra e Sebastião foi aquela criança tenra nos seus 27 anos cortada cerce, essa ideação nem sempre percorre os seus poemas e ou informa a magnifica atitude pedagógica que derramou nos seus alunos, sequer em quaisquer outras formas de convívio publico, mas viver foi sempre uma bandeira adejante ao vento agreste de um certo modo de ser de existir e a rampa íngreme que corajosamente trepou desde a sua Serra, buscando nela a paz como um conforto balsâmico, olhando as grandes imensidões marítimas como se um banho de plenitude tomasse e bebendo o céu infinito como uma procura do seu Deus maior e dele o reflexo-uma convivência pagã fantástica com o mítico cristão ardente de luz na saga epopeica de viver, sabendo-se prematuramente estar condenado à morte. Que coragem meu filho, meu irmão e meu pai da alma. E tudo pela POESIA, a última palavra que terás balbuciado naquela manhã da tua morte-vida.
    Rendo-te homenagem, meu Bastião!
    Mas sentimo-lo, brincando, ao escrever o

    SONETO DO GUARDA-CHUVA
    (AO A.M.C.V.--perdão)
    ò meu cogumelo preto,
    minha bengala vestida,
    minha espada sem bainha
    com que aos moiros arremeto

    chapéu-de-chuva, meu Anjo
    que da chuva me defendes,
    meu aonde pôr as mãos
    quando não sei onde pô-las,

    ó minha umbela--palavra
    tão cheia de sugestões,
    tão musical, tão aberta

    meu pára-raios de Poetas,
    minha bandeira da Paz,
    minha Musa de varetas!
    (4)

    O percurso deste poeta- professor-pedagogo, de tantas e tantas humanidades e humildades, diz assim, sucintamente:

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  4. SEBASTIÃO DA GAMA

    FICHA BIO-BIBLIOGRÁFICA


    SEBASTIÃO ARTUR CARDOSO DA GAMA nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, no dia 10 de Abril de 1924. Matriculou-se, em 1942, na Faculdade de Letras de Lisboa, em cuja secção de Filologia Românica veio a licenciar-se, cinco anos depois, com a classificação de 17valores.Foi professor do Ensino Técnico Profissional ,-primeiro, como provisório, na Escola Técnica de Setúbal; a seguir, estagiário, na Escola Veiga Beirão, de Lisboa, e, concluído o estágio com 18 valores, foi colocado em Estremoz, onde se conservou até á sua morrte,-ocorrida em Lisboa, no dia 7 de Fevereiro de 1952.
    Publicou três livros de poemas: SERRA-MÃE, em 1945,, CABO DA BOA ESPERANÇA, em 1947, CAMPO ABERTO, EM 1951.
    Colaborou , entre outras, nas revistas AQUI e ALÉM, ATLÂNTICO, TURISMO, MUNDO LITERÁRIO, ÁRVORE e TÁVOLA REDONDA.
    Realizou algumas palestras e conferencias: uma delas-LUGAR de BOCCAGE na nossa POESIA de AMOR-foi este ano publicada , em separata, pela Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, que desse modo prestou homenagem ao seu antigo discípulo.
    Deixou, inédito, um quarto livro de poemas que em breve será publicado. Pensam, por outro lado os seus amigos reunir em volume uma selecção de Cartas suas, - que será , ao que lhes parece, um complemento indispensável para o estudo da obra e da personalidade de Sebastião da Gama.
    (5)

    Variadíssimos foram os poetas, os amigos ou os críticos que o referem em atitudes e palavras de pesar, tanto pessoais como esculpidas em poemas e prosas que extravasam o âmbito da contemporaneidade do 7 de Fevereiro e se espraiam nos anais da Literatura Portuguesa escrita:
    Lápide

    Não lamentes morrer na juventude:
    Confiante, adormece as mãos no peito,
    Desprezando brandões, véus, ataúde,
    A cal e a sombra do coval estreito.

    Pra ti, a morte não foi cega e rude;
    Moldou, mais firme, o teu perfil de eleito:
    Imagem da beleza e da virtude,
    O corpo inerte é o único perfeito.

