quarta-feira, 28 de agosto de 2013

DESORDENS & ABUSOS


Canta, Liberdade! As duas pernas partidas! Livre! Livre! Toda a gente, médicos, enfermagem, auxiliares que bem me querem, todos de roda de mim para decidir depressa: amputar para prótese ou operar para ficar com estas velhas amigas das minhas rochas e picos. É que estão muito bem partidas. 

Estás em risco de não se conseguir aproveitar nada, mas tu é que tens de decidir. Já disse, nem uma coisa nem outra. Pernas partidas, as duas, é com o que me quero no ponto em que estou. Fechem as veias e deixem o resto por minha conta. Amanhã explico, agora não. 

A família em choro, mas a pensar: o que é que ele quer dizer com isto? Já soube – digo para botões. Ainda sei o que o isto quer dizer, mas esqueci-me das palavras apropriadas, adequadas, capazes, fiéis às ideias ajuizadas e às loucas. Perdi-as durante o dia... Isto para a noite... Se amanhã de manhã voltarem, talvez volte com elas. Eih! Mas para quê?
R. V.

2 comentários:

  1. Fico assustada ao ler isto. Tomara que tudo corra pelo melhor. Não parece escrito por quem esteja no meio de um problema tão grande, está tão bem escrito. Alguém no meio de uma coisa grave assim não escreveria com esta disposição, com estas palavras tão...

    O que se passa consigo?

    Espero que fique bem.

    Um abraço.

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  2. Este Manuel está a fazer ficção?
    Ainda há pouco enviou um e-mail todo cheio de entusiasmo e de merecer parabéns para ele e para a Fátima...
    E quem parte pernas fala assim sem ficar gago?
    Este Manuel existe ou é mesmo ficção?
    Espero acordar amanhã com boas notícias.

    Abraços.

    onésimo

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