quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

em minúsculas

teoria para a cantiga de chegar à praiaimage   GALAPOS
a mim ninguém deve nada
só amor devo alguém
vida assim vida ancorada
na praia do querer-bem
R. V.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

em minúsculas

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LUZ NEBLINA OLHAR

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Fotos de Damião Miguel

sabes se é a luz

se é a neblina

ou o teu olhar

sombreando o mar?

 

sabes se é querer

ou se é não querer

este aqui estar

preso a ver o mar?

 

sabes sem saber

sabes sem querer

luz neblina olhar

sombreando o mar

 

R. V.

sábado, 19 de janeiro de 2013

em minúsculas

de aparência a beleza

            para Urbano Bettencourt e Olegário Paz 

 

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Foto de URBANO BETTENCOURT – Ponta Delgada – 19.Janeiro.2013

 

para que de entre lá e cá  a realidade te espante
não creias no azul do céu

o teu olhar liberto para todas as surpresas da infinita beleza diurna

de que em fundo o azul celeste e belo é o  limite aparente

R.V.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES

ACHADO DE DOMINGO

Fui ver. A neve caía,

não no poema do  Gil,

mas na  Montanha do Pico,

que uma foto de momento

trazia em circulação.

E nem sequer  era esse

o lugar que me chamava,   

mas o JL com «Ele» na capa,

que uma sobrinha assinante

vê chegar  a hora decente,

para vergonha do tio,

avesso e renitente

aos  modos de assinatura.

E, afinal, lá para a frente

o charme de Eugénio Lisboa

sobre o charme  das livrarias

dispunha  em meio da página

uma foto da Culsete,

prima irmã das livrarias

tão discretas no perfil

e lá por dentro repletas

do fogo que agita  o mundo.

Assim, num dia de azar

tive a sorte de encontrar

uma pedra de aconchego,

onde a memória dá corda

ao pobre do coração.

13.01.2013

Urbano Bettencourt

domingo, 13 de janeiro de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES


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Foto carregada de paismodernos.com.br


TEMPOS DE CRENÇA

EM AMIGOS E FOGO

 

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venham meus amigos só vocês os verdadeiros

e de cabeça levantada sentemo-nos em círculo

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agora sim cada um em si com suas crenças

arranquemo-nos de entre as aparências e façamos a fogueira

com a palha das presunções cobardias e embustes deste nosso mundo

mas também com o carvão das lamentações

devidas a não nos entendermos

nem cada um consigo nem uns com os outros

sobre o melhor destino a dar às imensas riquezas

que dos antepassados vieram aos nossos dias

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este o momento de querermos o futuro enquanto nosso

e sobretudo daqueles que vão a suceder-nos

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recordo aqui o que em tempos senti

sobre a lei do pão de cada dia como impedimento

de projectarmos o nosso ver-nos à distância

num banquete comum de despedida

em que já também com nosso pequeno ou maior contributo

festejaríamos em paz e alegria

a riqueza histórica por todos convivida num sentido em que

ontem hoje e amanhã configuram a profunda verdade de existirmos

por milagre do ser que vem do ser para ir a mais ser

no universal e constante movimento

que é sem fim nem princípio conhecidos

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o bom governo do mundo é o sonho colectivo

de cuja alvorada não abdicamos embora sem deixar de sentir

que o tempo da guerra vai continuar

mas também que ao alcançarmos vivê-lo neste círculo

um fogo ilumina o caminho longo a percorrer

e é tão necessário ele como o sol

para que a vida seja no planeta a maravilha maior

e a história humana nela percebida como processo de auto-criação

da obra prima em que tudo vai do menos para o mais perfeito

revelando a inteligência interior

reconhecível nas leis do universo

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venham amigos o meu convite é hoje

mas se amanhã for o dia de chegardes em crentes no futuro em que creio

chegai uns com os outros e festejai  o tempo com um fogo e em volta

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ele o tempo a passar e com ele todos nós a apagar-nos

mas não o fogo que nos traz em círculo e assim vos peço

atiçai a fogueira no carvão que chorei e aqui é brasa

e em labareda com a minha e a vossa palha alevantai-a

em luz de ir do tempo que nos cabe a tempos bem melhores

em nós sonhados por virtude desta crença

que nos traz em amigos
clip_image004[3]R. V.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