    Não lamentes desejos, beijos idos:
    4O amor é dor doendo nos sentidos;
    O coração gelado, eis o segredo.

    Cada hora que somos nos desgasta:
    O tempo é vil e a juventude é
    - Só merece viver quem morre cedo.
    (11-4-52) (6)

    ELEGIA

    Dos meus olhos contemplo
    Navios de vidro lapidado
    Peixes boiando verdes de bronze
    Algas de braços nus acariciando
    O chão de mar pintado no cérebro

    Tudo movido por uma canção roxa dolorosa

    Nas minhas mãos tintas
    De um vinho de cravos
    O silencio murmura o teu nome
    Com um grito de pássaro louco
    E orvalhados os répteis
    Procuram o calor nas tuas mãos
    (7)


    Hoje é 7 de Fevereiro de 2013. Já o sol se desmaia nos cabeços serranos e a brisa gelada convida ao agasalho. O Oceano metalizado de cinza vai selar-se
    à noite de breu, milenária, impávida, sem uma vela acesa de barco que se faça à orla, vindo dos longes, nos longes, desses longes de onde nada surge mas onde tudo fica...
    O meu menino, abraçado a mim, já dorme, mas eu teimo em continuar a cantar-lhe, mansamente, até que acorde, pequenino, de novo, dentro do meu coração, teimo neste musicar trauteado, baixinho, insisto nesta balada do João Pestana dos filhos inermes ao colo dos pais embevecidos- João Pestana distante, misterioso, tudo inacabado como as mais belas sinfonias interrompidas, desgarradas ao vento!


    Daniel Nobre Mendes






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  5. NOTAS
    (1)- Cantiga de embalar que faz parte do imaginário mítico infantil Nacional e cujas versões são diversas; equivale ao Pedro Chosco, Galego, e ao Sandman, do Reino Unido.
    (2)- Sebastião da Gama, in fascículo 1 de Távola Redonda-Folhas de Poesia, 15 de Janeiro de 1950.

    (3)- David Mourão- Ferreira, Para uma interpretação da POESIA DE SEBASTIÃO DA GAMA, in Távola Redonda-Folhas de Poesia, fascículo 16, de 30 de Abril de 1953.

    (4)- Sebastião da Gama, ARRÁBIDA, 1 -- Fev.-- 1950, in Távola Redonda, fascículo 16, de 30 de Abril de 1953.Inédito.

    (5)- in Távola Redonda, fascículo 17, de 30 de Abril de 1953.

    (6)- António Manuel Couto Viana, 11-4-52, in Távola Redonda, fascículo 17, de 30 de Abril de 1953.

    (7)-- Artur Ribeiro, in Távola Redonda, fascículo 17, de 30 de Abril de 1953.
    .

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  6. Nota do autor


    o presente escrito não publicado no dia 7 do corrente pela ASSSOCIAÇÃO CULTURAL SEBASTIÃO DA GAMA É UM SEGUIMENTO DE MAIS OUTROS DOIS ESCRITOS POR ELA DIVULGADOS,NO SEU BLOGUE, EM TEMPO OPORTUNO, E ACODEM PELO MEDSMO TITULO-- "...POESIA..." OU SEBASTIÃO DA GAGMA VIVO!,PODENDO SER LIDOS NA NET COM ESSE TITULO.
    GRATO

    PS-- O PRESENTE TEXTO,DADO QUE NÃO COUBE,INTEIRO,NO "CHAPEU E BENGALA",TEVE DE SER "PARTIDO",COMO É BEM INTELIGIVEL.



