quarta-feira, 17 de abril de 2013

MAR-A-MAR AÇORES-SETÚBAL

image
Saída do Estuário em
http://riosdeportugal.webnode.pt/rios-de-portugal/rio-sado/

image
Ilha e seu Mar em foto de U. B.

 28-05-2011 (12)                            A DISTÂNCIA ANULADA

O nosso astronauta está consciente dos riscos da aventura espacial em que, finalmente, nós, esta espécie animal tão incapaz de se descobrir e entender a si própria…

Depois de conseguirmos, na circunavegação terrestre, a vantagem do avião sobre a caravela - o que é isso, se comparado com...?! - estamos de novo a dar novos mundos ao mundo.

Na consciência que tem dos riscos da aventura espacial, qual das distâncias o nosso astronauta tem por distância a medir sem medida: a que vai do seu velho chão à nave ou a que entre a vida e a morte sempre se sentiu e de modo muito sentido no tempo das caravelas?

Entre o Cabo da Boa Esperança e o Brasil que segredos naufragaram com Bartolomeu Dias? Se fosse hoje, era ou não era outra a “verdadeira” razão de Bartolomeu Dias ter sido substituído por Vasco da Gama? Depois de o ser, seria suspeito que fosse ele e não Pedro Álvares Cabral a comandar uma suposta nova ida para o Oriente. E se, ao naufragar, nos pudesse ter enviado, uma mensagem? Reinventava-se a História?

Coisas! Coisas desse tempo de jogo das escondidas em que D. João II tanto envolveu a vila de Setúbal, por causa do espantoso e não espiado Estuário do Sado.

Anular o efeito distância, pela comunicação entre a nave e a Terra, na era das Novas Tecnologias, é...

Ante a impossibilidade de controlar a partir da Torre de Belém a caravela naufragante do talvez verdadeiro descobridor da América, é...

“Verdadeiro descobridor”? Talvez. Mas sem verdade possível anterior ao Tratado de Setúbal, mais conhecido nos nossos livros de história, não sei porquê, como Tratado de Tordesilhas.

 

Aonde vai, em seu ir “laparoso”, esta história de distâncias controladas e com riscos de entre vida e morte, não sei quais os maiores, se os das naves espaciais, se os das caravelas?

Respondo: vai a donde venho e aonde me encontro e é donde o estou a ver, ao Estuário do Sado, com a linha branca da areia encostada ao verde da vegetação da Tróia.
Vai por aí, um por aí em liberdades que… Mas por um acaso é que não: nem veio, nem vai! Porque esta história de  distância foi provocada por um poema: o inédito que encerra a antologia da poesia de Urbano de Bettencourt, título: Outros nomes outras guerras, acabada de editar pela Companhia das Ilhas. No dia de voltar a esta minha querida secretária, após perigosa viagem quase astronáutica, vim aqui encontrar esta prenda, por artes de amizade do autor e zelo de quem me trata com mil atenções e estas delicadezas .

Não há outra história. Até porque “o técnico” não passou por cá para a fotografia que a confirmasse... Esta é só assim e foi inventada “anulando a distância que vai de o Sado à ilha” e de tal modo em fora de senso, em seus vagos sentidos, que não sei se o nosso Urbano me vai perdoar a anulação, aqui, do que vem no livrinho  entre um “de” e “o Sado”. Temos amigos comuns a quem, ao terminarem, também eles, a leitura desta simpática mini-antologia, vou pedir que intercedam por mim. Para me redimir, aceito reler e voltar a reler, até me dizerem para parar, a nota introdutória “Sobre Urbano de Bettencourt”. Um excelente pequeno texto. Pequeno como convinha, excelente porque excelente. De Vamberto Freitas.

R. V.

2 comentários:

  1. Por enquanto ainda aguardo a chegada do meu exemplar.
    De escritos do Urbano Bettencourt, posso (mas com boas razões) dizer o que já puseram na boca de Marcelo Rebelo de Sousa: "Não li, mas gostei".
    Faço, porém, uma paráfrase: Ainda não li, mas já gostei.

    A propósito: Manuel, quando é que te aposentas? Estás a ficar com idade de abrandar, sabias?

    Grande abraço. Gostava de te poder beber o exemplo.

    onésimo

    ResponderEliminar
  2. Amigo Manuel Medeiros/R.V.

    A foto que motivou o poema sobre a anulação da distância entre o Sado e a ilha encontra-se, digitalizada, nos arquivos do CAHA, graças ao Onésmio, que a caçou cá em casa no Verão passado.
    O excelente texto do Vamberto Freitas já foi ampliado e constituirá a surpresa da noite de apresentação do livro em Ponta Delgada. Daquilo que o Vamberto escreve toca-me particularmente o facto de ele ter convocado Edouard Glissant, que se tornou para mim um autor de referência: na poesia não sei até que ponto, mas assumidamente no meu ensaísmo– quando descobri Glisssant senti que tinha ali um suporte e uma reflexão que legitimava muita coisa do que eu vinha escrevendo sobre literaturas insulares, e a açoriana em particular.
    E fico feliz pelo facto de a minha micro-antologia ter suscitado esta sua óptima «chapelada e bengalada».

    Grande abraço atlântico, anulando a distância da ilha ao Sado.

    ResponderEliminar