sexta-feira, 14 de junho de 2013

«VERDES VARANDAS».«BALAUSTRADAS DA LUA»


http://fotografiadejoaopalmela.blogs.sapo.pt/272758.htm

COM ALMA AS PALAVRAS


“florescer”

“marejar”

nas palavras que trouxe trago possa vir a trazer-te

estou como quem ainda antes de chegar a casa

já vem aconchegado no sorriso que o espera

 

não são palavras com que queira dizer alguma coisa em célebre

só te peço que as não pises

são ervas simples do parque

e confio em ti para respeitar o aviso na tabuleta:

“não pise a relva”

 

só para os olhos a relva simples verde e bem cuidada?

ao olhá-la e sabendo que a não pisaria

sobre ela estendi a minha alma

 

também assim o gosto da alma nas palavras

estas por exemplo

“florescer”

“marejar”


R. V.

 

terça-feira, 11 de junho de 2013

CULSETE-40 anos: sábado com IRMÃO LOBO

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Por exemplo: o tempo… Como é que uma criança se entende com a palavra em o tempo que hoje está mau e em o tempo que leva a chegar de casa à escola ou o do micro-ondas?
A menina-narradora de Irmão Lobo que bem que nos faz pensar no esforço heroico das crianças para se entenderem com as confusões de toda a ordem em que nos movemos, os adultos!
Gostava mesmo de passar na Culsete umas boas horas na tarde do próximo sábado. Será que consigo? Será que lá nos vamos encontrar?
R.V.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

CONCORDÂNCIAS

flor DSC_0026a ti e…
Fotos: Lia Rodrigues

DO VAZIO DE AMANHÃS

Não diz mais nada esta versão assim enversada…
Ao que vem é a pedir-te que me digas qual preferes
ou se é indiferente.

em vazio de amanhãs

consolidado vazio de amanhãs

hoje cada hoje uma oferta

dos deuses que abençoam o amor à vida e este mundo

 

hoje cada hoje chegando em oferta da vida

à esperança de viver contente

um possível momento livre de misérias

 

em amor e amizade e desde ainda em esperança

dedicada a ti a graça de um momento livre

 

a ti e à adoração

do imenso e grandioso universo

R. V.

domingo, 9 de junho de 2013

CONCORDÂNCIAS

DO VAZIO DE AMANHÃS*
DSC01796Em vazio de amanhãs consolidado vazio de amanhãs hoje cada hoje uma oferta dos deuses que abençoam o amor à vida e este mundo
Hoje cada hoje uma oferta da vida à esperança de viver contente um possível momento livre de misérias
Com amor e desde ainda em esperança dedicado a ti este momento livre 
A ti e à adoração do imenso e grandioso universo
R. V.
*Foto de Olegário Paz

quinta-feira, 6 de junho de 2013

CONCORDÂNCIAS

 

FUGAZ

Exíguo, lhe disse alguém, reflectindo sobre o tempo e algum desdém…

Mas lá foi crescendo, crescendo, consoante a terra, o húmus e as circunstâncias, aquele tronco, agora forte, robusto como a mãe…
“Sou como o espaço, o horizonte, o mundo…” rejubilou.

E foi rodando, rodando, rodando sempre, na esperança que antevia, até que subitamente se deteve junto a um amontoado de ramos frágeis, inertes, prostrados.

Aí, caindo de vez em si, decepcionado, humildemente balbuciou:
“Afinal...não passo de um segundo”.


arfemoarlindomota
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Dedicado ao VELHO LIVREIRO, Manuel Medeiros, ou ao poeta Rezendes Ventura (pseudónimo) pelas lições de vida que me tem proporcionado, ao longo de todos estes anos de convívio.

domingo, 2 de junho de 2013

MAR-A-MAR

SERRA DA ARRÁBIDA

EREMITÉRIO ARRABIDINOEREMITÉRIO ARRABIDINOEREMITÉRIO ARRABIDINO

Arrábida serra
Serra mãe e deusa
Assim te ama e chama
Quem junto a ti mora
E de amar-te adora