    DANIEL NOBBRE MENDES

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    1. mais um ótimo artigo que vai na linha dos anteriores sobre sebastião da gama. também já lemos os teus livros e gostámos!


      c o n t i n u a!

      abrasços dos amigos
      joana e alfredo

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    2. bom trabalho e parabens

      hv

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  7. "…POESIA…" OU SEBASTIÃO DA GAMA VIVO--A BALADA LIRICA DO DESPERTAR!


    o meu Bastião pequenino vem desta vez mais puro, mais sorridente e mais belo
    quando se comemora um ano mais do seu nascimento, sim, vem mais belo e mais puro, que eu já cheguei a Passárgada para o esperar com a Primavera e, com ternura, o conduzir a casa, ao meu colo porque é pequenito e quer a fofura quente de braços aveludados e quer morar aqui, nesta terra Passargadiana onde tudo é possível e o amor é a única bandeira adejante içada no mastro mais altaneiro erguido de que cada habitante se constrói e é: Passárgada, a cidade fantástica possível que consola e que jamais morreu no coração de todos os poetas que aqui chegam para se inventarem e Sebastião da Gama inventa-se, reinventa-se, espraia-se e permuta-se interactivamente com toda a gente que beija sem quaisquer medos!
    Vem de muito longe, do fundo dos tempos, desses tempos de alma lá longe, de antanho, vem da interioridade anterior aos começos da Alma Portuguesa Lírica(será que o lirismo não existe antes de um grito interior sem literatura?) que se firmou no testemunho e testamento dos Cancioneiros que avançaram dentro da posteridade dos momentos até agora e vai continuar a ser a futuridade daqueles outros depois de nós para outras mulheres e homens-chega Sebastião da Gama e desce do algodão da nuvem que o trás num vagido lírico profundo, a sorrir, como que a desafiar imaginários, seriíssimos teóricos, críticos encartados, academias poéticas mas sempre a dar-se a irmãos, a alunos, a colegas e a leitores que buscam na cintilância ardente de um verso seu a elevação estética de outro sentir diferente, puro sentido do eu liberto que a Poesia é capaz de fazer deslizar nesse outro suspiro diferente leve de um éter alado denominado "sentir poético"!
    Sebastião da Gama não tem escola, não tem mais nada a não ser o seu cadinho original de matriz antiga caldeado por vivencias absolutamente originais a que dá forma na simplicidade existencial do seu viver e sentir para penetrar a sensibilidade que é a sua e, depois, a do leitor que vibra e se deixa ir embarcado no mágico da ideia transfigurada em poema genuíno.
    Há que saber que, o Sebastião, ao trinar os violinos da sua idiossincrasia lírica, o fez com hormonas, sangue, delírios aflitos ou serenos porque Poeta foi e é por natureza intimista informada das coisas naturais que abraçou, se sacrificou e não se rendeu, onde não houve capitulação-isso torna-o um Poeta eleito, um justo e um apóstolo do AMOR aos outros, sem nada esperar!
    Sebastião da Gama sofreu a morte prematura mas percebeu que era inevitável deixar de ser jovem tendo ele adquirido a sabedoria de um idoso inteligente precoce; por tudo "mereceu" viver e agora levo-o para Passárgada que é a Terra de Querubins e
    Dulcineias de mãos dadas que se beijam com aquele pudor intimo antimoralista que só é apanágio de Deuses e Deusas que já ultrapassaram as barreiras da nossa atmosfera e volitam nos Céus de outras dimensões…
    LIRICO, Gama vem com as flores e os frutos, vem tenro, aparece virgem, permanece viçoso como um melro a cantar nesta tarde de Sol, no remanso do meu canto de ternura… em Passárgada…

    O CAIS

    à Maria Sara

    JÁ O CAIS NÃO É DE PEDRA,
    DE TANTO SENTIR O MAR.
    JÁ NÃO É, A PEDRA, LISA:
    JÁ GANHA FORMA DE VELAS
    PANDAS DE VENTO E DE ORGULHO;
    JÁ DEIXOU DE SER BRANQUINHA
    P'RA SER AZUL COMO AS ÁGUAS.

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  8. JÁ O CORDAME, QUE SONHA
    NOITE E DIA SOBRE O CAIS,
    O TEM O SONHO TORNADO
    EM ALGAS PRENHES DE IODO.
    DEGRAUS DE PEDRA SE ANIMAM
    E PELAS ONDAS SE ATREVEM
    -BOTES SEM MESTRE, PERDIDOS,
    SEM OUTRO LEME QUE O GOSTO
    DE IR PELAS ONDAS ADENTRO.