CONCORDÂNCIAS

clip_image002 FOTO ARIEL – BLOGUE CIRANDANDO

 

flor de sal

o sal de uma lágrima floriu

na mão que a recolheu quando caía

nem ir ao parlamento discutir a lei

nem  vê-la já sentença em tribunal

fêz esta humanidade que uma lágrima

libertou de uma culpa arrependida

R. V.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

em minúsculas

por fim o silêncio sempre sempre sempre

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a flor       

a sua cor        

e a dor


R. V.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O TEMPO A LER: DE CADA VEZ QUE…

Se me disseres que perdeste tempo com a escrita, posso aceitar. Com a leitura, por exemplo a de Jean Genet que hoje te apanhou, é diferente (papelamais.blogspot.com). Não aceito que me digas, nunca, que perdeste tempo a ler.

Quem vai em perder é quem não lê. Porque não consegue, embora queira, ou, bem pior, porque não sente a falta que a leitura lhe faz.

Impressiona…

Isto de nos apercebermos de que mesmo quem sempre teve bons hábitos de leitura passou a ler tão pouco e tão mal. Impressiona…

As pessoas a ser dominadas pelo circunstancial de um ambiente tão absorvente do espírito. Tanto que não lhes resta nem tempo nem espírito para a indispensável leitura...

Fica, pois, o recado: não voltes a dizer-me que perdeste tempo a ler.

R. V.

 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

NESTA RODA ALARGADA DE AMIZADES

imageA AREIA O TEMPO E A FLOR

EM BOM ANO O DIA A DIA

Cara amiga/Caro amigo: De cabeça levantada e espírito liberto é como desejo que, em Bom Ano, por aqui continuemos a acompanhar-nos nesta caminhada em que vamos, o nosso ir vivendo uns com os outros no planeta que somos. Planeta pequeno, agora sabemos e a internete é prova, mas luminoso Jardim do Éden, tão pródigo em belezas e bens. Sim, tenhamos crença para chamar de Paraíso Terreal a esta maravilhosa arquitectura que nos permite existir em nós, em Mundo e em Universo. Apesar, muito apesar da estupidez com que é ensombrado por energúmenos, bizantinos e carochinhas. Não estou, pois, a tentar que fechemos os olhos às misérias que esses miseráveis infligem a todos os que somos povo. Não tapar os ouvidos ao clamor, clamarmos também! Solidários na dor e angústia e mais ainda na revolta contra o poder dos «eles» a quem, infelizmente, ainda muito nos sujeitamos quando, ao mesmo tempo que nos queixamos das opressões, continuamos a pedir-lhes que sejam os nossos protectores, os salvadores que nos conquistem a liberdade que nos usurpam.

 

Cabeça levantada!

Sem sequer precisar de ser atitude, apenas posição ou modo de estar do corpo de homo-sapiens em vivo.

Espírito liberto!

Não que nos seja por aquele modo de tola superioridade, cínico, arrogante e desprezível, que uma boa pancada de granizo desmorona  e  deixa a tremer de medo ou a espumar em vergonhosa humilhação. Em alternativa ao granizo, por exemplo um vulgar AVC.

Libertação simples.

Humilde aceitação fundamental do que somos tais como somos, em individual, em colectivo e em histórico. Sabendo-nos, no entanto, muito bem e cada vez mais, num horizonte de permanente aperfeiçoamento. O esperançoso horizonte de quem vai descobrindo modos de vencer a ignorância, deter o egoísmo e criar harmonia.

Aqui sim, a atitude.

 

A cabeça levantada, de simples posição do corpo, pode agora passar a metáfora da atitude. E não será que é de metáfora que se alimenta em sentido  de caminhada o dia a dia da nossa vida?

Caminhada ritmada por um bom e conquistador almejo de dia a dia em paraíso.
E, para o ritmo de entrada em Bom Ano, um «cá estamos!», seguido de um «cá vamos!»!

R. V.