 Deusa que protege
Mais que protegida
Arrábida serra
Nossa alma erguida

Arrábida serra
Serra mãe e deusa

Mar e terra unidos
Eu os concilio
-Diz a serra mãe
Dando paz ao rio

Arrábida serra
Serra mãe e deusa
Assim te ama e chama
Quem junto a ti mora
E de amar-te adora

Serra mãe e deusa
Espiritual cultura
Convoca Setúbal
para a sua altura

Arrábida serra
Serra mãe e deusa

R. V.

QUILHA MIGRANTE

Barco-ilha
Barco-ilha

Barco-ilha O mar

longo e fundo encerra
tão querer a terra

Barco-ilha
por encontro a que vou
desencontro em que venho
Se o mundo era além
quem foi ao que vem?

Barco-ilha
um braço alevantado
os olhos a rumar
Vir ou ir além
ondas e vaivém

Barco-ilha
Barco-ilha

 Barco-ilha O mar
largo e fundo encerra
quanto em mim é terra

R. V.

CULSETE 40 ANOS: por uma infância feliz desde 1973

Sábado
1 de Junho
DIA
MUNDIAL
DA CRIANÇA
2 013

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Memória de se comemorar o Dia Mundial da Criança em Portugal e em particular em Setúbal, cidade, concelho ou região, antes de 1974? Não me lembro de nada, mas pode ser minha ignorância, esquecimento ou distracção.
É verdade que em 1972 já me convencera a dedicar mais à criança do que ao operário, com o qual começara a trabalhar nas fábricas, o meu projecto de animação para o desenvolvimento da leitura, mas…
Entretanto, a Culsete em 1973, já depois de 1 de Junho, e…

O que é certo é que logo a seguir ao 25 de Abril a Culsete lançou a comemoração e todos os anos passou a haver animação. Insistindo, criou-se em Setúbal uma tradição que várias entidades assumiram e em particular a Câmara Municipal, com maior dinâmica a partir de 1979, Ano Internacional da Criança, lançado pela ONU para celebrar os 20 anos da Declaração dos Direitos da Criança. Orlando Curto por isso muito particularmente me é caríssima memória.

Hoje, Dia Mundial da Criança de 2013, mais uma vez houve festa. E, segundo as notícias que me chegaram, em como de há anos para cá com expoente no Parque do Bonfim. Aqui a mim, em nova convalescença cuidadosamente tratado em S. Bernardo, o que veio às mãos comovendo os olhos foi a plaquete ou folheto que a Fátima Ribeiro de Medeiros, minha sócia e avó dos nossos netos, preparou para ser «oferecido às crianças no Dia Mundial da Criança, 1 de Junho, em 2013, ano em que a Culsete completa 40 anos».

Cinco poemas do R. V. colhidos no meu Papel a Mais. O primeiro (levou-me dez anos de atenção até que o deixasse ficar como está) é «O Melhor do Mundo» e o conjunto intitula-se À Flor de Abril. Ilustrado com um olhar infantil que sempre me vence as durezas e agruras de corpo e alma quando frequentemente nele mergulho.

Contentamento. Por tudo. Por muita coisa que se sente na lembrança («contem-nos as vossas/nossas histórias»…). Por me cair das mãos para a alma a «notícia» de que desde hoje, Dia da Criança, ficam assim abertas em simplicidade as comemorações dos 40 anos de uma livraria que persistiu até hoje na sua teoria. Porque desde o seu sempre a Culsete tomou como menina dos seus olhos o seu cantinho dos livros infantis e fez muito mais do que podia por que se trabalhasse por uma infância feliz, também através da beleza da leitura e do encontro com os mais notáveis criadores da nossa literatura infanto-juvenil. Toda a gente sabe. Se alguém não sabe, não é a dizer-lho que aqui venho. É só para repetir: «contem-nos as vossas/nossas histórias».

L. V./R.V.