    MARUJOS QUE NUNCA O FORAM,
    ASSENTADINHOS NO CAIS
    DESDE A HORA DE NASCER,
    QUEM FOI QUE DISSE QUE TINHAM
    RAIZES NAQUELAS PEDRAS?
    JÁ LHES DESPONTAM NAS COSTAS,
    JÁ POR ARES E MARES OS LEVAM
    ASAS LEVES DE GAIVOTA.

    CADA TRAINEIRA QUE PASSA
    CONVIDA O CAIS A SAIR.
    JÁ O CAIS NÃO É DE PEDRA.
    -:O SAL MOLDOU-LHE UMA QUILHA,
    AS ONDAS O ENCURVARAM,
    OS LIMOS O ARRASTARAM
    P'RA LÁ DE TODO O LIMITE
    E O CAIS CEDEU AO CONVITE
    DE SER UM BARCO SEM MESTRE.

    LÁ VAI PERDIDO NAS ONDAS
    E NÃO LHE IMPORTA A CHEGADA.
    DEITOU A BÚSSULA AO MAR.
    FEZ UMA ESTACA DO LEME
    QU ATESTA O SÍTIO EM QUE FOI.
    VOLTOU AS COSTAS À TERRA
    EO SEU DESTINO CUMPRIU-SE,
    QUE ERA PARTIR E MAIS NADA.
    (1)


    Durante o mês que decorre e alguns dias de Maio que há-de vir realizam-se acontecimentos de grande significado cultural que honram a Sebastião da Gama, a sua obra poética, a sua pedagogia e toda a ternura que colocou em cada gesto que teve e são memoriais que assinalam eloquentemente este 10 de Maio de 2013!
    Cá por mim aqui deixo ficar mais este modesto e simples contributo com um beijo respeitoso na memória do "Bastião", como meigamente lhe chamaram e a lembrança não esquece…

    (1) Poema de Sebastião da Gama, in Távola Redonda, fascículo nº 1, de 15 de Janeiro de 1950
    NOTA--- Manuel Carqueijeiro, no seu livro lançado em Setúbal no dia 6 do corrente e à mesma hora em que decorria em Azeitão a cerimónia de Joana Luísa da Gama, também
    dedica ao Poeta da ARRÁBIDA E DO MAR um poema que se insere nas páginas 204-205 de "POEMAS DO MUNDO FUGITIVO",denominado "MARCHA MILITAR".
    De notar ainda que Manuel Carqueijeiro, sendo mais novo seis anos que Gama, ainda se deu e foi das relações daquele Poeta.


    Daniel Nobre Mendes

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  9. LINDO ESCRITO QUE COMOVE AS ALMAS SENSIVEIS!


    CARMEN AZEVEDO

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  10. todos os articulados de daniel n. mendes deixam uma marca na sensibilidade.


    adelaide martinhs

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  11. A VOZ DA ÁGUA
    Palavras voaram andando, a ladeira dos caminhos
    tinha pedras soltas e liras que tocavam
    acordes no meu coração de criança.
    Ao regressar a casa, a sonhar,
    aferia tudo na balança do meu sentir nervoso
    como o pescoço de uma pomba assustada à flor do bico
    com que se depenava. Mas o tempo foi-se embora...
    Do que restou,
    sou isto agora que sou,
    sou contos do meu caminho.

    São as muitas cantigas de rodas
    que, devagar, deslizando ainda vejo nos longes onde brinquei,
    merencórias, compassadas modas
    do meu escarlate torrão Alentejano
    a cantar nos longes sozinhos.
    Quase lusco-fusco, dentro da minha alma,
    as aves regressavam aos ninhos anunciando o tombar da calma noite.
    (Eu era pequeno
    ao colo da mãe,
    a vida era eterna e de mais ninguém;
    pelo braço do pai eu fui um gigante
    porque a vida começava nos seus olhos grandes:
    -- Era só minha para abraçar o mundo
    como o sol além.
    Depois, bem depois
    à luz desses sois,
    as toadas perdidas
    na minha memória,
    são as folhas caídas
    do meu livro de história!)

