sexta-feira, 30 de agosto de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES


DUAS PERNAS PARTIDAS NUM IPIRANGA
-Respeito pelos comentários ao post anterior -
Só voltar aqui agora, vinte e quatro horas depois, e em vez de tomar o habitual chapéu, enfiar um atrapalhante barrete...
Peço desculpa amigos. Concordo: uns abusos, umas desordens, conseguem criar, depois do susto ou abalo, uma bela distância entre o momento do grito e o da risada. Mas cuidado com os exageros...
Já disse: excesso, sempre; exagero, nunca. Às vezes, tiro ao lado, e desta vê-se que...


Nesta Roda Alargada de Amizades muitos sabemos que estes não são exactamente os meus dias. Sinto-me, quis-me e quero-me num extra-tempo e encontrei em Fidelino de Figueiredo, também meu mestre entre muitos outros, aquilo que julgara ter inventado. Não tenho emenda! Estou sempre em saber que não invento nada que..., mas não tenho emenda.


Quase igual, não bem igual, mas, claro...
De moribundo, moribundar – escrevera numa roda restrita de amigos, pouco depois de mais um regresso ao meu ir de passo em passo (Pedir-me mais um pouco de coragem/para a verdade inteira da viagem/que sempre se promete a mais um passo./Simples saber o que sou e o que faço/e transmitir nos olhos em abraço/tanto sentir que estou só de passagem).
Dois dias depois do meu moribundar escrito, isto tudo há poucas semanas, pus-me a reler os ensaios que Fidelino escreveu nos seus dezasseis anos de ir perdendo as capacidades motoras. Lá estava: moribundear. Daí tirei moribundeio. Dicionarizado, nada encontrei.
Conto com a vossa compreensão: não tenho neste momento acesso ao livro. Um destes dois, creio: Um Homem na sua Humanidade, Diálogo ao Espelho.


Moribundear é ondear entre cá e lá, para a frente para trás, para baixo para alto. Mas sem ficar lá nem segurar cá – moribundeio.
Quando vou de cá para lá, é levado de todos e um... Mas também quando é para cá, como venho agora, nestes dias de bons momentos, é cá um brotar de satisfação, de bem querer mais à vida do que mais vida, que uma pessoa até sente que deve agradecer o muito que aprendeu...
Pano para mangas, como talvez esteja a dar para ver. Eu gostaria. Para compensar o destarelo de uma imaginária partida de pernas contada em mal acabada brincadeira sobre o pormenor sem interesse literário de andar preso: antes preso das pernas (no caso de Fidelino foi até o corpo todo; Matilde Rosa Araújo, jovem professora amiga da esposa, a dar-me conta...).
Ia a dizer que antes preso das pernas, aqui sentado a teclar desordens...
Moribundeio em vista parada nos tantos e quase todos os casos tão perto e na mesma a arrastar os pés? Muito isso ao meu lado...
Sem pernas para voltar aos meus picos e rochas, mas neste contentamento de ir andando NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES, se não voltar a pisar o risco, preocupando quem me estima, posso continuar nesta de quando venho ao de cima ver se não me coudeço muito de mim próprio, antes me divirto a olhar para a aventura que foi ultrapassar, mais uma vez, um precipícios e a «dita»?
É que no ponto em que estou … Bom! Isto por hoje...
Bem! Já estou a pensar se este desfazer de asneira não será outra. De qualquer modo, Nesta Roda Alargada de Amizades, não vou de modo nenhum esconder o que não será bem visto por outras gentes e aqui entre nós o que disser está dito, mesmo que tenha de emendar, como me obrigo a fazer constantemente...
R. V./M.M./V. L./L. V.

2 comentários:

  1. Olá!!!!

    Já me ri com a sua brincadeira... De facto, seria muito estranho que, no meio de uma desgraça como aquela, conseguisse o sangue frio e a lucidez suficientes para ainda vir escrever, mas, sei lá..., estava tão realista...

    Mas ainda bem que foi só uma brincadeira, uma vontade de pregar partidas aos amigos. O sentido de humor é uma coisa especial, diverte o próprio e quem tem o privilégio de estar por perto.

    Só posso desejar-lhe que se vá pondo bom que nós aqui estaremos para ir conversando consigo, para nos irmos rindo com as suas palavras, para lhe fazer companhia, para lhe dizer que estamos aqui, perto de si, pequenos pontos de luz algures por aí.

    Saúde!

    E um abraço!

    ResponderEliminar
  2. Amigo, que susto eu apanharia se tivesse por aqui passado antes, embora o estilo me levasse a pensar duas vezes. Fico feliz por continuar a poder encontra-lo e aos seus textos, que leio com prazer. Continuação de boa disposição que é meio caminho andado para a consolidação da recuperação. Abraço grande. Maria Fernanda Pinto

    ResponderEliminar