    Entretanto o tempo crescia.
    Maio já lá vinha, cheirava e floria com pujança;
    as cores começavam a brilhar com ténues sorrisos de alegria
    que, distraidamente nesse tempo em que tudo era possível,
    repentinamente acontecia
    ficarmos os três emudecidos,
    assim não sei como e porquê entristecidos…
    Depois os primos e os tios chegavam
    que a festa pelas horas se estendia com ralhetes de permeio.
    Brincadeiras de crianças,
    hoje um quebrado galho seco
    que me desafia e, à lembrança, se deliberadamente peco.

    O meu quintal tinha um alegrete,
    de não sei quantas milhas marítimas de sonho,
    onde tudo crescia com desmesurado tamanho,
    tão imenso, que nesse tempo eu já tinha por tudo a grande inclinação,
    uma enorme predilecção quilométrica,
    uma incerteza aritmética
    que não aprendi com a minha professora metafórica
    na brincadeira a que se chamava matemática;
    só que a dona não sei quantas, não me lembra já,
    não admitia que nesse alegrete o meu campo de flores tivesse
    todas as dimensões que eu quisesse.
    Nele se criavam e cresciam mirtilos vermelhos como girassóis
    que, postos em vinho branco cobriam a nossa alma de longevidade,
    assim como não sei quê, uma parábola, uma química que eu
    confeccionava nesse tempo rico da minha fantasia
    quando tinha a paixão das contas de somar…
    Depois veio a adolescência.
    Os mamilos inchados debaixo da camisa fresca,
    botões castanhos de mel à transparência
    e, pela manhã, os lençóis manchados,
    os pelos no púbis, um suor diferente,
    um cheiro forte, intenso a gente…
    Eu era quase um homem e crescia
    mas, a minha mãe, não fazia que não via.
    Falava de tudo abertamente porque tinha o sol na alma limpa
    e, nos olhos mansos, lampejos de suave claridade
    que enchiam toda a casa de bondade
    quando deles rolavam essas bagas cristalinas,
    miscíveis em amor imenso e santa poesia!
    A minha mãe também tinha
    o azul do céu entre as mãos fechadas
    e, sempre que as abria,
    voavam delas avezinhas canoras de cetim e maresia
    que iam pousar no meu coração.
    Por isso a minha mãe era uma faísca que ardia,
    um relâmpago que, hoje ainda, me incendeia e alumia.

    Junho das amoras, das meloas, das cerejas nas orelhas,
    que delicia, eram doces e tão boas, vinha mais tarde.
    Mas antes era Maio, eu já o disse: As mocinhas da minha rua
    sentavam-se de maias com chitas multicor, todas vestidas,

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  12. perfumadas de flores garridas, em cadeirinhas baixas,
    mesmo no meio da minha porta, todas pintadas; eram tão bonitas,
    ao sabor dos pés,
    uma batuta de instintos de raiz telúrica.
    Vozes aquecidas escorriam modas, puras, cativantes, eu beijava-as e depois sorria para todas…
    Era o prelúdio do verão.
    Rompia quente o estio e um odor morno a axila acelerava o bater do coração.
    Água na boca, os frutos quase sazonados por baixo das camisas,
    os segredos do mistério desses altinhos cobiçados…
    A temperatura era bem quente,
    Santo António vinha ardente…
    Foram, pois, os santos populares
    que castamente beijaram tantas virgindades.
    Como dirigíveis aquecidos atravessaram o espaço pelos ares;
    atrás das moitas olorosas os pulmões a arfar abrindo-se de pasmos,
    consumindo-se de espantos, pela delicadeza florindo as descobertas…

    Canícula plena, límpido o astro azul diáfano, quase divino,
    à tarde os horizontes vestiam-se de dores.
    Eram festivais casados, loucos, grávidos de cores:
    Os vermelhos forte, os alaranjados, os rosa e os lilases,
    todos derramados na tela convexa, dançavam nos longes;
    o sol poente também caía no meu coração
    num arrebol dolente, num desvario aflito, numa avidez enlouquecida
    como se alguém deixasse no rosicler vagarosamente a própria vida.
    Mas não era apenas o sol a desmaiar-se e a pôr-se:
    Foi uma paixão que tive por uma mocinha da minha rua
    que brincou comigo em criança, rosada como a maçã camoesa
    prometida e… nunca dada…

    Depois tombava a noite quente,
    cheirava a verão, a cereal maduro.
    Nos arrabaldes da cidade as mulheres sentadas à soleira,
    todas vizinhas, conversavam da vida triste,
    dos trabalhos, dos maridos,
    e as viúvas diziam quem nos dera ainda os ter, mesmo bêbados
    eram a nossa companhia,
    os pais que os nossos filhos já não têm
    mas também são, diziam, a alegria de mulheres paridas
    que deram luz à vida.
    Lembro-me de me sentar ao colo duma delas,
    chamava-lhe avó querida,
    dava-me bolachas com mel, desse tão humano
    que adoça o fel da vida.

    Na Avenida havia os mastros populares
    e as fogueiras crepitantes.
    Barrotes enfolhados de canas verdes,

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  13. frescas, farfalhudas, abraçavam-nos,
    ligados por cordame enfeitado com bandeirinhas
    de cores variegadas,
    onde balões coloridos com velas dentro
    ficavam dependurados a tremer.
    Mastros da minha juventude erguidos,
    enterrados no chão batido, regado para ficar mais fresco:
    A terra do pão com aromas de alecrim no festão,
    cestinhas de flores na noite calma
    era a terra da minha mãe, também a minha,
    a terra do meu pão da minha vida,
    romaria de aromas,
    loendreiro, mentrasto, manjerona, cidreira, madressilvas,
    tudo se combinava no nariz,
    em todos os sentidos porque a festa ia começar.
    0s mastros foram pessoas levantadas do meu chão moreno,
    verticais, que se divertiam pela noite fora.
    Adejavam, como bandeiras, esperanças
    ao som das músicas improvisadas
    enquanto as horas decorriam com pressa…
    A noite emudecida segredava corpos entrelaçados, quase doídos
    ou lábios ávidos, impacientes como abelhas
    procuravam as flores abertas.
    Muitos casamentos se fizeram nesses mastros de outros tempos:
    Segredos, juras, promessas se cumpriram…
    Acrianças do futuro guardaram dentro da alma
    todas as fragrâncias dessas noites enamoradas.

    Além, bem perto, na Adega do Cantinho
    homens de braços dados, irmãos, fechada a roda,
    cantavam toadas lentas,compaassadas

    cantes dolentes, profundos,
    vinho nas gargantas afinadas;
    alguém fazia o alto, outro o ponto
    e os refrães fortes penetravam os tutanos:
    Era a voz da terra dura, do trabalho,
    da carência sem vergonha,
    a verdade desnudada que se entoava
    na polifónica fraternidade das vozes!
    Um petisco simples e não paravam de chorar
    acordes do meu sangue, carne viva,
    gentes de outrora, tristezas da minha juvenília,
    um tempo presente ido que permanece até agora,
    camarinhas nos meus olhos enxutos,
    uma imensa sede de água fria nos lábios rachados
    ainda hoje me afoga a garganta…

    Eu estava sentado num banco da Avenida.
    No mastro tinha começado o baile:
    Sardinha assada, pimentos verdes, frituras, barris de vinho,
    torresmos, tudo fazia fome,
    cheiros moravam nos narizes;
    a lua pálida, vestida de branco rendilhado, aparecia,
    música tocava.
    Por detrás das minhas costas
    estava a casa onde minha mãe nasceu,
    a mesma onde minha avó morreu,
    e de onde ela saiu para casar com o meu pai, um dia.
    Contava-me que, sendo adolescente,
    se sentava num banco, mesmo ali, ao lado de mim,
    à luz do lampião da via publica
    lia até ao romper de alva quando o sol era um sorriso para ela.
    Então eu olhava esse banco, soletrava-o e também lia.
    Ficava pensativo e como a minha avozinha falava em voz alta,
    enternecida, tu não vens dormir, filha Maria, é quase dia,
    eu vislumbrava tudo na névoa da distancia,
    agarrava esse eco mágico e também via…

    A minha mãe é universal, sem naturalidade,
    Argentina, Chilena, de Alhos Vedros, Marroquina,
    é do mundo, é perversa, inconsolada, inconformista,
    tirana, toda ela se dá. Em troca recebe flores ou bofetadas
    mas não desiste de nada.
    Ela é a mulher, sonho da água inundando desertos,
    a minha mãe é a agonia
    e, num instante, é a vida que renasce em cada acto,
    é a vida ressonante em cada vida,
    é cósmica porque é o futuro de todos os seres
    criando tudo o que se é obrigado a perder.
    A mãe que tenho é a pintora impressionista do meu coração vadio!

    Já é Outubro, declina a luz,
    a natureza esconde-se, dobra-se sobre ela mesma,
    tapetes de folhas amarelas estendem-se no meu coração
    como beijando uma terra gretada com árvores nuas

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  14. ladeando os caminhos por onde passo.
    Concertina no olhar do Sol embaciado,
    oiço-a com a surdez das coisas reais demasiado aceleradas.
    Eu ando de vagar e não quero que o tempo passe
    tão rápido como corre uma cachoeira de espuma nos meus olhos,
    neste olhar pontiagudo murado por coisas eléctricas escondidas,
    mas o tempo corre inexorável,
    inconsciente máquina de guerra
    passa, trucida, mata, renova. Tudo
    entrega aos outros, lembranças, teres, haveres,
    por isso morrer é ser mais de alguém e viver menos. .
    O tempo soma-se-me em graus, mais ou menos quente,
    condicionado pela distracção dos dias, no fogo dos anos.
    Tempo são corolas rebentando em explosões de loucos perfumes
    em noites sem sono.
    Nada disso tem a ver com a física da luz ondulada no vazio
    nem do espaço-tempo encurvado como unidade de medida de duração;
    a eternidade não tem tempo de começo e terminar
    nem a ver com estrelas que ardem na distancia impossível
    ou estoiraram sabe-se lá onde.

    Tempo é um sonho de fome com a alma em brasa.
    -Quero diques, oceanos, torrentes imparáveis varrendo com fúria
    a minha secura neste momento em que ainda existo,
    quero a água da minha matriz, mais nada,
    quero a minha impressão digital,
    quero a minha identidade, mais nada,
    mas estou e fico calmo,
    calmo como uma cobra que hibernou.
    Não falem comigo agora nem mais tarde,
    eu só quero água cristalina,
    puríssima como a fala de um bebé
    ao colo da mãe embevecida,
    eu só quero a mãe-d'água num lago de cristal
    para molhar os meus lábios com suavidade,
    eu só quero espelhar-me nele,
    escutar a sereia para adormecer e vestir-me de narciso,
    eu só quero ser eu, agora já
    porque sou belo e místico como uma aurora boreal!

    Passam os dias, afinal estou dentro do tempo
    mas, a única certeza é a de que nasci,
    vou apodrecer e, com um grito hei-de despertar a beleza,
    essa beleza do murmúrio das gotas de vidro cortante,
    escutar o som rugidor e bravio das chuvas torrenciais correndo dentro de mim
    para tornar mais aplacadas as escarpas da superfície do fundo.

    Foram as águas que me levaram e me fizeram flutuar a memória,
    as mesmas onde boiei quando fui feto,
    precisamente porque as engoli e me limparam as impurezas.
    Por isso sou cheiroso e purificado
    porque o meu primeiro banho foi o da barriga da minha mãe,
    nadei, atravessei atlanticamente vários sonhos
    e estou agora a sentir o gotejar dos pingos salgados
    num horizonte azul.
    A voz da água é a minha memória das coisas,
    o meu contacto com o mundo e o meu marcador de origem animal,
    por tudo se insinua em mim, transmite-me um sentimento sem peso,
    imaterial, que só faz tremer as traves do outro,
    um desdobramento que me parte ao meio
    mas que também mexe com o meus nervos
    sempre que tenho vontade de chorar comigo sozinho.

    Sou um cavalo vertiginoso à desfilada
    numa planície cheia de outonal melancolia:
    Vou em procura de um abrigo numas casas velhas que se avistam.
    Tenho sede e fome e ninguém espera por mim
    com o restolhar da cama nova para encostar a cabeça
    nem uma ração para mitigar a fome antiga,
    sequer água de uma velha nora.

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  15. Agora marcho, estou cansado,
    nem a trote um pouco, a passo lento já.
    Hoje andei a sonhar o dia inteiro pelos campos.

    A visão da água vai perseguir-me como uma coisa ancestral,
    uma bruma cheia de dunas,
    uma tantálica recompensa desejada
    mas, se um dia puder, bebo-a toda na minha intimidade
    sem dizer nada a ninguém que não tenha sede.
    Agora só desejo que permaneça intacta a minha lembrança
    dependurada no vento como uma flâmula rubra,
    quero que a água tenha pernas e corra pelas encostas desta secura,
    que lhe bata o vento mas fique presa como a asa ao corpo
    da gaivota esguia à poupa de um barco de pesca
    tal como também estou em liberdade como o cordel
    do balão colorido nas mãozinhas de uma criança tenra.

    As cantigas que ouvi no Alentejo,
    a minha cama molhada de manhã,
    o pai, a mãe, os primos, os tios,
    as brincadeiras buliçosas,
    os homens da Adega do Cantinho,
    os mastros, os cheiros,
    os pares de namorados,
    a minha professora, o alegrete,
    o amor nas noites cálidas,
    um banco da Avenida que já não existe,
    a avó que nunca conheci,
    a mãe que não vi sentada a ler pela noite fora,
    a namorada da minha rua que não tive,
    as maias garridas que olhei,
    tudo hoje é um sonho que um dia tive,
    uma alegria sem nome que me invade,
    uma bênção que me afaga os dias
    mas, ainda, um pedaço de tristeza,
    uma chuva grossa que me apedreja os vidros,
    a memória da água a correr,
    a água da memória a encharcar os olhos turvados,
    a curva do ribeiro baixo com seixos polidos pelas enxurradas,
    essa pressa de ser rio caudaloso
    em busca de não encontrar o passado onde o deixámos,
    uma ânsia de beijar o mar salgado…

    Mas tenho sede, quem me dá da água fresca?


    POEMA APRESENTADO AO "PRÉMIO NACIONAL DE POESIA"
    SEBASTIÃO DA GAMA 2013---NÃO AGRACIADO

    D A N I E L N O B R E M E N D E S

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  16. evocaçao alentejana,dsaniel ama amãe e não perde uma centttelha do seu sentir transformado poeticamente .~
    um poeta para amar.

    a vida sem dor poetica ´e apenas uma dor sem popesia o k nao é obrigatorio

    cacilda nunes-- FARO

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  17. Belo poema,semnsiveel,bem urdido,comovente,uma homenagem poetica a mae,um retrato da memória vivida e inventada de criança no adulto sensivel quue daniel n mendes é hoje.

    sem estes ppoemas omundo era mais desértico...

    um beijo carinhoso a dnm



    amaro e cristina baião


    rio de janeiro

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  18. NÃO ESCREVES MAIS EM LADO ALGUM
    A CANETA ENVELHECEU E O PAPEL ARDEU NAS TUAS MÃOS
    COM CHAMA DE OIRO E CINZAS DE CRISTAL
    AGORA AS VOZES DAS COISAS QUE DEIXASTE
    SÃO LEMBRANÇAS AS QUE AMASTE MAIS
    SÃO A TERNURA O AMOR A LIBERDADE
    A ESPOSA OS AMIGOS OS AÇORES DE SAL
    A DILUIÇÃO EM NADA NA MEMÓRIA
    PORQUE JÁ FOSTE E NÓS NÃO AINDA
    CONTINUAMOS SENTADOS NA PRAIA
    COM O MAR REVOLTO À ESPERA
    AS AREIAS DOIRADAS
    E BARCOS QUE TE LEVAM NADA DE NÓS
    AGORA SEMPRE MAIS PÓ HUMANO JÁ




    DANIEL NOBRE MENDES

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